Tobias Greenhalgh faz recital com cantores brasileiros em São Paulo

Tobias Greenhalgh faz recital com cantores brasileiros em São Paulo

Barítono americano se apresenta no Teatro Sérgio Cardoso, marcando a fusão do Teatro Lírico de Equipe com a Cia. Ópera São Paulo

João Luiz Sampaio

10 Agosto 2017 | 17h10

O barítono norte-americano Tobias Grenhalgh faz nesta sexta, dia 11, um recital no Teatro Sérgio Cardoso, ao lado de um time de jovens cantores brasileiros: o tenor Daniel Umbelino, a soprano Jayana Paiva e a mezzo Juliana Taino, com acompanhamento ao piano do maestro André dos Santos.

O repertório tem Verdi, Rossini, Cilea, Puccini. É variado, e não por acaso. Tem sido essa por enquanto a tônica da carreira de Greenhalgh, estrela em ascensão no mundo lírico. Foi finalista do Operalia, concurso de canto de Plácido Domingo, em 2015; integrou o elenco estável do Theater an der Wien, em Viena; ano que vem, faz sua estreia no Festival de Aix-en-Provence em Dido e Enéas, de Purcell.

“Acredito que essa variedade, com Mozart, autores do bel canto, óperas italianas, francesas, inglesas, russas, e mesmo o barroco tem a ver com minha formação na Julliard School, em Nova York. Lá tínhamos especialistas em todos os repertórios à disposição e naturalmente me pareceu interessante aproveitar aquela experiência ao máximo”, ele conta em entrevista ao blog. “Eu fui ficando cada vez mais fascinado com essa diversidade. E, ao ir para Viena, isso só se intensificou.”


Em Viena, ele integrou nas últimas duas temporadas o elenco estável do Theater an der Wien. “Em um elenco estável você é parte de um conjunto, aprende a trabalhar em grupo, e é confrontado com as mais diferentes exigências de repertório. Acho que, no fundo, essa é uma experiência definidora, porque com ela você deixa um pouco da fantasia de ser um cantor de lado e entende o que é ser de fato um profissional.”

Greenhalgh não se considera um especialista. A atenção ao estilo é, claro, fundamental, em especial no período barroco. Mas o fundamental, ele explica, é entender como os diferentes estilos podem dialogar entre si no que diz respeito à formação da personalidade de um artista e de uma voz. Ele, no entanto, tem uma visão clara a respeito de seu futuro como cantor.

“Eu prefiro o caminho da segurança. E nos próximos cinco ou dez anos me vejo às voltas bastante com o repertório do bel canto, que é importante para o cantor, além de bastante divertido”, ele explica. “Mas, quando penso na minha voz, não descarto a ideia de um dia me dedicar aos papeis de Verdi, por exemplo. Mas tem tempo até isso acontecer. E eu não estou com nenhuma pressa.”

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O recital marca o lançamento das atividades de uma nova associação dedicada à ópera. Na verdade, estão se juntando o Teatro Lírico de Equipe, criado em 1962, e a Cia. Ópera São Paulo, que tem desenvolvido trabalho nos últimos 22 anos em São Paulo. “O TLE formou grandes artistas, como Isabel Maresca, Neyde Thomas, passaram por ele os maestros Abel Rocha e Luiz Fernando Malheiro, entre tantos outros. Da mesma forma, a Cia. Ópera São Paulo tem trazido ao Brasil grandes vozes e cantores que, já aposentados, têm orientado jovens brasileiros, como Fiorenza Cossoto, Fedora Barbieri, Luigi Alva ou Katia Ricciarelli. A ideia foi unir forças para continuar esse trabalho”, diz Paulo Ésper, diretor geral da associação.

“Nosso objetivo não é competir com o Teatro São Pedro ou o Municipal, que são os teatros de ópera da cidade, mas seguir ajudando jovens artistas a consolidar as suas carreiras, sobre o palco, além de realizar iniciativas como o Concurso Maria Callas, explica Ésper. Está previsto também este ano um festival, com três atrações: em outubro, uma Traviata, de Verdi, com vencedores do concurso; em novembro, em coprodução com Bea Esteves, a estreia mundial de Tres Sombreros de Copas, de Ricardo Lorca; e, em dezembro, um recital no Instituto Italiano de Cultura da soprano Maria Pia Piscitelli.

 

SERVIÇO

Recital de canto.
Teatro Sérgio Cardoso.
Sexta, dia 11/8, 20h
Mais informações sobre ingressos aqui.