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A beleza roubada de uma vida cigana

Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2008 | 12h35

Legal a discussão sobre Jeremy Irons, que virou discussão sobre os melhores filmes dos anos 80. Vamos por partes, como diria o esquartejador. É que não é que na minha torrente de elogios a Jeremy Irons tinha esquecido do ‘Beleza Roubada’? Eu amo, posso ser o único no mundo, o filme do Bertolucci, que, além de todas as suas qualidades estéticas e críticas, ainda me toca por um motivo muito particular – a personagem chama-se Lucy, como minha filha, e a Lúcia é tão bonita (ou mais…) quanto Liv Tyler. Não é trauma que me faz ficar com pé atrás em relação a Anthony Hopkins, mas ele consegue ser ruim pacas. Tudo bem, todo ator faz filme ruim, mas o Hopkins me aborrece porque ele vive dizendo que vai parar com o cinema e volta, em geral com um filme pior que o anterior. Será que ele topa não importa o quê para financiar uma carreira no teatro, ou alguma ONG que tenha? Um sujeito que ameaça parar tem de continuar acreditando, ou pelo menos arriscando, não fazendo bobagem. Quanto aos melhores filmes dos anos 80… Foi a década do pós-moderno, que não é meu forte. Mas agradeço ao Bruno por ter lembrado alguns títulos essenciais, como ‘Vida Cigana’, que é meu Kusturica favorito e ainda tem aquela trilha de gênio. Existem músicas que me tocam de uma forma muito especial. Quando ouço ‘Adiós, Nonino’, a reunión cumbre de Piazzolla e Gerry Mulligan, quase morro chorando porque a música na minha cabeça está ligada a uma prima que eu adorava, e morreu, a Teresa. Da mesma forma, fico louco quando ouço a música de ‘Vida Cigana’ na cena da ferrovia. Acho que hoje em dia o Kusturica se repete muito. Ele virou um gênero de si mesmo. Mas não perco seus filmes e todos eles terminam sendo experiências audiovisuais que, por momentos, me arrebatam (e arrebentam). Agora, como ‘Vida Cigana’, não tem. Que filme! Pode parecer racismo, preconceito, sei lá, mas sei que não é – ‘Vida Cigana’ só tem gente feia e termina sendo um dos filmes mais ‘belos’ que já vi.

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