Uma noite de núpcias na praia

Estadão

28 Junho 2007 | 11h59

napraia

Ler algum texto do escritor Ian McEwan evoca, em mim, um sentimento especial. Ao lado de José Saramago, ele é hoje o meu escritor preferido. Arrisco até a dizer que seu Nobel de Literatura não está muito longe: lembre-se disso quando ouvir o nome do escritor britânico anunciado pela Academia Sueca nos próximos anos. McEwan, Philip Roth e J.M. Coetzee são os maiores escritores vivos em língua inglesa.

Enfim, comemoro quando sai um novo livro de Ian (olha a intimidade). Depois das obras-primas ‘Reparação’ e ‘Sábado’, chega às livrarias ‘Na Praia’ (Cia. das Letras, 136 pág., R$ 33). Confesso que nem aguentei esperar o lançamento: li a prova no primeiro sábado depois que a editora me enviou. Sentei no sofá e li o livro inteiro, de uma vez só, parando apenas para comer.

‘Na Praia’ conta a história de Edward e Florence, dois jovens ingleses recém-casados e prestes a perder a virginidade na noite de núpcias. O livro inteiro detalha este momento mágico na vida de duas pessoas, com flashbacks para o dia em que se conheceram, etc. Ian McEwan tem 59 anos, mas recria com um talento incrível a sensação de ser jovem, as inseguranças, os medos, as certezas. Ele já tinha feito isso na pele de uma menina em ‘Reparação’; essa é só uma das razões de ele estar aqui na seção ‘Eu Queria Ser Esse Cara’. Algum dia vou escrever assim, se Deus quiser (e eu me esforçar muito).

Essa noite de núpcias do jovem casal na praia de Chesil (uma praia cheia de pedras; se fosse no Brasil tudo seria diferente) acaba saindo diferente do que eles planejavam (não vou contar aqui, claro) e dá início a um episódio que expõe o comportamento humano de maneira emocionante e dramática. Por meio das palavras, o cérebro pode travar uma batalha irreversível contra o coração. E aí todos os lados saem perdendo.