Morte, magia e delicadeza em ‘A Princesa e o Pescador de Nuvens’
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Morte, magia e delicadeza em ‘A Princesa e o Pescador de Nuvens’

Muitos autores evitam escrever sobre a morte para crianças. Alexandre Rampazo enfrenta a questão e acerta em cheio o tom

Bia Reis

05 Setembro 2014 | 11h11

Falar sobre a morte costuma ser difícil. Muita gente evita não apenas o assunto, mas também livros, filmes e peças que tratem do inevitável fim. Fazer literatura para crianças abordando o tema com delicadeza e sem didatismos é um desafio para qualquer autor. Em A Princesa e o Pescador de Nuvens, o escritor e ilustrador Alexandre Rampazo, que lança o livro neste sábado, na Livraria NoveSete, em São Paulo (mais informações abaixo), acerta em cheio.

A história é repleta de magia. O encanto está nos detalhes do texto: na coroa de colheres que a princesa carrega no alto da cabeça; em seu animal de estimação – um dragão resfriado que voa baixo, feito galinha; na coleção de gaiolas em que a menina guarda suas nuvens; na cachoeira invertida; na plantação de florboletas (sim, neste reino as borboletas são plantadas). Também há magia nos detalhes das ilustrações: no cabelo azul da princesa e em seu vestido vinho, nos passos leves da menina, nas texturas do dragão e da plantação de florboletas, no macio das nuvens e até na imensa tempestade que se arma no fim do livro.

Na história, Rampazo criou uma princesa muito próxima de seu pai. Com ele, a menina aprendera a guardar as lembranças de seus sonhos no céu, dando formas às nuvens que guarda nas gaiolas, usando uma colher, e lançando-as para o alto.

Certa manhã, a princesa sente o silêncio do castelo e, no salão do trono, encontra sua mãe, o irmão e o mago quietos. A mãe lhe conta que o pai abandonara o reino. A menina sobe à torre e se tranca. Quando sai, decide procurar o pai. Para isso, diz, precisa de mais nuvens. A mãe tenta intervir, mas cede aos apelo do mago, que se dispõe a ajudá-la. O mago conta, então, que ela precisa encontrar o pescador de nuvens.

Mas esta não é uma tarefa exatamente fácil. É preciso subir montanhas, encontrar uma florboleta específica em meio à plantação, passar pelo rio da cachoeira invertida e encontrar o pescador de nuvens. A menina parte com seu dragão resfriado.

O caminho é longo e cheio de obstáculos. Nos momentos difíceis, ela pensa no rei e sente sua falta. Ao fim do trajeto, descobre que o pescador é um menino! Em um barco, o pescador de nuvens lhe conta que lá o tempo passa de um jeito diferente, que havia conhecido o rei no passado, quando ele ainda era príncipe, mas que depois nunca mais o vira.

A princesa percebe, então, que nunca vai encontrar seu pai. Triste, cai de joelhos e se põe a chorar. A intensidade do choro aumenta e, quando mais ela chora, mais venta. A ventania se torna uma grande tempestade e uma enorme nuvem preta se forma sobre os dois. Ela chama pelo pai, pede que ele volte, desespera-se. A ventania joga as coisas para fora do barco e ergue a princesa no ar.

Tragada para dentro da nuvem preta, ela pega uma colher da sua coroa e começa a esculpi-la. É seu luto, seu jeito de lidar com a perda do pai. Do lado de fora, o pescador vê a tempestade se afastando e o céu, se alaranjando.

Quem quiser conhecer o livro e o Rampazo pode aparecer no lançamento, que será neste sábado, dia 6 de setembro de 2014, às 15 horas, na Livraria NoveSete, especializada em literatura infantil e juvenil. A livraria fica na Rua França Pinto, 97, na Vila Mariana, perto da estação Ana Rosa do metrô. Além de sessão de autógrafos haverá contação de história com Fabiana Prando, a partir das 16 horas.

Serviço
A Princesa e o Pescador de Nuvens
Autor: Alexandre Rampazo
Editora: Panda Books
Preço: R$ 32,90

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