No Ipiranga, um novo espaço para a ópera

No Ipiranga, um novo espaço para a ópera

João Luiz Sampaio

24 Novembro 2014 | 09h51

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Pequenos espaços, ocupados por companhias de teatro dedicadas a investigações estéticas que fogem do convencional, são comuns em São Paulo – e não seria exagero dizer que foram responsáveis, nos últimos tempos, por revitalizar a cena teatral da cidade. No mundo da ópera, no entanto, espaços assim não existem. Ou melhor, não existiam. Isso porque, nesta semana, será inaugurado o Espaço Núcleo, que vai abrigar o Núcleo Universitário de Ópera. A companhia está completando 10 anos e, ao longo desse período, já montou vinte produções, entre elas 13 estreias brasileiras de títulos pouco conhecidos, como o Prometheus, de Fauré, ou A Lua, de Carl Orff, além de ter iniciado, recentemente, uma imersão pelo universo barroco. A proposta é trabalhar com jovens artistas, ainda em formação – instrumentistas, cantores, bailarinos, diretores, etc –, dando a eles oportunidade de desenvolver no palco o aprendizado e incorporando, no trabalho, elementos dos grandes teóricos das artes cênicas do século 20: Stanislawsky, Laban, Grotowsky e assim por diante.

É claro que não se trata de comparar o trabalho do NUO com o dos grandes teatros de ópera da cidade ou do Brasil. São propostas – e métodos de trabalho – completamente diferentes. Mas a presença do NUO, agora com uma sede própria que, espera-se, vai permitir uma ampliação em sua atuação, somada a projetos de academias e ópera-estúdios que tem ganho força nos últimos anos na cidade, sugere a possibilidade de um dinamismo ainda maior na formação de cantores líricos. E, no caso do Núcleo, associada a uma proposta estética clara e estimulante. Pode ser mero otimismo incauto de manhã de segunda-feira, mas, com essas iniciativas isoladas, ainda que discretas, quem sabe um novo capítulo na formação de artistas esteja nascendo por aqui…

Seja como for, você pode ler aqui a matéria sobre o novo espaço do NUO, publicada hoje no Caderno 2, em que eles contam a aventura de se construir um teatro com recursos próprios.