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Luiz Carlos Merten

05 Março 2007 | 18h59

Fui comentar com Jobatê Medeiros, nosso maior especialista em quadrinhos no Caderno 2, que voltou hoje das férias, sobre 300 e ele me disse que a grande discussão atual, no site do The New York Times, é a questão que eu já havvia levantado em Berlim, quando assisti ao filme do Zach Snyder com Rodrigo Santoro como Xerxes (que eles pronunciam, Sércsis). A batalha das Termópolis, quando os 300 de Esparta, comandados por Leônidas, derrotaram o exército mil vezes mais numeroso do imperador persa, é, do ponto de vista histórico, a reportagem da capa da revista Superinteressante que está nas bancas. O filme adaptado dos quadrinhos de Frank Miller é uma das mais extraordinárias experiências visuais a que tive acesso, ultimamente. Saí do cinema atordoado com o que havia visto, em termos de imagem e som, e pensando com meus botões que 300 pode ser o limite das novas tecnologias digitalizadas no cinema atual – pelo menos até que surja outra obra limítrofe. Mas em Berlim eu também já havia manifestado minha perplexidade. Por que contar essa história hoje. No mundo de 2007, quem é Leônidas e quem é Xerxes? Qual dos dois cabe no figurino de George W. Bush? É o tema em discussão dos sites americanos. O filme estréia aqui dia 30. Antes disso, não sei exatamente quando, o diretor e os atores (Gerard Butler e Rodrigo Santoro) fazem o lançamento brasileiro, muito provavelmente no Rio. Aguardem. Em Berlim, quando conversei com Rodrigo, ele disse que Zach Snyder, durante a realização, não comentava essa possível leitura política, mas que ela se havia tornado dominante a partir do junket que a distribuidora Warner realizou em Los Angeles. Aos leitores do The NYT, Snyder disse que Bush é Xerxes. Para Rodrigo, havia dito – deixe que falem, vai ser melhor para o filme. E, depois, palavras de Zach Snyder, não cabe à gente dizer como as pessoas devem interpretar 300.