Vivemos na Era da Fragilidade

Felipe Machado

07 Abril 2011 | 20h14

A atriz Kerri Russell é tão bonita que eu gostaria de conhecê-la, mesmo se fosse para ter um relacionamento… frágil. Foto: Evan Agostini/AP Photo

Não é de hoje que as pessoas tentam classificar os tempos em que vivem. Era de Ouro, Era de Aquário, Era sei-lá-do-quê. As épocas são compostas por várias características, mas alguma sempre salta aos olhos de quem se dispõe a analisá-las.

Eu acredito que vivemos na Era da Fragilidade.


Essa fragilidade certamente não é dos governos ou das instituições oficiais, embora muitas delas tenham solidez de uma geleia. Esta é a Era da Fragilidade das relações.

Não é à toa que redes sociais como Facebook e Twitter sejam tão populares. É mais confortável trocar ideias virtuais do que reais, já que pela internet só nos relacionamos com quem pensa igual à gente. E, se por acaso alguém ousar discordar, basta desligar o computador.

Isso não é uma crítica às redes sociais – seria como atirar no mensageiro –, que são apenas o reflexo dessa fragilidade das relações. É uma crítica a nós mesmos, que deixamos a correria alucinada do mundo ditar o ritmo de nossas vidas. Ninguém tem mais paciência para nada, ninguém tem tempo para perder com nada: nem com o que é importante.

Importante? Existe algo importante hoje em dia? Algo que consiga atrair nossa atenção por mais de dez minutos, sem que a gente dê uma olhadinha de leve para ver se chegou alguma mensagem pelo celular? E existe alguém que nunca falou no celular enquanto dirigia? “Ah, mas era urgente”. Claro que sim. Tudo é urgente – até as coisas que não são urgentes.

Nossas relações são frágeis até no nível mais íntimo, como prova uma historinha que ouvi de um amigo. Ele conheceu uma garota, a convidou para jantar. Restaurante chique, tudo muito bem. A conversa estava ótima, muitos interesses e amigos em comum. Até que ele, em um momento descontraído, fez um comentário X sobre um assunto qualquer. Nada de mais, mas ela não gostou.

Foi o suficiente para estragar a noite. E um futuro que poderia estar começando desapareceu em cinco ou seis palavras. Tudo o que veio antes foi jogado fora junto com as sobras dos pratos.

Uma simples frase apagou a ótima conversa, os interesses e amigos em comum. Simples assim. Por quê? Porque não há tempo para uma segunda chance. Como é que uma relação vai nascer se não dermos espaço para isso acontecer? Se a ligação entre duas pessoas não sobrevive a uma simples frase, como pode virar algo a mais?
Deixa-se de amar por nada. Mata-se por nada. Vive-se para nada. Por que tanta ansiedade? Quem disse que o que virá depois é melhor do que o que está aqui? O importante é aproveitar o momento. Afinal, entre o ‘antes’ e o ‘depois’, a única coisa verdadeiramente real é o ‘agora’.