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Quem Faz

JOÃO LUIZ SAMPAIO é jornalista e crítico musical, autor de "Ópera à Brasileira", "Antônio Meneses: Arquitetura da Emoção" e "Guiomar Novas do Brasil", entre outros livros; foi editor - assistente dos suplementos "Cultura" e "Sabático" e do "Caderno 2"
quarta-feira 30/09/09 16:13

Diário de viagem (2)

cartaznova

A primeira sensação em Viena foi de muito estranhamento. Acho que na minha cabeça a cidade seria ainda como no século 19, as ruas elegantes, as charretes estacionando frente à Staatsoper, Mahler chegando para mais um ensaio com os músicos... Mas Viena é uma enorme metrópole. E nesse sentido mantém de alguma forma a ligação com o passado, com a importância que já teve no cenário artístico universal. É só pensar na passagem do ...

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terça-feira 29/09/09 18:28

Três duetos

Chamem de fetiche, tara, obsessão... mas quem me conhece bem sabe da minha relação com o Don Carlo, de Verdi. Não vou dizer que é a minha ópera preferida, porque tem um ou outro título do Wagner – e, vá lá, do próprio Verdi – que pode ficar com ciúmes. Mas as gravações do Don Carlo vão sendo empilhadas em casa e o monte não para de crescer. A última é uma gravada no Scala, com Gabriele Santini à frente ...

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terça-feira 29/09/09 16:23

Para lembrar Alfredo Colósimo

[kml_flashembed movie="http://www.youtube.com/v/0qz4gxE5l9g" width="425" height="344" wmode="transparent" /] Recebi no começo da semana passada a notícia da morte do tenor brasileiro Alfredo Colósimo. Ele estava com 86 anos. Foi um dos grandes cantores líricos do país nos anos 50, 60 e 70. Além do grande repertório italiano, que interpretou em especial no Municipal do Rio, incluindo aí algumas turnês da companhia pela América Latina, participou de momentos históricos, como as estréias de "Izhat", de Villa-Lobos, "O Contratador de Diamantes", de Mignone, e "A ...

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terça-feira 29/09/09 14:09

Diário de viagem (1)

lafenice

É verdade que o teatro não é mais exatamente o mesmo – um incêndio derrubou boa parte do Teatro La Fenice nos anos 90 e o que temos hoje é a réplica do original. Mas… faz diferença? Nenhuma. A história de um prédio é naturalmente também a história de sua ocupação. E estar ali, na frente do La Fenice, é encostar de pertinho em lances decisivos da história da ópera. Cheguei desavisado. Um dia antes, em Milão, havia visitado o Scala de Milão. A temporada ainda estava parada, mas deu para conhecer a sala e os bastidores do teatro. A cabeça fica tentando lembrar todos os nomes que passaram por ali, os compositores, as óperas estreadas, os maestros, os cantores, mas dá pau no sistema e não tem como acessar todos os arquivos. Então a gente fica meio anestesiado. Até que, passeando pelo museu, vai reencontrando os nomes, as histórias, as lendas, os mitos. No La Fenice, fui procurando sensação semelhante. Demorei para encontrá-lo no labirinto que é a cidade. E quando dei de cara com o prédio, ali encravado no meio da ilha, a primeira imagem foi a do cartaz na porta: “La Traviata”. Será que tem récita? Tinha, com um elenco que eu não conhecia e regência de Myung Whun Chung. Comprei o ingresso na hora. E só depois fui lembrar que o último trem de volta para Milão, onde estava hospedado em casa de amigos, era às oito da noite. Paciência. O mais importante, naquele momento, era o ingresso na mão.

Uma das entradas do Teatro La Fenice/Reprodução

A “Traviata” estreou no La Fenice e as palavras não dão bem conta da sensação de poder assistir a uma produção ali, no mesmo auditório. Curioso, no entanto, é que Veneza para mim, desde que o trem deixou a terra e a água se espalhou pelos dois lados, o que me invadiu a mente foi o terceiro ato do “Tristão e Isolda”. Há, claro, o balanço pesado e vagaroso das ondas na partitura de Wagner, a associação é imediata. Wagner morreu em Veneza. Mas não é só isso. Há algo de mágico – uma magia densa, nebulosa, ocre – na cidade. E também no recanto onírico em que Tristão delira e, à beira da morte, imagina o retorno de Isolda. Essa alternância entre real e imaginário, entre ilusão e vida, morte e delírio, perpassa toda a música daquele último ato. E de alguma forma, ao menos na minha cabeça, também seguiu cada viela, cada caminho de Veneza, em seus recantos mais escuros e nas multidões luminosas. Na madrugada deserta, a companhia foi o solo do corno inglês, emulando o movimento das águas. E, no amanhecer, o fluxo da mente.

Sentei sobre o fosso, via o palco de lado, e o regente de frente. Por onde começar? O som da orquestra do La Fenice é impressionante. Esses músicos são alfabetizados no idioma da ópera, cada nota, cada frase, cada inflexão, tudo respira teatro – e há momentos em que a Traviata ressurge fresquinha no ouvido. E Chung é um espetáculo à parte, regendo sem partitura, com elegância e economia de gestos, comunicando-se à vontade com a orquestra. Não guardei o nome dos cantores e precisei agora recorrer à internet (Gianluca Terranova, tenor; Giovanni Meoni, barítono). Nada de muito especial, é preciso reconhecer. Corretos, com um ou outro maneirismo chato, mas corretos. A produção é de Robert Carsen, moderna, Violeta como uma prostituta viciada em drogas, tão envolvida com o dinheiro quanto com o amor. Mas o gênio é Verdi – que essa música continue tocando a gente desta forma tão espontânea, é incrível.

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segunda-feira 28/09/09 16:29

Voltei

Passou rápido demais, pelo menos para mim. Mas, fazer o quê? Estou de volta. E temos muitos assuntos pendentes. Osesp e nova temporada (quando vem?), ópera do Villa-Lobos em Belo Horizonte, Nathalie Stutzmann na Sala São Paulo... Além, claro, de algumas experiências que tive durante as férias, perdido pela Europa, uma "Traviata" em Veneza, um "Wozzeck" em Paris, "Carmen" em Praga... Tenham paciência, aos poucos vou me atualizando e tomando pé das coisas.

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