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Cultura » A austríaca?

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Luiz Carlos Merten

09 Fevereiro 2012 | 08h06

BERLIM – Acrescentei ontem aquele primeiro post de Berlim, depois de assistir a ‘Tão Forte e tão Perto’, para poder fazer hoje à tarde as entrevistas com Max Von Sydow e o diretor Stephen Daldry. Agora pela manhã, estou três horas à frente de vocês, tive de tratar da burocracia do festival – credenciamento, essas coisas. Daqui a pouco, será a sessão de ‘Les Adieux a la Reine’, o longa francês (de Benoit Jacquot) que abre a competição deste ano. Em Paris, comprei ‘trocentos’ livros e revistas, inclusive uma ‘Jeune Cinéma’ em  que o dossiê é dedicado a Jacquot. Acho interessante reproduzir, aqui, alguma coisa antes de falar do filme (mais tarde). Apaixonado por cinema desde criança, aos 13 anos Jacquot já devorava ‘Cahiers’ e sabia tudo sobre os autores da nouvelle vague. Chegou a forjar, para a família, uma história de que havia sido convidado por François Truffaut para ser seu assistente. Aos 18, por influência do pai, conseguiu seu primeiro estágio – em ‘Angélica e o Rei’, de Bernard Borderie, o que poderia ser traumatizante para quem sonhava com Truffaut (e Jean-Luc Godard). Na verdade, deve ter sido  importante, porque Jacquot, ao longo de sua carreira, tem alternado projetos de encomenda, alguns até mais comerciais, com filmes experimentais. Achei interessante o seguointe, que não sabia. Ele foi assistente de Marguerite Duras e um monte de gente jura que, na verdade, era ele quem dirigia os filmes dela. Marguerite se concentrava no que lhe interessava – o texto, e o off, que é sua grande contribuição ao cinema. Jacquot se encarregavados atores e da parte técnica, inclusive do enquiadramentro, embora ele jure, numa entrevista, que só estava ali para servir a Duras e que o conceito sempre foi dela. Patrice Leconte, que foi assistente de Truffaut, me disse várias vezes que François fazia filmes para dormir com suas atrizes. Benoit Jacquot aprendeu direitinho a lição de Truffaut e Godard – que também teve suas fases Anna Karina, Marina Vlady, Anne Wiazemsky etc – e foi para a cama e até teve filhos com suas atrizes. ‘Les Adieux a la Reine’ baseia-se num livro sobre Maria Antonieta e vê a queda da monarquia pelo ângulo de uma dama de companhia da ‘austríaca’. Léa Seydoux é quem faz o papel, Diane Kruger é Maria Antonieta. Do que vi nos jornais franceses, Jacquot usa a história de época para retratar a França atual, discutindo o poder na França de Sarkozy, onde reina agora outra ‘estrangeira’, a italiana Carla Bruni. Pode ser interessante, não?

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