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05 Junho 2008 | 16h45

Paris e eu

Paris e eu, nos velhos tempos de solteiro

Surgiu outro dia por aqui uma discussão engraçada entre garotas bem-nascidas e gente que falava mal de uma exposição só porque a galeria ficava na Oscar Freire. Os críticos alegavam que um reduto de Patricinhas não poderia abrigar uma mostra de arte de qualidade.

Não entendi bem o que uma coisa tinha a ver com a outra, mas aproveito a oportunidade para deixar claro que não tenho nada contra exposições de arte em bairros chiques – e muito menos contra Patricinhas.

Pelo contrário, aliás. Confesso que tenho mesmo uma queda por mulheres sofisticadas, bonitas e bem vestidas. Se isso é um pecado capitalista, então eu sou um capitalista pecador. Embora a atitude de alguns brasileiros endinheirados prove o contrário, acho que uma pessoa pode ser rica e culta ao mesmo tempo, sim. E, ao contrário do que alguns pensam, uma mulher pode ser extremamente vaidosa e… saber ler.

Se alguém disser o contrário é puro preconceito. Uma Patricinha descolada, por exemplo, pode muito bem passar suas cinco horas diárias no cabeleireiro lendo Dostoievski numa boa. E quem disse que ela não pode passar a manhã na academia ouvindo Beethoven no iPod? Isso é má vontade com as pobres (ricas) coitadinhas. Se o diabo veste Prada, por que elas não podem ler Dante?

Como todo mundo, claro, também tenho minhas críticas à postura de algumas Patricinhas. Acho a Paris Hilton, por exemplo, uma bela sonsa. E quase morri de raiva quando fui na Daslu e vi alguns livros à venda – livros “grossos e bonitos” expostos na área de decoração, o que significa que as donas e clientes da loja devem pensar que livros são objetos que servem apenas para decorar mesinhas de centro.

Apesar disso, tenho que ser honesto: supondo que as duas são inteligentes, entre uma mulher linda, cheirosa e chique, e uma mulher feia, desleixada e malvestida, me desculpe, mas fico com a primeira opção. Não sou daqueles que confundem estilo de vida com ideologia, até porque hoje em dia ideologia só existe na letra daquela velha música do Cazuza. Viver bem ainda é a melhor vingança – principalmente quando você pode morar numa cobertura na Oscar Freire.

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