Feira do Livro de Porto Alegre: democrática e resistente
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Feira do Livro de Porto Alegre: democrática e resistente

Aberta na sexta-feira, a feira segue até 15 de novembro com uma programação direcionada para as crianças que aposta em nomes fortes da literatura infantil brasileira, mas sem insistir nos clássicos

Bia Reis

30 Outubro 2016 | 22h01

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Gaúchos aproveitam dia sol para curtir a Feira do Livro de Porto Alegre. Crédito: Bia Reis/Estadão

 

Democrática e resistente. Essas são as palavras que mais definem a 62.ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, que começou na sexta-feira passada, 28 de outubro, e segue até o feriado de 15 de novembro. Neste ano, o tema o evento é “Leia o que quiser. Só não se esqueça dos livros”.

A feira ocorre na Praça da Alfândega, no centro histórico da capital gaúcha, e é considerada o maior evento literário a céu aberto da América Latina, segundo a Câmara do Livro. Não há cobrança de ingresso nem para a entrada nem para as atividades. Esses dois aspectos – o fato de ser realizada em uma praça pública e gratuita – fazem toda a diferença. Há, claro, o aspecto do consumo, mas, mais do que isso, ir à feira do livro é um programa para os gaúchos, um passeio. Tem gente que passa só para espiar e acaba ficando o dia inteiro, gente que vem e volta várias vezes, gente que chega com a agenda cheia para acompanhar lançamentos, palestras e oficinas. Nos fins de semana, a feira também se desloca do centro e leva atividades para a periferia de Porto Alegre e da região metropolitana.

Os estandes das editoras, distribuidoras, livrarias e sebos têm 3 ou 5 metros de largura e a localização é determinada por meio de sorteio. Isso significa que a exposição de empresas pequenas, médias ou grandes é parecida. Em outras feiras literárias é comum vermos editoras grandes com estantes imensos e as menores, escondidas. Não é o que acontece aqui.

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Obras incríveis selecionadas pela Ama Livros. Foto: Bia Reis/Estadão

As editoras, livrarias e distribuidoras de livros que trabalham exclusivamente com infantojuvenil estão agrupadas em uma área próxima ao porto e as que também possuem catálogo adulto ficam espalhadas por toda a feira. Em sua maioria, dominam os livros baratos, de personagens da Disney ou os assinados por youtubers. Mas há os estandes resistentes, que apresentam aos leitores literatura de qualidade, como os das editoras Edelbra, Paulinas, Moderna, FTD e Projeto e da distribuidora Ama Livros.

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Livros de personagens e de youtubers dominam estandes infantojuvenis. Crédito: Bia Reis/Estadão

Há resistência também na programação infantojuvenil da feira, que continua apostando em escritores e ilustradores importantes da atualidade, mas que nem sempre encontram espaço em feiras que insistem apenas nos clássicos.

As atividades para crianças ocorre principalmente em quatro espaços: Teatro Carlos Urbim, Praça dos Autógrafos, Tenda de Pasárgada e QG dos Pitocos. Em O Autor no Palco, os leitores têm a oportunidade de ouvir e ver de perto escritores e ilustradores como Anabella López, Caio Riter, Katia Canton, Mariângela Haddad, Mauricio Negro, Nelson Cruz, Rogério Coelho e Rosana Rios. Eles também participam do projeto Adote Um Escritor, que estimula as escolas a adotarem obras de excelentes autores e os leva a visitá-las antes, durante e depois da feira (nos próximos dias conto mais sobre esse programa).

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Contação de histórias é uma das atrações para as crianças. Crédito: Bia Reis/Estadão

Há muita contação de histórias e cantação de músicas, feitas por Bárbara Catarina, Morgana Rodrigues, Germano Reis, Carmen Lima e Jairo Klein. Entre as histórias apresentadas estão contos portugueses, como A Velhinha e a Vasilha de Barro e A Águia e a Coruja, e textos de autores que participaram das últimas edições da feira ou estão nesta, como André Neves, Eliandro Rocha, Heloisa Prieto, Leo Cunha, Rosana Rios e Tino Freitas.

Para as crianças há também a Mostra de Contadores de História, na quinta edição; espetáculos teatrais, como A Princesa Engasgada; e teatro de bonecos, com histórias clássicas como Rapunzel. Os leitores podem ainda se deliciar na biblioteca e na bebeteca, montadas com excelentes títulos dentro do Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega.

Em um ano difícil economicamente para o País, a Feira do Livro de Porto Alegre também sofreu com a queda de recursos para viabilizar algumas atividades. Um dos projetos afetados foi a Traçando Histórias – Mostra de Ilustração de Literatura Infantil e Juvenil, na décima edição. A exposição está menor e, em vez de mostrar ilustrações originais, apresenta reproduções. Em um período em que muitas feiras literárias deixaram simplesmente de existir, isso parece ser apenas um detalhe.

A Feira do Livro de Porto Alegre também foi tema da coluna Estante de Letrinhas na Rádio Estadão desta semana. Quer ouvir?

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