Elizabeth Taylor, a mais linda de todas

Felipe Machado

23 Março 2011 | 19h09

Elizabeth Taylor: A morte da grande estrela de Hollywood
TV Estadão | 23.3.2011
Em entrevista a Felipe Machado, os críticos de cinema do Caderno 2, Luiz Zanin e Luiz Carlos Merten, falam sobre a vida e a carreira de uma das maiores atrizes de Hollywood

Fiquei bastante triste com a morte da Elizabeth Taylor. Ela não era minha atriz favorita, mas seu rosto é tão conhecido que a gente sente como se tivesse perdido uma pessoa conhecida, uma amiga (a amiga mais linda do mundo, no caso).

Mais uma vez, pensei em apelar para uma jornalista que acompanhou a carreira de Liz Taylor de perto: minha mãe, Helô Machado. Foi aí que meu telefone tocou:

“Felipe, estou com vontade de escrever um texto sobre a Elizabeth Taylor, o que você acha?”

“Hummm… acho ótimo!”

Aqui está. Obrigado, Helô. Bye, Liz.

Adeus para a mais linda de todas
Helô Machado

Aprendi na infância que o Empire State era o prédio mais alto do mundo. Rockfeller era o homem mais rico do mundo. O dólar era a moeda mais forte do mundo. Caviar era a iguaria mais cara do mundo. Rolls-Royce era o carro mais valioso do mundo. Diamante era a pedra mais preciosa do mundo.

E Elizabeth Taylor era a mulher mais bonita do mundo.

Durante a minha juventude, outros objetos e pessoas ‘as mais do mundo’ foram surgindo e desaparecendo, dependendo da época e dos modismos. Só Elizabeth Taylor permanecia como mito da beleza, recheada do talento que eu pouco a pouco descobria nas telas do cinema.

Filha de americanos, Elizabeth Taylor, a mais bela atriz de Hollywood, nasceu em Londres em 1932 e desde os sete anos, quando se mudou com seus pais para Los Angeles, chamou a atenção dos caçadores de talento. Aos 10, estreou no cinema e aos 11 entrou para o time das celebridades, onde permaneceu durante toda a sua vida, sem perder o prestígio – mesmo depois de abandonar o cinema.

A beleza não atrapalhou a carreira da atriz. Nas dezenas de filmes que fez, destacou-se em vários, como ‘Um lugar ao sol’ (1951), ‘Assim caminha a humanidade’ (1955), ‘A megera domada’ (1967), ‘Os comediantes’ (1967) e em outros, que lhe valeram três anos seguidos indicações ao Oscar de melhor atriz: ‘A árvore da vida’ (1957), ‘Gata em teto de zinco quente’ (1958), ‘De repente no último verão’ (1959). Recebeu dois Oscars por suas atuações em ‘Disque Butterfield 8’ (1960) e “Quem tem medo de Virginia Woolf?’ (1965).

Durante alguns anos, nas décadas de 70 e 80, a atriz teve a carreira interrompida devido ao uso de drogas, álcool e problemas de saúde. Em 1993, foi premiada com um Oscar honorário. Seus últimos filmes ‘A Maldição do Espelho’ (1980) e ‘O Jovem Toscanini’ (1988) já não causaram tanto impacto e foram pouco comentados.

Liz Taylor – ela odiava ser chamada pelo apelido – foi também a atriz mais bem paga do cinema: em 1963, ela recebeu 1 milhão de dólares para ser a belíssima ‘Cleópatra’, no filme igualmente milionário. Foi neste trabalho que ela conheceu o maior amor de sua vida: o ator Richard Burton.

Na área da paixão, bateu outro recorde. Elizabeth Taylor também foi a celebridade que mais se casou: teve oito maridos. O primeiro, em 1950, era o rico herdeiro da famosa cadeia de hotéis Hilton; o último, em 1991, construtor, de quem também se divorciou.

Na sua extensa lista matrimonial constam tragédias, escândalos e muitas brigas: seu 3° marido, o produtor de cinema Mike Todd, morreu num desastre de avião. Consolada nesta época por um casal de amigos, os atores Debbie Reynolds e Eddie Fisher, pouco depois Elizabeth Taylor ‘roubou’ o marido da amiga e se casou com ele.

Já a paixão arrebatadora e as brigas famosas entre Taylor x Burton levaram a dois casamentos e divórcios, que, no total, duraram 20 anos e renderam muitas jóias raras à estrela, como o famoso diamante Krupp, de 33,19 quilates; a pérola La Peregrina, que passou pelas mãos de Maria Tudor, rainha da Inglaterra e o diamante Taj-Mahal, em forma de coração, datado de 1627, presente do imperador indiano Shan-Jahan à sua mulher favorita, em cuja memória mandou construir o imponente Taj-Mahal.

Elizabeth Taylor, aliás, era apaixonada por jóias valiosas, que sempre ostentou em todas as ocasiões, até nas suas últimas aparições em público. Também amava os cachorros – levava sempre um deles no colo – e os perfumes –“Jamais fiquei um dia sem perfume”, costumava dizer. Tanto que lançou os seus, três perfumes – Paixão, White Diamonds e Pérolas Negras, que ganharam o mundo e lhe renderam milhões de dólares.

Elizabeth Taylor viveu intensamente os seus 79 anos, apesar dos inúmeros problemas de saúde. Teve quatro filhos, dez netos e quatro bisnetos, Manteve casas em Palm Springs, Londres e no Havaí, além da sua residência em Los Angeles. Publicou dois livros: ‘Elizabeth takes off’ (Elizabeth levanta voo), em 1988 e ‘My love affair with jewelry’ (Meu caso de amor com as joias), em 2002.

Conhecida internacionalmente por sua beleza, especialmente por seus olhos cor de violeta, representou o glamour de Hollywood durante anos e anos, atravessando gerações. Amiga íntima de Michael Jackson, que lhe dedicou vários de seus trabalhos, inclusive a canção ‘Liberian Girl’, a atriz recebeu inúmeros prêmios pelas campanhas que promoveu contra a AIDS, desde o seu envolvimento na luta contra a doença, em 1985, com a morte de seu grande amigo, o ator Rock Hudson, vítima do HIV.

Antes de se internar com sérios problemas cardíacos, que a levaram à morte, Elizabeth Taylor, mesmo fora de forma, com muitos quilos a mais, mantinha a altivez e as joias ao comparecer em eventos e homenagens, sempre na cadeira de rodas, que utilizava nos últimos cinco anos.

Joias que ela tratava com amor e traduziam o seu pedido: “Sei que após minha morte minhas joias poderão ir à leilão, como aconteceu com a coleção da duquesa de Windsor. Talvez se espalhem pelos quatro cantos do mundo. Espero que quem as compre ame e cuide de cada peça, como eu fiz. A verdade é que as joias têm donos provisórios, somos apenas seus guardiões”.

Para terminar, uma frase de Elizabeth Taylor que sempre me vem à cabeça:

“Quando as pessoas dizem ‘ela tem tudo’, eu respondo: ‘eu não tenho o amanhã’”.

A mulher mais linda do mundo era também a mais ingênua: ela não sabia que seria eterna.