Socorro Acioli lança biografia ‘não autorizada’ de Emília
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Socorro Acioli lança biografia ‘não autorizada’ de Emília

Escritora mergulha no mundo da boneca criada por Lobato em 1920 e descobre casos incríveis da Marquesa de Rabicó

Bia Reis

02 Setembro 2014 | 10h03

“Quanto mais conheço os homens, mais aprecio as abelhas e as formigas.”

Nascida em 1920, Emília, a Marquesa de Rabicó, vive no Sítio do Picapau Amarelo, na Terra dos Lagartões. Foi feita por Tia Nastácia, com olhos de retrós preto e sobrancelhas que mais pareciam com as de uma bruxa. Monteiro Lobato, na primeira vez que a apresentou, disse que ela não passava de uma boneca de pano muito desajeitada de corpo. Dona de uma visão privilegiada, Emília usava, em suas primeiras aventuras, uma saia e touca na cabeça. Depois que virou gente e assumiu a direção de Transportes da Companhia Donabentense, ganhou dinheiro e passou a usar outras roupas: culote amarelo, perneirinhas, blusa cheia de bolsos e capacete de cortiça. Emília nunca fica doente, mas certa vez inventou uma “dor de dente abstrata”. E, apesar de ser de pano, sentiu frio durante uma viagem imaginária de navio. Casou e se separou, adora pitangueiras, torce por Palmeiras e, se pudesse escolher um planeta para morar, iria para Saturno.

Para escrever Emília – Uma Biografia Não Autorizada da Marquesa de Rabicó, a escritora Socorro Acioli leu os 24 livros de Monteiro Lobato em que Emília aparece, os Contos da Carochinha, de Alberto Figueiredo Pimentel, e cartas do criador da boneca. A produção virou seu mestrado em literatura brasileira pela Universidade Federal do Ceará, com um capítulo sobre a biografia, que, mais tarde, se transformou neste livro, recém-lançado pela Casa da Palavra.


A escritora, também jornalista, descreve a casa de Emília e a turma do Sítio, as características físicas e psicológicas da boneca e conta aspectos importantes da vida da personagem: quando começa a falar, seu casamento e sua separação, a viagem que fez para o céu e os dias em que caçou uma onça e adotou um rinoceronte, sem esquecer de quando se sentou no colo de Hércules.

Socorro também trata dos desenhos que materializaram Emília e das aparições da boneca no teatro, no cinema e na televisão. A primeira adaptação do Sítio para o teatro foi realizada em Salvador, no Teatro Guarani. A escritora conta que Lobato viajou para acompanhar a estreia e, quando retornou, reescreveu o livreto do espetáculo – este foi um de seus últimos trabalhos.

No fim, Socorro revela o Dicionário de Asneiras da Emília, que reúne as palavras inventadas pela boneca – a quantidade de invenções, além da relação da personagem com a própria linguagem, foi uma das coisas que mais surpreenderam Socorro. “Ela fala com plantas, animais e pessoas de outras nacionalidades sem nenhum problema”, diverte-se. Há, ainda, uma entrevista em formato ping pong e algumas de suas frases mais divertidas.

A questão do racismo não é abordada por Socorro, mas a escritora afirma que ao longo do livro deixa claro que Emília foi “muito rude” com Tia Nastácia e com os outros personagens do Sítio. “Minha pesquisa foi feita com base em 24 livros da obra infantil do Lobato e há muita coisa a explorar sobre Emília. Minha missão era fazer uma biografia e organizar todas as informações sobre a vida da boneca. O tema do racismo já foi bastante discutido e, assim como as pessoas, Emília também é feita de qualidades e defeitos”, afirma.

As ilustrações de Wagner William retratam mais uma visão da boneca. Na capa, Emília aparece com vestido curto vinho de bolinhas brancas, meias longas listradas e tênis desamarrados, além de cabelos que aparentam ser feitos com sobras de tecido. Uma boneca!

Serviço

Emília – Uma Biografia Não Autorizada da Marquesa de Rabicó
Escritora: Socorro Acioli
Ilustrador: Wagner William
Editora: Casa da Palavra
Preço: R$ 39,90

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