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Luiz Carlos Merten

01 Maio 2010 | 10h59

RECIFE – Havia entrevistado Cacá Diegues quando surgiu o anúncio de que  ‘Cinco Vezes Favela’, que ele produz, está indo a Cannes, para uma séance speciale no palais. A entrevista não saiu há pouco mais de uma semana, mas virou capa do ‘Caderno 2’ de amanhã e eu voltei a falar com Cacá para aumentar o texto, lembrando suas muitas vezes na Croisette. Desde que ‘Ganga Zumba’ passou na Semana da Crítica, em 1964, ele voltou muitas vezes na Quinzena dos Realizadores e na competição, além de haver sido jurado em 1981, no ano em que ‘O Homem de Ferro’, de Andrzej Wajda, ganhou a Palma de Ouro. Teria de checar, mas nem Glauber foi tantas vezes a Cannes participando da seleção, embora tenha sido mais premiado – prêmio de direção, por ‘O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro’, e a Palma do curta por ‘Di’. Foi uma conversa interessante e elucidativa. Muita gente achou paradoxal que Evaldo Mocarzel tenha mostrado aqui no Recife seu documentário ‘Cinema de Guerrilha’ justamente na mesma noite em que a Globo Filmes foi homenageada pelo sucesso de seus filmes (entre os quais se incluem alguns fracassos, mas ninguém lembra. Um deles, o maior?, é um dos melhores filmes produzidos pela imprensa, e isso sim é paradoxo – ‘A Máquina’, de João Falcão). O curioso é que Cacá me disse que ninguém queria colocar dinheiro no projeto e, se não fossem a Globo Filmes e a Riofilme, ‘Cinco Vezes Favela’ não teria saído. (Eike Batista entrou mais tarde para a finalização e está bancando a ida de dez integrantes da equipe à Croisette, onde o filme passa dia 18.) Para saber o que Gilles Jacob, o poderoso delegué-génerale do Festival de Cannes, disse sobre o filme vocês terão de ler  o ‘Caderno 2’ de amanhã. Não vou furar o jornal. Mas quero deixar registrado o que me disse Cacá sobre ‘Quincas Berro d’Água’, que passa hoje à noite aqui no Recife. Não coloquei no jornal por causa do linguajar, mas Cacá diz que Sérgio Machado resgata os três Ps que marcam a cultura brasileira se constituem numa vertente muito rica do cinema – picardia, putaria e poesia. Cacá, qiue adaptou ‘Tieta’, considera ‘Quincas’ a obra-prima de Jorge Amado e amou o filme. Estou louco para ver ‘Quincas Berro d’Água’. Enquanto escrevo, Paulo José, o próprio Quincas, está aqui no meu lado, checando seus e-mails na sala de imprensa. Não vou perturbá-lo, mas vocês acreditam que eu nunca – nunca! – falei com ele nestes anos todos de cinema?

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