Tenho orgulho de ser fã do Iron Maiden

Felipe Machado

28 Março 2011 | 11h24

Iron Maiden detona o Estádio do Morumbi, em imagens de J.F. Diório

Não foi meu primeiro show do Iron Maiden e, se tudo der certo (e o Eddie permitir), não será o último. Mas todo show do Iron Maiden é especial, não apenas porque é uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, mas porque é uma verdadeira viagem para ‘somewhere in time’.

A noite de sábado começou cedo e com um encontro bastante inusitado. Um evento organizado pela gravadora EMI levou alguns (sortudos) jornalistas para um tempo e se divertir no Rod’s Room. O camarim do empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, é um espaço onde ele e a banda recebem informalmente amigos, patrocinadores e alguns fãs. Em meio a cervejas e caipirinhas, é uma verdadeira festinha pré-show. E adivinha quem era um dos convidados? Sim, ele, o Iron Maiden em pessoa: Steve Harris. O baixista e líder da banda bateu papo e tirou fotos com a galera, entre eles o pessoal do WikiMetal, programa em podcast na internet que está se tornando febre entre os headbangers. Um dos editores, Daniel Dystyler, veio conversar comigo para saber qual é minha música favorita do Maiden. Tive que citar duas, uma com cada vocalista: ‘Phantom of the Opera’, com Paul Dianno, e ‘Hallowed be Thy Name’, com Bruce Dickinson.


Um show do Iron Maiden é uma viagem para ‘somewhere in time’ porque me leva de volta à minha adolescência, quando eu idolatrava a banda (hoje eu apenas amo). Quando formamos o Viper, queríamos deliberadamente ‘ser’ o Iron Maiden. Eu, pessoalmente, queria ser o guitarrista Adrian Smith: ele era cool, meio quietão, tinha guitarras incríveis e fazia solos memoráveis. A gente sempre quer ser alguém na adolescência, não é fácil descobrir que isso nunca vai acontecer.

Encontrar amigos de infância no show reforça essa viagem ao passado. Ser fã do Iron Maiden é fazer parte de uma família diferente, por exemplo, de quem é fã do Metallica ou do Slayer, outras bandas importantes de heavy metal. As canções do Iron Maiden são mais dramáticas, mais épicas, mais próximas da sonoridade das bandas dos anos 70. Elas são mais especiais, porque funcionam bem até quando tocadas no violão. Tente tocar uma música do Slayer no violão e você vai entender o que estou falando.

Rod Smallwood apareceu finalmente em sua própria festa para dar um abraço na galera, e o baterista Nicko McBrain passou correndo porque estava atrasado para fazer seu aquecimento (Nicko tem uma bateria no camarim para aquecer os músculos antes do show – faz sentido, já que o cara tem quase 60 anos e tem que tocar heavy metal durante duas horas). De perto, o nariz de Nicko é ainda mais parecido com o de um ex-boxeador. E ainda bem que ele trocou de roupa e não tocou no show com aquela camisa-de-turista-inglês-no-Caribe. Os 55 mil metalheads achariam graça.

Infelizmente, o horário me fez perder o show do Cavalera Conspiracy, que eu estava curioso para ver. Deu para ouvir de longe que a banda lembra muito o Sepultura do começo da carreira, com músicas rápidas e com vocal gutural. Para saber mais sobre a banda, veja aqui a entrevista da TV Estadão feita pelos headbangers Gabriela Valente, Bruno Salvagno e Anderson Bellini:

Devidamente calibrados e prontos para o show, o Rod’s Room foi esvaziado e fomos todos para a plateia. O Iron Maiden entraria em campo, quer dizer, no palco (confundi um pouco porque o baixista-boleiro Steve Harris estava de bermuda).

As luzes se apagam. ‘Doctor Doctor’, clássico da banda UFO, explode nas caixas de som, como no show de 2009, anunciando que está tudo pronto. A longa intro de ‘Satellite 15… The Final Frontier’ começa nos telões, um pouco anticlimática, mas tudo bem. Até que nada, eu repito, nada, supera a entrada do Iron Maiden em um palco. Steve Harris correndo, Dave Murray e Adrian Smith sérios e compenetrados detonando nos riffs, Nicko McBrain fazendo caretas, Janick Gers exagerando nas suas macaquices e Bruce Dickinson pulando como um louco. “Scream for me, São Paulo!”, grita Bruce. O Iron Maiden está no palco.

O disco novo da banda, ‘The Final Frontier’, é legal. Não é tão bom quanto os discos até ‘Seventh Son of the Seventh Son’, o último que eu realmente acompanhei como fã. Mas é um disco bom, muito melhor que o de 99% das bandas atuais de heavy metal. Depois de ‘Satellite 15’, a banda emenda em outra nova, ‘El Dorado’. Dizem que é uma homenagem à Rádio Eldorado, mas não consegui confirmar a informação.

Lá pelas 10 da noite, ou seja, duas horas adiantada, a banda começa ‘2 Minutes to Midnight’ e o Morumbi quase vem abaixo. Sensacional. Depois disso veio uma sequência que eu não conhecia muito bem, ‘The Talisman’, ‘Coming Home’ e ‘Dance of Death’, canções de discos mais recentes. É duro ser velho e querer ouvir só as antigas, mas é assim que eu sou. Só fui ficar realmente em êxtase com a incrível ‘The Trooper’, até hoje uma das melhores músicas de heavy metal da história. E o que é aquele refrão? ‘Ô ô ô ô ô ô ô ô ô…’ Um estádio inteiro cantando um hino de guerra, uma ode a Inglaterra e aos soldados ingleses. Me deu saudades do show de 2009, quando a banda entrou ao som do discurso de Winston Churchill emendado em ‘Aces High’. Mas estamos em 2011, vamos seguindo em frente.

Mais novas: ‘The Wicker Man’, ‘Blood Brothers’ e ‘When the Wild Wind Blows’. Não conheço nenhuma delas, boa hora para pegar mais cerveja. Ouço Bruce falando sobre Egito e a ‘primavera árabe’ no norte da África e Oriente Médio. Iron Maiden sempre foi cultura. Eu, por exemplo, aprendi que Alexandre, o Grande, era filho de Filipe da Macedônia graças à canção ‘Alexander The Great’. Bruce também falou do tsunami/terremoto no Japão, até porque eles quase sofreram na própria pele: o Iron Maiden a dez minutos de pousar em Tóquio quando foram avisados da catástrofe. Mudaram a rota e conseguiram pousar em Nagoya, mas alguns shows tiveram que ser cancelados.

‘The Evil That Men Do’ é boa, mas não está na minha lista de ‘best of’. Nem ‘Fear of the Dark’, que o público adora. Eu acho apenas OK. O show termina, pelo menos por enquanto, com ‘Iron Maiden’. Depois de Eddie passear pelo palco, sua cabeça surge enorme, parecendo um vampiro, com os dentinhos de fora e tal. Nossa, o Eddie está parecendo o Predador…


O Eddie está parecendo o Predador. Para os mais velhos, o Eddie está parecendo o ‘Capi, Capiva… Capivara’, mascote do programa Clip Trip, do Mister Sam

A banda sai, finge que foi embora… e volta para a melhor parte do show. ‘Woe to you, oh Earth and Sea…’ 666, ‘The Number of the Beast’! Quem acha que o Iron Maiden é satanista não tem um pingo de humor (negro). ‘Hallowed be Thy Name’, inesquecível como sempre, e outro hino, desta vez da liberdade: ‘Running Free’. Bruce deveria ter dedicado esta canção ao povo árabe que luta para depor seus ditadores criminosos.
Fim do show, nostalgia e ressaca começam a surgir imediatamente. Mais um show do Iron Maiden, mais lembranças que ficarão para sempre. E que vão renascer, ‘somewhere in time’, na cabeça de um eterno headbanger. Tenho orgulho de ser fã do Iron Maiden.

PS. O Iron Maiden faria show no domingo, no Rio de Janeiro. Mas, por um problema de segurança, o show foi adiado para hoje (segunda-feira, 28 de março). A seguir, a nota oficial da gravadora EMI: IRON MAIDEN – RIO DE JANEIRO

O show do Iron Maiden na HSBC arena que aconteceria neste domingo, dia 27, foi adiado para hoje, segunda-feira, dia 28 de março, às 21:00 hs por problemas técnicos com a montagem da barricada em frente ao palco.
Essa decisão foi tomada em conjunto pelo staff da banda e pela HSBC Arena por ser prioridade de ambos a segurança dos fãs.
A banda irá permanecer no Rio de Janeiro mais um dia para poder realizar o show e não deixar de fora o Rio de Janeiro nesta parte da turnê.
Todos os fãs poderão entrar no show de segunda-feira com os mesmos comprovantes dos tickets do show de hoje.
Os que não puderem comparecer ao show de hoje poderão solicitar o reembolso a partir do dia 4 de abril:
Os que compraram ingressos na bilheteria da Arena e nos demais pontos de venda deverão se dirigir à bilheteria com os comprovantes dos tickets a partir do dia 4 de abril para o reembolso.
Os que compraram ingressos através do Call Center e da Internet, deverão entrar em contato com sac@livepass.com.br ou pelo telefone 4003.1527, munidos dos comprovantes dos tickets, também a partir do dia 4 de abril, para a solicitação do reembolso.
A banda naturalmente está consternada pelos fãs que não poderão retornar hoje e promete um grande show para os que puderem comparecer.
HSBC Arena e a banda agradecem aos incríveis fãs por entenderem a dificuldade da situação e por sua colaboração. O Iron Maiden está ansioso para fazer um grande show!
Para mais informações sobre Iron Maiden, visite:

www.ironmaiden.com
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