Show do Iron Maiden: Excelente, apesar de Interlagos

Estadão

16 Março 2009 | 11h47

J.F. Diório/AE

Atenção produtores de shows: NUNCA mais organizem nenhum evento no Autódromo de Interlagos. Sério. Ontem, no show do Iron Maiden, por pouquíssimo não ocorreu uma tragédia: achar que uma única saída é suficiente para 63 mil pessoas é de uma irresponsabilidade total. O Autódromo em si também é horrível. A platéia fica em um terreno completamente irregular, o acesso de carro até o local é simplesmente péssimo. Não sei como ainda não foi criada uma rota de trânsito alternativa para se chegar a Interlagos, inclusive para os eventos de automobilismo. Não sei como uma cidade como São Paulo não tem um lugar decente para um show deste porte. E eu nem estou falando da lama: tinha gente que pagou R$ 350 por um ingresso de ‘pista premium’ e ficou afundada em barro até as canelas. Tudo bem, isso acontece até nos festivais da Europa. O atraso de uma hora também não incomodou. Mas a questão da saída em funil foi realmente perigoso, se alguém passasse mal ali…

Bom, mas agora vamos ao que interessa: o show do Iron Maiden. Sensacional, como sempre, mas ontem foi ainda melhor. A gente está acostumado a ver bandas dizendo ‘nós amamos o Brasil, nós voltaremos’, mas o máximo que eles fazem é incluir Rio e São Paulo na turnê do ano seguinte. O Iron Maiden provou que tem respeito pelos fãs: como não puderam trazer toda a estrutura de palco e efeitos especiais para o show de março do ano passado, prometeram voltar rapidamente com o show completo. Dito e feito. É muito raro uma banda tocar duas vezes na América do Sul… na mesma turnê! Eles não só voltaram apenas um ano depois (o que é muito rápido, se você imaginar a loucura que é a agenda de uma megaturnê mundial como a ‘Somewhere Back in Time 2008-09’), como acrescentaram cidades que nunca estão nas agendas dos produtores, como Manaus e Recife (além de Rio, São Paulo, Brasilia e Belo Horizonte). E com tudo a que os fãs brasileiros tinham direito, como o show pirotécnico, o palco do Powerslave com o Eddie-múmia, o Eddie futurista do Somewhere in Time…

O show, como os fãs já sabiam, era inspirado nos discos ‘Peace of Mind’ e ‘Powerslave’, com algumas canções extras tiradas de outros discos. Então, é claro que o show começou com o discurso de Winston Churchill e, na sequência, a maravilhosa ‘Aces High’. Daí vieram ‘Wrathchild’, ‘Two Minutes to Midnight’ e ‘Phantom of the Opera’, uma das minhas favoritas.


(Parênteses: Em 2007, quando o primeiro vocalista do Iron Maiden, Paul Dianno, anunciou que faria uma turnê pelo Brasil tocando repertório de sua ex-banda, fiquei super feliz. E fiquei ainda mais feliz quando fui convidado para tocar nessa turnê. Então imagina só: eu, super fã do Iron Maiden, dividindo o palco com o vocalista Paul Dianno… eu olhava para o lado e parecia um sonho! E a música que eu mais gostava do repertório era justamente essa, ‘Phantom of the Opera’. Então fiquei duplamente feliz por ver que o Iron voltou a incluir esse clássico no setlist.)

Na sequência, outra maravilhosa: a balada ‘Children of the Damned’, do disco ‘The Number of the Beast’. E foram vários sucessos ao longo da noite, ‘The Rime of the Ancient Mariner’, ‘Powerslave’… os pontos altos do show, na minha opinião, foram ‘Wasted Years’ e ‘Hallowed Be Thy Name’, embora ‘The Number of the Beast’ e ‘Run to the Hills’ tenham sido sensacionais. (Quando eu lembro que o VIPER tocava essas músicas ao vivo me bate uma saudade… 🙂

É uma pena ver como a grande mídia trata o Iron Maiden, na verdade, é uma pena ver como a mídia em geral trata o heavy metal. É um estilo extremamente importante para o rock and roll, não apenas em termos musicais, mas também de comportamento e organização social/cultural. Quem está de fora acha que são bandas barulhentas cheias de cabeludos e tatuados, mas ver apenas isso é de uma insensibilidade gigantesca. Afinal, uma banda que reúne 63 mil pessoas em um show não pode ser vista como ‘exótica’. O heavy metal tem ídolos de verdade, músicos que mantêm o carisma ao longo da carreira. Não são como artistas vazios de um sucesso só. As pessoas deveriam prestar mais atenção nisso.

Minha manhã de segunda-feira pós-Iron Maiden: corpo dolorido, voz completamente rouca… mas muito feliz. Obrigado, Bruce, Steve, Adrian, Dave, Nicko e Janick. Tenho orgulho de ter vocês como ídolos há tantos anos. Vocês nunca me decepcionam.

Headbangers, Earthdogs & Metal Merchants… Hallowed be Thy Name, Iron Maiden!

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