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‘A 25ª Hora’ (2)

Luiz Carlos Merten

12 Dezembro 2009 | 10h00

Fui procurar, a primeira coisa que fiz, se havia registro do lançamento do DVD de ‘A 25ª Hora’ no Brasil. Encontrei uma lista de filmes antigos, clássicos e/ou raros que nunca foram lançados no País e que é encabeçada justamente pelo filme de Verneuil. Só como curiosidade, vêm depois ‘A Árvore da Vida’, ‘A História de Elsa’, ‘A Mulher de Palha’ etc. Todos esses filmes rendem posts, que terei o maior prazerr de fazer. Lembro-me até de onde assisti ao filme de Verneuil em Porto Alegre, no cine Astor, o antigo Orfeu, que muito frequentei nas mantinés da minha infância, naquelas sesasões de domingo. O Orfeu havia sido reformado, passou a exibir a produção da Metro. Foi lá que vi ‘Grand Prix’, ‘2001, Uma Odisseia no Espaço’. ‘A 25ª HOra’ foi o primeiro sde dois filmes de Verneuil com o astro Anthony Quinn, distribuídos pela marca do leão. Logo em seguida veio ‘Os Canhões de San Sebastián’. Não tenho uma lembrança muito boa de ‘A 5ª Hora’, que me pareceu consequência de ‘Gloriosa Rendição’, de 1964 – ‘Week-End à Zuydcoote’ no original -, sobre o tema da guerra, mesmo que num seja a 1ª e noutro, a 2ª. Mas o filme de Verneuil me fez descobrir Virgil Gheorgiu e logo em seguida eu li um livro dele que me marcou muito, sobre um negro rico, no racista Sul dos EUA, que é castrado e cuja impotência vira metáfora para que o escritor fale sobre racismo. Em ‘A 25ª Hora’, Tony Quinn faz Johann Moritz, um camponês russo, não, romeno, que é deportado com os judeus por um oficial nazista que deseja a mulher dele. Moritz vive diversas aventuras durante a guerra, inclusive vira guarda num campo de comncentração e passa a ser considerado o protótipo do ariano. Preso sucessivamente por alemães, russos e norte-americanos, Moritz não consegue entender quem luta de que lado nem por quê. No limite, é levado para Nuremberg e julgado como criminoso de guerra de segunda categoria, sendo salvo, no limite, por uma carta que sua mulher envia ao tribunal e na qual ela narra como foi estuprada por soldados russos ‘da libertação’. Ninguém mais fala em Virgil Gheorgiu, mas eu me lembro do que dizia dele o filósofo Gabriel Martin – Gabriel quem? – e que era alguma coisa como o fato de os livros de Gheorgiu nunca serem intrinsicamente desfavoráveis a nenhuma das facções políticas envolvidas, mas sim oferecerem documentações válidas de determinados períodos históricos. Acho Gheorgiu uma raridade, porque é único nessa arte tão difícil de querer olhar jornalisticamente todos os lados, dando voz a todos, e criando personagens fortes, não meros arquétipos. A tal ‘isenção’ é tão difícil. Em geral, quem a pede já tomou o partido do outro lado, e há muito tempo. Os personagens de ‘A 25ª Hora’ são reduzidos a animais, no comportamento, e reagem as estímulos como máquinas. Moritz perde a humanidade, mas o filme omite a parte em que ele acasala a fêmea convertida em padrão da ariana, permanecendo humanos apenas sua mulher e a copnsciência viva de toda a guerra, o personagem de Serge Reggiani (cuja importância é maior no livro. Não sei se, de alguma forma consegui ajudar o Inácio, pois as lembranças desse filme são tênues. Se vocês tiverem informações sobre o DVD, repassem. E Inácio, tenta ler o livro. Tentem todos. Virgil Gheorgiu poderá ser uma descoberta.