Santa Marcelina Cultura assume o Teatro São Pedro

Santa Marcelina Cultura assume o Teatro São Pedro

Organização social responsável pela gestão da EMESP e do Projeto Guri da capital comandará o teatro até pelo menos o fim do ano, substituindo o Instituto Pensarte; Orquestra Jazz Sinfônica será administrada pela Fundação Padre Anchieta

João Luiz Sampaio

28 Abril 2017 | 17h12

A Santa Marcelina Cultura, organização social atualmente responsável pela gestão da Escola de Música do Estado de São Paulo (EMESP) e do Projeto Guri da capital e da grande São Paulo, vai assumir até o final do ano também o Theatro São Pedro, espaço dedicado à ópera. A Orquestra Jazz Sinfônica, por sua vez, passará a ser administrada pela Fundação Padre Anchieta. As mudanças, noticiadas na tarde de hoje pelo blog, foram confirmadas oficialmente no início da noite pela Secretaria de Estado da Cultura.

A gestão do teatro e da Jazz Sinfônica, assim como a da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, extinta no início do ano, estavam sob responsabilidade do Instituto Pensarte, cujo contrato de gestão com o governo se encerra neste domingo, dia 30 de abril. Um processo de seleção de OSs, realizado em fevereiro, do qual apenas o Pensarte participou, foi suspenso pela justiça por conta de denúncias de favorecimento. Por conta disso, optou-se pela não renovação do contrato com o Pensarte até que um novo edital pudesse ser realizado.

Segundo nota oficial enviada ao Estado pela Secretaria de Estado da Cultura, a decisão teve como objetivo a “continuidade das atividades do Theatro São Pedro, da Academia de Ópera e da Jazz Sinfônica”. Além do teatro e da academia, a Santa Marcelina fica também com o Teatro Caetano de Campos; e a Jazz Sinfônica passa a ter o Teatro Franco Zampari como local de ensaios.


A nota não explica como se dará a transmissão dos contratos de trabalho de uma OS para a outra. Os funcionários do Teatro São Pedro, no entanto, receberam ontem um comunicado segundo o qual eles serão demitidos na terça-feira pelo Instituto Pensarte para, em seguida, terem as demissões canceladas pela Santa Marcelina Cultura, que herdaria os contratos.

Nesse processo, no entanto, não está descartada a possibilidade de cortes de pessoal, o que é considerado provável por artistas ouvidos ontem: além dos cortes já sofridos pelo São Pedro nos últimos anos, que ultrapassam 40% com relação ao orçamento de 2013, está prevista nova redução orçamentária a partir de maio. São dadas como certas, por exemplo, trocas na direção artística. Questionada sobre os valores do contrato de gestão, a secretaria não respondeu.

O Instituto Pensarte assumiu os equipamentos da cultura estadual em 2011. A gestão foi marcada, de um lado, pela consolidação da vocação do Theatro São Pedro como teatro de ópera, com especial atenção ao investimento na Academia de Ópera e no elenco estável formado por jovens cantores. Por outro lado, no entanto, foi durante a gestão do Pensarte que a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo foi extinta, na esteira de uma série de cortes nos repasses realizados pelo governo estadual desde 2014. O Pensarte também foi alvo de denúncias, em março, de irregularidades em alguns contratos do início da gestão. Em resposta, o instituto afirmou na época ter sido “vítima da difamação de um ex-diretor”.

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Post atualizado às 19h50, para incluir nota oficial da Secretaria de Estado da Cultura e detalhes sobre a transferência nos contratos de uma OS para outra

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