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Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2007 | 11h00

Ainda os comentários… Outro dia alguém pediu que eu falasse mais do 300 em Berlim. Dei só uma geral do filme, dizendo que o havia achado extraordinário como experiência visual. Vários filmes já foram feitos ampliando os limites da imagem com uso da tecnologia digital, mas eu confesso que nenhum me impressionou tanto nem me pareceu tão grandioso quanto 300. E a história é de heroísmo. Aqueles caras sabem que vão morrer, e morrem por um ideal. Me lembrei do general Custer de Raoul Walsh em They Died with Their Boots On (O Intrépido General Custer), com Errol Flynn e Olivia De Havilland, que é um de meus filmes favoritos. A questão que levantei é a de que o filme com Rodrigo Santoro me pareceu o reverso de Cartas de Iwo Jima. Clint humaniza o inimigo. O épico que Zach Snyder adaptou da graphic novel de Frank Miller vai na contramão (ou na mão, porque Clint é que está na contra…), demonizando o imperador Xerxes e seus soldados. A questão que ainda não consegui responder – estou louco para rever o filme – é por que essa história, agora? Quem são os espartanos e quem é o Exército de Xerxes na atualidade, em plena Guerra do Iraque? Vamos ter assunto para quando o filme estrear, com certeza. Mas quero acrescentar uma coisa. Me lembrava do filme antigo, Os 300 de Esparta, com Richard Egan e Diane Baker, mas não me lembrava do diretor e, em Berlim, na correria, não pesquisei. Ontem, naquela loja de CDs e DVDs do Edifício Galeria Califórnia, que faz a ligação da Barão de Iapetininga com a Don José de Barros, no Centro, encontrei o DVD de Os 300 de Esparta, que foi lançado no Brasil (e eu não me lembrava). Comprei. O diretor é Rudolph Maté, um dos maiores diretores do fotografia do cinema (o cara fotografou O Martírio de Joana d’Arc, do Dreyer), mas que virou diretor de medianos filmes de ação – westerns, policiais e épicos como Os 300 de Esparta. Devo acrescentar, mesmo com o risco de misturar as coisas e transformar este post numa salada, que quando tentava me lembrar de Os 300 de Esparta me vinha sempre O Colosso de Rhodes, que foi o primeiro Leone. Chega – com um acréscimo. Falamos aqui, outro dia, de Sublime Tentação, do Wyler, com Gary Cooper, Dorothy McGuire e Anthony Perkins. Também encontrei o DVD na Galeria Califórnia. Vão lá e vejam se, para cinéfilos, não é a caverna de Ali Babá.