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Luiz Carlos Merten

09 Agosto 2010 | 11h46

GRAMADO – Cá estou eu, p… da vida. Havia feito um post enorme sobre Patrícia Neal. Ao tentar validá-lo, entrou a informação de que um cabo se desconectara e perdi meu post antes de ter tempo de salvá-lo. Vamos começar de novo. Ontem tive um dia corrido, sem tempo para postar. Ao mesmo tempo, foi dia marcado por uma nostalgia particular. De repente, dei-me conta de que era 8 de agosto. Meu amigo Tuio Becker comemoraria ontem de aniversário. Se vou fazer 65 anos, Tuio, que era um pouco mais velho, teria feito 68 ou 69. É um sentimento estranho, quando estou aqui em Gramado, no Palácio dos Festivais. As paredes estão cheias de placas em homenagens a amigos que se foram – Tuio, Romeu Grimaldi, Luiz César Cozzatti. P.F. Gastal. E existem os ausentes, pessoas que tiveram uma importância excepcional no desenvolvimento do pensamento cinematográfico do Rio Grande do Sul, mas nunca fizeram parte da história de Gramado. Quem? Jefferson Barros, Jefferson Barros, Jefferson Barros. Foi um dia um pouco bizarro, se não propriamente difícil. Hoje pela manhã, desci para o café, no hotel, e encontrei meu amigo Carlos Eduardo Lourenço Jorge, de Londrina, que me deu a notícia. Morreu Patricia Neal. Me deu uma coisa, uma angústia meio indefinível. Lembro-me de uma publicação francesa a dizer que Patrícia tinha a ‘mauvaise étoile’. Essa ‘má estrela’ era uma maneira de tentar explicar os problemas que ela enfrentou e que a impediram de ser a extraordinária estrela que poderia ter sido. Patrícia trabalhava com John Ford, ‘Sete Mulheres’, quando teve um derrame e foi substituída por Anne Bancroft. Ela não era propriamente ‘bela’, mas tinha senbsualidade e um grande talento. Ganhou o Oscar por ‘Hud, o Indomado’, de Martin Ritt, como a mulher madura seduzida por Paul Newman. É uma interpretação extraordinária, mas confesso que prefiro a Patrícia Neal que, quando John Wayne acorda da cirurgia de amputação da perna em ‘A Primeira Vitória’, de Otto Preminger, está ali, solidária, ao lado dele. Patrícia teve granmdes papéis, em grandes filmes, de granmdes diretores. Não estou pensando em ‘O Dia em Que a Terra Parou’, de Robert Wise, a primeira versão, mas em ‘The Fountainhead’, de King VIdor, com Gary Cooper, que ganhou no BRasil, se nãoi me engano, o mesmo título de ‘True Grit’, de Henry Hathaway  ‘Bravura Indômnita Imita’sobreviveu mais de 40 anos à doença. Sobreviveu ao marido, o escritor Roald Dahl, que a apoiou na dificuldade. Tinha 84 anos. Confesso que chorei. POor ela, por mim? Pelos amigos?