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Luiz Carlos Merten

04 Dezembro 2006 | 19h03

Dia 6 de janeiro completa-se um ano (um ano!) de 2046 em cartaz no Belas Artes, o que significa que o filme com Tony Leung, Maggie Cheung, Gong Li e Zhang Ziyi poderia ser rebatizado como 2047. Não é visceral como Felizes Juntos nem sedutor como Amor à Flor da Pele, mas tem a marca do Wong Kar-wai, que é um autor a quem admiro muito. Uma das características do cinema dito moderno é a elipse, que os grandes diretores gostam de usar, até como forma des desmontar a narrativa clássica. Nenhum diretor é mais elíptico do que Kar-wai. Sempre me impressionei muito com o que ele me disse em Cannes, quando o entrevistei por Felizes Juntos e, depois, por Amor à Flor da Pele, que tem aquela cena extraordinária da Maggie Cheung avançando pelo corredor, ao som de Nat King Cole. A imagem emblemática forneceu o cartaz do Festival de Cannes deste ano, no qual Kar-wai presidiu o júri e, para espanto de meio mundo, outorgou a Palma de Ouro a um diretor nos antípodas do estilo dele – o realista Ken Loach. Pois André Sturm, da distribuidora Pandora (e do Belas Artes), vai substituir 2046, quando estiver completando 365 dias em cartaz, por outro filme de Wong Kar-wai, na verdade, o segundo que ele dirigiu e que se chama Dias Selvagens, de 1991. Antes disso, Dias Selvagens integra o último Noitão do ano do Belas Artes, nesta sexta-feira. Sob o título Expresso do Oriente, Sturm reuniu três filmes – Dias Selvagens, Tóquio Porrada (Tokyo Fist), de Shin’ya Tsukamoto, e o terceiro, o surpresa, que eu sei qual é, mas não vou dizer, embora ache que deva agradar bastante ao público que curte as novidades que vem da Ásia.

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