Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » 5 milhões!

Cultura

Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2009 | 11h39

Estava ontem tão voltado para o Oscar – e ocupado com meu texto sobre a grande exposição de Jacques Prévert, ‘Paris la Belle’, no Hôtel de Ville da capital francesa – que nem me sobrou tempo para um post que me dá o maior prazer de acrescentar aqui. ‘Se Eu Fosse Você 2’, de Daniel Filho, produção da Total e da Lereby, ultrapassou ontem à tarde a marca de 5 milhões de espectadores. Um sucesso para ninguém botar defeito e que consagra um filme de vocação comercial bem feito, com um roteiro engenhoso – reinventando o que parecia piada gasta no primeiro filme – e com um elenco em estado de graça. Ao falar no elenco, apesar do empenho geral, estou querendo me referir a Tony Ramos e Glória Pires, especificamente. O que esses dois fazem em cena não está no gibi. Tony, Glória, Ary Fontoura em ‘A Guerra dos Rochas’ ultrapassam os limites midiáticos. Teatro, cinema, TV. Nada de naturalismo fácil, como nas novelas, para disfarçar limitações. Crítico que se preze talvez não devesse estar fazendo esse elogio ao cinema comercial. Ocorre que o cinema em geral, e o brasileiro, não podem nem devem prescindir do sucesso de público. Sei que muitos de vocês não gostam de ‘Se Eu Fosse Você’. Em várias oportunidades, surgiram aqui nos comentários referências desfavoráveis ao filme de Daniel Filho. Seu sucesso – do primeiro – seria a prova da ingnorância do público. Acho excessivo parti-pris. Havia me divertido com o 1 e diverti-me mais ainda com o 2. Até brinquei, dando a Daniel Filho sua terceira estrela – de bom – na hora da cotação. Costumava contemplá-lo com ‘regular’, mais pelo capricho das produções e por seu empenho como diretor de atores do que por outra coisa qualquer. Com ‘Se Eu Fosse Você 2’, há um salto, e não é no vazio. Não sei se o filme, cuja carreira nos cinemas ainda não terminou, tem fôlego para bater o campeão da Retomada, ‘2 Filhos de Francisco’. Aliás, ficar falando em Retomada, 15 anos depois, já é o ó. Independentemente de gostarmos, ou de vocês gostarem – ou não -, do novo Daniel Filho, é sucesso para comemorar. E não me venham com esse papo de que a massa é burra. Comigo não cola.