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Luiz Carlos Merten

15 Agosto 2009 | 11h58

GRAMADO – Releiam o post anterior, cheio de erros de digitação e se fosse só isso não era nada. Troquei o ex-Arnaldo da Rita Lee e coloquei Antunes onde era Batista. Corrigi tudo, o que não costumo fazer, e também expurguei o adjetivo que havia aplicado aos fotógrafos e cinegrafistas e não que não merecessem ser chamados de descerebrados, por seu comportamento histérico atrás de Xuxa. Estou sendo chamado de ‘paquito’ pelos coleguinhas, é o ó. Tirando a frescura, revi ontem à noite o ‘Gigante’, de Adrián Biniez, e é meu candidato ao prêmio de melhor filme latino (como ‘Canção de Baal’, de Helena Ignez, é meu favorito para o Kikito nacional). Gostei da parceria de Fernando Severo e Marcos Jorge, que jogam a carta do melodrama em ‘Corpos Celestes’, mas o filme não é uma unanimidade (ainda bem – ‘Toda unanimidade é burra’, Nelson Rodrigues). Tenho de dar uma geral desse festival, que teve coisas ótimas e outras nem tanto. Conversei com José Carlos Avellar sobre a disparidade da seleção – a brasileira, principalmente -, mas termino semnpre por respeitar o partido de Sérgio Sanz (e dele), que consiste sempre em escolher filmes que, de alguma forma, a despeito das diferenmças, dialoguem entre si. O caso mais notório este ano foi o do eixo formado por ‘La Proxima Estación’, ‘Corumbiara’ e ‘A Árvore da Música’, pelo qual desenvolvi um carinho muito grande. Um documentário sobre os efeitos da privatização da malha férrea argentina, outro sobre um massacre de índios na Rondônia e o terceiro sobre o pau-brasil, uma árvore em extinção que é usada na confecção de arcos para violinos. Existe uma cena em ‘Corumbiara’ que mostra a aproximação do índio que vive mais isolado de todos e que reage agressivamente às abordagem dos sertanistas. Em ‘A Árvore da Música’, o grupo de pesquisadores, GPS na mão, procura por uma árvore de pau-brasil que teria (tem) mais de quatro metros de diâmetro. Eles localizam o ‘indivíduo’, como a chamam, e a alegria é infantil (no bom sentido) diante daquela árvore que deve ter a idade do Brasil (500 anos!). É uma coisa tão maravilhosa, tão emotiva, que desatei a chorar por aquele ‘indivíduo’, mais do que por qualquer drama ‘humano’ desse festival. João Luiz Sampaio, nosso especialista de música erudita no ‘Caderno 2’, tem de ver o filme de… Como se chama mesmo o diretor? Otávio Juliano? Tenho lá meus reparos ao filme dele, e os apresentei ao próprio Juliano no fim da sessão, mas a beleza do filme me apanhou. Ele mistura meio ambiente com arte e política. Fala sobre música de um jeito que nunca vi no cinema. É o ‘Corumbiara’ do pau-brasil. Vou agora ao debate de ‘Corpos Celestes’, do nosso amigo Severo, participante aqui do blog. Belo filme, caro!