Poesia em Casa: um poema de Jaime Gil de Biedma

Poesia em Casa: um poema de Jaime Gil de Biedma

Pedro Gonzaga traduz Jaime Gil de Biedma no drops do Poesia em Casa

Estado da Arte

03 Abril 2018 | 22h20

Ultramort

Uma casa deserta que eu amo,
a duas horas daqui
me serve de consolo.

Em suas telhas roídas pelo musgo
a lua se extenua,
dorme o sol do tempo.

Entre seus muros o silêncio existe
que agora imagino
— sonhando com viver

uma segunda infância prolongada
até o esgotamento
de ser carnal, feliz.

Assomarei calado para ver o dia,
contente de estar sozinho
com a vida bastante.

Encontrar na cama outro corpo,
não mais que algumas noites,
será como banhar-me.