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Diretor Ivan Cardoso, de ‘As Sete Vampiras’, aprova Sessão Cinetério

Flavia Guerra

13 Setembro 2014 | 00h18

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 Os fãs do cinema de terror têm uma ótima oportunidade para conferir três clássicos brasileiros do gênero em um cenário inusitado: o Cemitério da Consolação.  Hoje, na mostra Cinetério Especial, que ocorre a partir das 23 horas, uma plateia de 250 pessoas vai poder ver o longa em película 35 mm, em uma tela montada em um dos corredores do cemitério.

O filme que abre a noite é As Sete Vampiras, do mestre do terrir Ivan Cardoso. Sobre a sessão especial, o sempre polêmico e bem humorado diretor conversou com esta blogueira. Confira a entrevista:

 

Já exibiram um filme seu em algum cemitério? 

Felizmente, os meus filmes passam com grande sucesso, em festivais, cinemas & televisões do mundo inteiro. na própria internet, no youtube, eu tenho um canal personalizado o “Draculas Club”, onde vocês podem assistir, quase toda a minha obra, mas em cemitério esta é a primeira vez que algum filme meu entra em cartaz.

Como é pensar em As Sete Vampiras sendo exibido em um cemitério como o da Consolação, um dos mais tradicionais de São Paulo, onde estão enterradas figuras como Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Marquesa de Santos?

Acho legal essa iniciativa de passarem “As Sete Vampiras” no Consolação porque o cemitério é o habitat natural dos mortos vivos…. Eu mesmo nunca escondi que gosto muito de passear em cemitérios p0r causa do gênero cinematográfico  a qual me dedico e  para fotografar os túmulos, a última morada desses artistas famosos que tanto nos fascinam. Eu já filmei em quase todos os cemitérios do Rio, onde eu moro e já fotografei sepulturas que eu poderia chamar de figurinhas carimbadas no mundo inteiro, como a lápide de Ezra Pound, na Ilha dos Mortos, em Veneza; o túmulo Egípcio de Oscar Wilde, no no Père-Lachaise, em Paris; e o Mojica, o Zé do Caixão, na antológica sepultura da Carmem Miranda, no São João Batista! Mas, curiosamente, nunca entrei, nunca pisei num cemitério na Pauliceia Desvairada.

Houve críticas de alguns parentes de pessoas que foram enterradas no cemitério sobre a ideia de usar o espaço para a exibição de filmes. O que você acha disso?

Quem poderia responder melhor essa pergunta é a dona Marta Suplicy que,  embora seja uma ‘Matarazzo paraguaia’,  é herdeira do maior mausoléu da América do Sul, com mais de 150 metros quadrados, que fica justamente neste cemitério… Agora, eu achei essa iniciativa muito corajosa, nunca colocaram o dedo tão fundo na ferida chamada cinema brasileiro. Colocaram o cinema nacional, em seu devido lugar, no lugar dos defuntos… aliás, como uma indústria cinematográfica que é controlada com mão de ferro, há mais de 50 anos, pelos mesmos coronéis nordestinos, hoje na terceira idade, com mais de 80 anos, nos mesmos moldes da política brasileira, poderia sobreviver?