‘Dino e Saura’: uma ficção com dinossauros brasileiros
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‘Dino e Saura’: uma ficção com dinossauros brasileiros

Fernando Vilela fala dos seis dinos que habitaram o que hoje chamamos de Brasil e conta uma história fictícia sobre a amizade entre dois filhotes de espécies diferentes

Bia Reis

02 Outubro 2017 | 06h00

As crianças que nasceram nas últimas décadas tiveram a chance de crescer em contato com livros, filmes e brinquedos relacionados ao universo dos dinossauros. Tudo isso veio na esteira do conhecimento produzido por cientistas que pesquisaram, e continuam desvendando, como era o mundo, a alimentação e os hábitos desse seres gigantes que habitaram a Terra há milhares de anos.

Entre as centenas de livros que povoam as prateleiras das bibliotecas e livrarias, a imensa maioria é informativa, ou seja, tem a missão de transmitir informações técnicas sobre esses animais e suas diversas espécies. Há também escritores de ficção que se utilizam de dados técnicos, reais, para contar uma história criada em sua imaginação. Entre eles está o artista plástico e autor de livros para crianças Fernando Vilela, que acaba de lançar Dino e Saura, pela editora Brinque-Book.

Neste livro, escrito para leitura compartilhada com crianças a partir de 3 anos e meninos e meninas leitores a partir de 7 anos, Vilela fala especificamente sobre seis os dinos que habitaram a região que hoje chamamos de Brasil.

O jeito que o autor descreve os animais é muito interessante. Ele compara o tamanho dos dinos, por exemplo, a objetos que as crianças já conhecem. O maior dinossauro brasileiro tinha o tamanho de dois ônibus e comia quilos de folhas por dia; já os menores eram “do tamanho de um cachorro, bravo como uma onça e adoravam caçar”.

Depois de apresentar as cinco espécies brasileiras, Vilela entra na ficção. Conta a história de um ovo de Ornithocheirus que era levado por um pássaro para seu ninho, onde viraria uma belo almoço, quando caiu do bico da ave e, por sorte, parou entre ovos de dinossaura Oxalaia.

Ele passa, então, a ser chocada por uma dino de outra espécie. Por meio das ilustrações, Vilela reforça a diferença: o ovo vermelho está no meio de vários azuis. A partir daqui, o autor parece se referir ao clássico conto O Patinho Feio:

“Ninguém convidava Dino para passear, pescar nem brincar. Com o tempo, ele foi ficando muito triste. Mas havia alguém que gostava do jeito dele. Cansado de ficar sozinho, um dia Dino decidiu ir embora. Então, um filhote que se chamava Saura resolveu segui-lo.”

Vilela conta de um jeito simples e belíssimas ilustrações a amizade que nasce entre Dino e Saura. Um dia, após descansarem, Dino encontra outros animais da sua espécie, que, apesar de gostarem dele, passam a estranhar Saura. Dino tenta explicar, mas os outros não entendem como ele pode conviver com um animal de uma espécie diferente da sua. Chegam, então, dinos da espécie de Saura, e os dois grupos passam a guerrear.

O livro questiona nossa dificuldade de conviver com o diferente, e os questionamentos podem ser um bom ponto de partida para uma conversa com as crianças sobre tolerância e respeito.

Aqui, parte da história é contada pelas palavras e parte, pelas imagens. O leitores – sejam crianças, sejam adultos – têm de fazer a leitura das duas linguagens e interrelacioná-las para compreender a narrativa. Para fazer as ilustrações, Vilela utiliza seus tradicionais carimbos, uma das marcas registradas de seu trabalho.

Serviço:
Dino e Saura
Autor: Fernando Vilela
Editora: Brinque-Book
Preço médio: R$ 38

Fernando Vilela já esteve muitas vezes nesta Estante de Letrinhas, com Abrapracabra!, Contêiner e Quero Colo!, este último em parceria com Stela Barbieri.

(Bia Reis e Cristiane Rogerio)