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Luiz Carlos Merten

27 Agosto 2007 | 15h01

Vilmar – será meu amigo Vilmar L? – postou, como curiosidade, um texto sobre a receptividade de Drummond, o poeta, ao filme de Antonioni, A Aventura. Drummond diz que o filme não tem história, não tem ritmo, sugere que é vazio, mas pelo menos dá um crédito a Antonioni e ‘intui’ que podia estar nascendo um grande artista. Na verdade, A Aventura, de 1959/60, foi o quinto longa de ficção do diretor, precedido por documentários e pelos curtas de Os Vencidos (I Vinti) e L’Amore in Città. E Antonioni já era grande pelo menos desde As Amigas, de 1955. Existe até um livro, não me lembro o título, que mostra como filmes que se tornaram clássicos foram recebidos na época do lançamento. Sartre, por exemplo, assistiu a Cidadão Kane na estréia americana do filme de Orson Welles. O cinema dos EUA estava proibido de circular na Europa dominada pelo nazi-fascismo. Sartre disse tudo de ruim sobre Cidadão Kane. Esses erros monumentais tornam-se divertidos com o tempo, mas de alguma forma confirmam que a arte, em geral, e o cinema não pertencem às ciências exatas e são suscetíveis de interpretações… Qual é a palavra? Equivocadas? Estou deixando uma bola quicando…