‘Poesia da América Latina para Crianças’: uma seleção de escritores de língua espanhola pouco conhecidos no Brasil
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‘Poesia da América Latina para Crianças’: uma seleção de escritores de língua espanhola pouco conhecidos no Brasil

Bilíngue, o livro reúne poemas 17 escritores de países como Argentina, Chile, Cuba, Colômbia, Nicarágua, México e Porto Rico - um mergulho numa cultura tão próxima, mas tão desconhecida

Bia Reis

07 Abril 2014 | 10h00

Vivemos num país que fala português rodeado por outros que falam espanhol. E, apesar de estarmos tão próximos, parecemos tão distantes. Pouco conhecemos sobre a música, a literatura e arte feita nos vizinhos – exceto, claro, quando alguma premiação importante coloca luz sobre seus autores. O que dizer então dos poetas latino-americanos que escreveram para crianças e jovens?

Poesia da América Latina para Crianças, lançamento da editora B4, pode ser um bom ponto de partida para mergulharmos nessa produção. Bilíngue, o livro reúne poemas 17 escritores de países tão variado como Argentina, Chile, Cuba, Colômbia, Nicarágua, México, Peru e Porto Rico.

Do Chile, por exemplo, Jorge Henrique Bastos – responsável pela seleção, tradução e pelas notas que compõem o livro – pinçou dois poemas de Gabriela Mistral (1889-1957), ganhadora em 1945 do Prêmio Nobel de Literatura. Do México, os leitores conhecerão José Juan Tablada (1871-1945), que trabalhava com o haicai, forma de poesia nascida no Japão. De Cuba, a escolhida foi Dulce Maria Loynaz (1902-1997), a primeira mulher da América Latina que recebeu um dos mais importantes prêmios espanhóis, o Prêmio Cervantes, em 1993. Da Colômbia, o livro apresenta o poeta Rafael Pombo (1833-1912), considerado em seu país um escritor clássico da literatura infantojuvenil.

É de Pombo o poema que escolhi para este post:

O Gato Sentinela

Um camponês que em seu armário
guardava um queijo para um aniversário
ouviu o ruído de um rato
e logo por esse fato
como um homem precavido
que ninguém pega desprevenido,
arranjou um gato
para fazer a sentinela,
e tal foi a esparrela
que ambos sumiram: o queijo e o rato.

Governos dignos e timoratos, onde houver queijo não mandem gatos.

El gato guardián

Un campesino que en su alacena
Guardaba un queso de nochebuena
Oyó un ruidito ratoncillesco
Por los contornos de su refresco,
Y pronto, pronto, como hombre listo
Que nadie pesca de desprovisto,
Trájose al gato, al gato para que en vela
Le hiciese al pillo la centinela,
E hízole el gato com tal suceso
Que ambos marcharon: ratón y queso.

Gobiernos dignos e timoratos, donde haya queso no mandeis gatos.

Serviço
Poesia da América Latina para Crianças
Seleção, tradução e notas: Jorge Henrique Bastos
Editora: B4
Preço: R$ 44