‘Me chame pelo seu nome’: sete filmes para não deixar a Itália

‘Me chame pelo seu nome’: sete filmes para não deixar a Itália

'Me chame pelo seu nome' é, para muitos, o filme da temporada. Para prolongar o espírito vivido por Elio e Oliver, destacamos sete filmes que dão continuidade à atmosfera italiana do filme de Luca Guadagnino.

Estado da Arte

03 Março 2018 | 11h06

Por Willian Silveira

Imagino não revelar qualquer novidade ao dizer que o filme da temporada atende por Me Chame Pelo Seu Nome. No próximo domingo (04/03), o terceiro longa-metragem de Luca Guadagnino chegará acompanhado ao Dolby Theater, em Hollywood, para concorrer ao Oscar nas categorias de melhor filme, roteiro adaptado, ator e trilha sonora. Ao seu lado, contará com o apoio de uma torcida fervorosa, vista somente nos nichos de ficção científica, e poucas vezes mobilizada durante as noventa edições do prêmio da Academia.

Para os entusiastas, arrebatados desde a primeira exibição do filme por um burburinho provocado tanto pelo público quanto pela crítica, Me Chame conta com uma infinidade de qualidades que o postularia a todas as estatuetas possíveis – algo que evidentemente não acontecerá. Constatação que não diminui, entretanto, os méritos evidentes da trama envolvendo o jovem Elio (Timothée Chalamet) e o estudante de arqueologia Oliver (Armie Hammer).

Entre os inúmeros elogios que a obra desperta, costumam ser citados tanto o trabalho cativante do núcleo de atores, com Chalamet, Hammer e o sempre excelente Michael Stuhlbarg no papel do pai de Elio, a adaptação literária eficiente de James Ivory e a direção competente, que apresenta virtudes inegáveis, mesmo não tendo sido indicada para a premiação e estando abaixo da forma que Guadagnino imprimiu no ótimo Um Sonho de Amor (2009). Se essas qualidades são suficientes para fazer um belo filme, sinto ainda que estamos desconsiderando um protagonismo talvez menos óbvio mas igualmente essencial: o da Itália. Não é de hoje que o espaço italiano, seja ele real, mítico ou histórico, colabora de forma determinante para um enredo a ponto de não poder ser substituído por outra locação. É verdade que se pode encenar Nova York em Londres, como fez Stanley Kubrick em De Olhos Bem Fechados, ou encontrar Paris em Budapeste, mas é impossível reproduzir a ambientação italiana em qualquer outro lugar.

Isso porque a Itália não se limita a ser uma contribuição de mera beleza geográfica, ainda que, por sorte, sejamos reféns desta durante as tardes em que Elio e Oliver resolvem desbravar a pacata cidade ao norte do país. Mais do que a busca por enquadrar uma paisagem agradável, Me Chame Pelo Seu Nome estabelece um diálogo inevitável com uma tradição que está tão intrinsecamente ligada à história do Ocidente quanto o Oriente Médio à realidade de Jafar Panahi e o Oriente à filmografia de Yasujiro Ozu.

A atmosfera é de tal forma decisiva aos interesses da narrativa que ao necessitar uma mudança para o ato final, o diretor prefere posicionar Elio sob o frio francês. Percebemos, então, que desde o sol a permear os movimentos dos protagonistas ao reencontro com o passado, quando o pai de Elio os leva a descobrir um fóssil arqueológico, a cena italiana é tão importante para a história de Me Chame quanto os dois protagonistas que transformarão o longa na grande obsessão da temporada – não sem alguma razão.

Para prolongar o espírito vivido por Elio e Oliver, destacamos sete filmes que dão continuidade à atmosfera de Me Chame Pelo Seu Nome:

 

Viagem à Itália (Roberto Rossellini, 1954)

 

Morte em Veneza (Luchino Visconti, 1971)

 

Uma Janela para o Amor (James Ivory, 1985)

 

Beleza Roubada (Bernardo Bertolucci, 1996)

 

O Talentoso Ripley (Anthony Minghella, 1999)

 

Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)

 

A Grande Beleza (Paolo Sorrentino, 2013)

Willian Silveira é é editor da revista Sétima e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE)