Os livros e o Dia das Crianças
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Os livros e o Dia das Crianças

Bia Reis

12 Outubro 2012 | 10h06

Neste Dia das Crianças, publico aqui um artigo da Karine Pansa, editora e presidente do Instituto Pró-Livro e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Ela fala sobre o hábito da leitura no Brasil, especialmente entre as crianças, e pergunta: Por que os livros não estão na lista de presentes?

Presentear com livro é oferecer às crianças um mundo de imaginação e aventura

Por Karine Pansa

O Dia das Crianças chegou e entre os pedidos que fizeram parte da lista de meninos e meninas estavam brinquedos, celulares, videogames, tablets e diversos outros eletrônicos que fazem parte do mundo dos jovens de hoje. E os livros? Onde ficam na lista?

Praticamente não se vê uma criança pedindo um livro de presente, assim como é raro ver pais presenteando com livros. É claro que esses eletrônicos são prazerosos para crianças, jovens e adultos, mas é preciso ensinar e mostrar a essa nova geração que nos livros, sejam eles impressos ou digitais, encontramos um mundo de diversão, fantasias e brincadeiras.

De acordo com a terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-Livro, ler está em sétimo lugar na lista de coisas que gostamos de fazer no tempo livre, com 28%, atrás de TV, rádio, música, filmes, DVDs e outros tipos de afazeres. Ainda está na frente de navegar na internet, que possui 24%. Infelizmente, essa distância entre internet e leitura tem diminuído. Em 2007 eram 36% que gostavam de ler, contra 18% que preferiam ficar na internet.

Um ponto a ser observado entre os jovens de 5 a 13 anos é que, de acordo com o estudo, eles são os maiores leitores, com 24% do total. Então vemos que nossos grandes consumidores de livros estão na idade escolar. Outro dado da pesquisa é que 45% dos entrevistados disseram ter os professores como os influenciadores no hábito de ler, seguido pela mãe, com 43%, e o pai, com 17%. Essas pessoas juntas podem criar um leitor, por meio de exemplos e incentivos.

Apesar de os professores serem os principais influenciadores, há pontos a melhorar, já que o índice de leitura cai para 9%, quando os jovens atingem a faixa de 25 a 29 anos. Por que será que os pequenos consomem um alto número de livros didáticos durante a infância? Entre os pré-adolescentes de 11 a 13 anos, os livros didáticos são os mais lidos, com 47%. Na faixa dos 5 a 10 anos, esse tipo de livro também têm 47%, porém ainda perde para os livros infantis que atingem 66%.

O que temos que analisar com isso é: será que as crianças e jovens estão lendo por prazer ou por obrigação? De acordo com o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e o Caribe (Cerlalc), no México, a população leitora é de 73%, no Brasil estamos com 50%. Um dos lugares que os mexicanos mais gostam de ler é a biblioteca com 33%, já no Brasil apenas 12% utilizam esses locais para leitura.

Alguns dos dados do estudo do Cerlalc estão no livro Retratos da Leitura no Brasil 3, que contém toda a pesquisa promovida pelo IPL e diversos artigos de pessoas ligadas ao meio livreiro e educacional, nele a presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado, cita em seu artigo que antigamente ouvíamos de nossos pais frases como: “Trate de estudar! A educação é a única herança que eu tenho para deixar para vocês”.

Pois bem, nós depositamos toda nossa esperança de educação aos nossos filhos na escola, mas será que ela está fazendo bem o papel dela? Porque ao sair do ciclo acadêmico praticamente não lemos mais?

Entre as preferências de lazer dos brasileiros, citado nessa pesquisa, ler está em sétimo lugar. Os escritores brasileiros mais citados foram Monteiro Lobato, Machado de Assis, Paulo Coelho e Jorge Amado, não formamos novos escritores. Apesar de termos uma história literária riquíssima, precisamos desenvolver e promover autores novos, que escrevam com uma nova roupagem e atraiam essas crianças e jovens que nasceram na era do conhecimento.

Como disse Tzvetan Todorov, em A literatura em Perigo, “Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente”.

Aproveite o dia 12 para mudar de atitude. Dê ao seu filho um livro e a oportunidade de conhecer um universo infinito de descobertas e aventuras, além de uma vida inteira de aprendizado, cultura e diversão. E melhor: leia com ele e viaje com ele nesse mundo de aventuras.