Nossa, mas que coincidência

Estadão

17 Agosto 2008 | 16h47

Fernanda Machado

Fernanda Machado: Meu irmão se chama Fernando Machado, olha só que coincidência. Acho que vou ligar para ela pra contar

Por mais que a gente planeje a vida, é bom ter uma certa humildade e admitir: o mundo é feito de coincidências. Entre algumas das mais impressionantes, gosto de lembrar que minha mãe e meu pai se casaram na mesma igreja… e no mesmo dia. E eu e minha mulher também, veja só que coisa mais incrível.

Piadinhas à parte, vejo as coincidências como uma arma do destino para forçar a gente a tomar decisões. É claro que o que devemos fazer está sempre na nossa cara, mas as coincidências funcionam como, sei lá, um empurrãozinho. Se não for assim, como explicar aquele cara que encontra no trânsito a garota por quem era apaixonado desde os tempos da escola?

Isso se torna um fato tão importante na vida dele que não pode ter acontecido totalmente por acaso. Tem que haver alguma lógica nesse processo – só que eu não faço a menor idéia qual seja.

As coincidências parecem ainda mais bizarras quando a gente decide fazer alguma coisa diante de opções praticamente infinitas. Com tantos restaurantes em São Paulo, por que você tem que escolher justo aquele onde sua ex-mulher está jantando com o namorado novo? E que força estranha e poderosa é essa que obriga você a encontrar aquela vizinha maravilhosa no elevador bem no único dia em que você resolveu descer rapidinho de pijama para pegar o jornal? Talvez seja a mesma sádica entidade sobrenatural que leva o seu chefe a entrar com a esposa no barzinho da sua turma quando você está bêbado, com a gravata amarrada na cabeça e fazendo um strip-tease em cima da mesa.

Há um culpado disso tudo, sim, e ele se chama livre arbítrio. Temos que fazer escolhas, e essas escolhas definem o que acontece na nossa vida. Há milhares de caminhos na nossa frente, mas infelizmente só podemos seguir um deles. E se esse caminho nos joga em uma situação que parece aleatória, bem… o mais provável é que ela seja aleatória mesmo.

Também há a opção de colocar a culpa em alguém lá em cima. É mais fácil. Mas não seria mais justo admitir que tudo o que vivemos é nossa própria responsabilidade, para o bem e para o mal? O resto é coincidência.

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