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Luiz Carlos Merten

28 Maio 2010 | 10h50

Henrique me pede que comente alguma coisa sobre ‘The Tree’, que encerrou o Festival de Cannes. O filme será distribuído no Brasil… Por qual companhia mesmo? Sei que poderia ter entrevistado Charlotte Gainsbourg, mas na hora tinha o Apichatpong e eu preferi, claro, o diretor thai que ganhou a Palma, com ‘Uncle Boonmee’. Aliás, tenho tido sorte, apostsando certo. Entrevistei o cineasta turco que ganhou o Urso em Berlim e o tailandês da Palma em Cannes. Até agora estou tentando entender, mas como Apichatpong Weerasethakul é um nome, digamos, complicado, todo mundo facilita as coisas chamando o autor de ‘Mal dos Trópícos’ de ‘Joe’. Em Cannes, era ‘Uncle Joe’ para lá e para cá, e ele atendia. Na terça, teremos um almoço na casa do cônsul francês, recepcionando a comitiva que chega para o Festival Varilux. Espero ter chance de conversar bastante com a adida cultural, que veio da embaixada da França na Tailândia e que teve seu papel no lançamento da carreira de ‘tio Joe’. ‘Uncle Bonmee’ trata de reencarnação, e na crença tailandesa de que uma pessoa pode ter muitas vidas, inclusive de animais. ‘A Árvore’ não deixa de compartilhar certas crenças espirituais do filme thai, mas a diretora Julie Bertucelli, de ‘Desde Que Otar Partiu’, não é tão experimental. ‘A Árvore’ passa-se na Austrália, e é falado em inglês, sobre homem que  morre de repente, deixando a mulher e os filhos. Charlotte é a mãe, de novo devastada pela perda (após ‘Anticristo’), mas agora ela precisa readquirir forças rapidamente, por causa das crianças. Uma delas, a mais nova, acredita que o espírito do pai reencarnou na árvore do título, uma figueira. Sobrevém uma tempestade, uma tormenta quer destroi tudo. Não entrvistei Charlotte, mas a encontrei no aeroporto em Nice, na sala da Air France, na segunda-feira. Ela estava com o casal de filhos, o garoto carregava a caixa de um violão (acho que era violão, pelo tamanho). Ao se levantar, ele me bateu com a tal caixa. Ficou desconsolado e Charlotte a me pedir ‘Pardon’, excusez-nous. De jeans, tênis, mãe de família, ela não era nem de longe a imagem da estrela sofisrticada que entregou a Palma no domingo. Gosto muito de Charlotte Gainsbourg, como gosto da mãe dela, Jane Birkin. Mas Charlotte é ainda melhor atriz. O que ela faz em ‘Anticristo’ não está no gibi. Quanto às crianças de ‘A Árvore’, procurem no You Tube. A montée des marches da equipe do filme deve estar na rede. O menino e a menina são lindos. Ela é articulada, e expressiva como atriz.

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