Juliette & Dave

Estadão

26 Outubro 2007 | 12h03

juli

Dois discos bem legais não saem do meu carro nos últimos dias: ‘You’re Speaking my Language’, de Juliette Lewis & The Licks’, e ‘Hourglass’, de Dave Gahan.

Os dois têm características, digamos, diferentes: o disco de Juliette é de 2005 mas só agora saiu no Brasil; o de Dave acaba de sair lá fora e chega aqui no dia 1º de novembro.

Todo mundo sabe quem é Juliette, não é? Aquela atriz que fez ‘Cabo do Medo’ e ‘Assassinos por Natureza’, etc., tocou recentemente com sua banda na festa da MTV e faz show aqui em São Paulo nesse domingo, no TIM Festival. Pois bem, ‘You’re Speaking’ é o primeiro disco dela (‘Four on the Floor’, o mais recente, também já saiu aqui) e traz uma sonoridade bastante interessante. Ao contrário do disco novo (que é mais moderninho, meio raver), o som desta estréia é um rock and roll cru, com vocais rasgados e guitarras-pesadas-estilo-anos-80. Também tem uma levada dançante, que lembra o Blondie dos velhos tempos.

Como cantora, Juliette vai muito bem, obrigado. Ela não é perfeita no quesito afinação (ela não chega em algumas notas às vezes, mas e daí?), mas seu timbre de voz é rouco e bonitinho, parece uma voz que a gente já conhece – talvez por causa dos filmes. Juliette seria uma mistura atual de Debbie Harry (do Blondie) e Patti Smith. Além disso, Juliette é linda e qualquer mulher bonita fica sempre mais talentosa do que se fosse feia.

(Calma, isso é brincadeira.)

Dave Gahan é o vocalista do Depeche Mode, uma das minhas bandas favoritas. Se você assistir ao DVD do show do Depeche em Paris, tenho certeza que vai concordar comigo. ‘Hourglass’ é quase um disco do ‘Depeche’: elegante, eletrônico de bom gosto e com muita emoção. Os destaques são ‘Saw Something’, uma balada meio arrastada com solo de guitarra do John Frusciante (Red Hot Chili Peppers), ‘Miracles’ (letra ótima: ‘I don’t believe in miracles and they happen everyday; I don’t believe in Jesus, but I pray anyway – Eu não acredito em milagres e eles acontecem todo dia; eu não acredito em Jesus, mas rezo mesmo assim) e a sensacional ‘Little Lie’. A letra é boa, o ritmo é legal, e Dave Gahan arrasa com sua voz grossa de rebelde infeliz e melancólico. Dá, no entanto, para sentir uma ponta de esperança na voz dele… nah, acho que é só impressão minha .

O encarte do disco é uma obra de arte à parte, bem naquele estilo ‘Anton Corbijn’ de design. Anton Corbijn, aliás, dirigiu vários clipes do Depeche Mode, inclusive ‘Enjoy the Silence’, aquele em que o Dave Gahan anda pelo mundo vestido de reizinho. Corbijn também é o diretor de ‘Control’, cinebiografia do Joy Division que está na Mostra de Cinema de São Paulo… mas isso fica para um outro post porque sou muito fã do Anton e acho que ele merece um posts só pra ele.

dave