Sobre rodinhas: um roteiro de pistas para quem é adepto do skate – ou quer começar a se aventurar no esporte
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Sobre rodinhas: um roteiro de pistas para quem é adepto do skate – ou quer começar a se aventurar no esporte

André Carmona

22 Março 2018 | 16h09

Pista do Parque da Juventude, na zona norte da cidade. Foto: Arquivo SMA

Em São Paulo, o skate se sente mesmo em casa. Segundo pesquisa encomendada pela Confederação Brasileira de Skate, em 2015, há cerca de 1 milhão de adeptos só na capital. E o número pode aumentar nos próximos anos. Em 2020, duas modalidades (‘park’ e ‘street’) estarão nos Jogos Olímpicos de Tóquio, dando ainda mais visibilidade ao esporte.

Pensando nisso, o Divirta-se elaborou um roteiro com os principais espaços da cidade – tem pistas privadas e públicas, além dos chamados ‘spots’ (lugares não específicos mas considerados bons para a prática, como o Parque da Independência). Levamos também a profissional Karen Jonz para testar a recém-inaugurada Pista do 21, no alto de um edifício histórico no Centro, e entrevistamos Roberto Maçaneiro, presidente da Federação Paulista de Skate, que deu dicas e informações atualizadas sobre o ‘carrinho’.

No fim, ainda preparamos uma playlist para você sair deslizando com estilo por aí.

MODALIDADES DO SKATE

Street Style – Obstáculos da cidade, como praças, escadarias e muretas, servem de pista para manobras.

Mini Ramp – É a clássica pista com formato de ‘U’, em tamanho reduzido: no máximo, 2,5 metros de altura.

Half Pipe – De madeira ou de concreto, tem o mesmo desenho da Mini Ramp, mas com altura maior.

Banks – Pista em formato de piscina, com bordas arredondadas, que permite manobras de velocidade.

Mega Ramp – É uma rampa gigante (mais de 100 metros). Ficou popular por conta do brasileiro Bob Burnquist.

Downhill Slide – Requer um skate mais largo e consiste em descer ladeiras aliando velocidade e radicalidade.

Longboard Speed – A modalidade utiliza pranchas longas e o objetivo é a velocidade – que supera facilmente 60 km/h.

Downhill Freeride – Similar à modalidade Downhill Slide, mas praticado com longboards acima de 40 polegadas.

Slalom – A finalidade é descer uma ladeira, cujo percurso é definido por cones, sem atingir os obstáculos.

PISTAS PRIVADAS

Karen Jonz na Pista do 21. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

+ Em 2002, Karen Jonz morava perto de uma pista de skate em Santo André, na Grande São Paulo. Fã do personagem Bart (de ‘Os Simpsons’), comprou um ‘carrinho’ e começou a andar. Ela tinha 17 anos – idade considerada avançada para o esporte. Mas não desistiu. Tempos depois, consagrou-se como a melhor skatista do País.

“Naquela época, o skate ainda era ‘underground’. Não havia muitas meninas praticando, e eu também não imaginava que, um dia, seria profissional; foi natural”, conta.

A convite do Divirta-se, Karen foi conhecer e testar a Pista do 21, recém-inaugurada no 21º andar do Edifício Altino Arantes, o antigo (e icônico) Banespão. Idealizado pelo multicampeão Bob Burnquist, o local tem estilo ‘street’, com rampas e obstáculos, e mais de 300 metros quadrados com vista para a cidade. Lá, também tem equipamentos para locação. “A experiência foi divertida. O local parece um oásis para skatistas no meio do Centro; é como se fosse um outro universo”, diz Karen. R. João Brícola, 24, Centro, 3553-5627. 9h/19h (dom., 9h/17h; fecha 2ª). R$ 30 (1h). www.ingressorapido.com.br

* Karen Jonz (foto) tem 32 anos, é skatista profissional, YouTuber, designer e musicista. Entre seus feitos no esporte está a primeira medalha de ouro do Brasil nos X-Games 2008. Além disso, é quatro vezes campeã do mundo na categoria vertical.

+ Inaugurada em 2016, a pista do daBatata Skate House é voltada para a modalidade ‘street’, com obstáculos diversos, como corrimãos e transições, e também uma ‘mini ramp’. Escolinha de skate para crianças (R$ 60, a aula), loja e lanchonete completam a oferta da casa. R. Fernão Dias, 503, Pinheiros, 2306-8632. 12h/22h (sáb., 10h/20h; fecha dom.). R$ 20 (2h).

+ Ao som de rock e hip-hop, amantes do skate podem se divertir na pista estilo ‘street’ do Mega Roller Skate Park. O local, com 2.500 metros quadrados, é ocupado por escadarias, rampas, corrimãos e outros obstáculos. R. José de Oliveira, 1.011, Pq. Peruche, 2255-2112. 14h/22h (6ª e sáb., 14h/0h; dom., 14h/20h). R$ 20/R$ 30 (por dia).

Foto: Filipe Oliveira

+ A Skate City (foto acima) tem duas unidades na capital – uma no Bom Retiro, em reforma, e outra no Belenzinho. Na zona leste, a pista, com superfície em madeira, está equipada com ‘banks’, uma ‘mini ramp’ e espaço com obstáculos, numa área de 800 metros quadrados. Além disso, a casa conta com lanchonete, área de convivência, loja especializada e escolinha de skate (R$ 70, a aula). R. Coronel Albino Bairao, 356, Belenzinho, 3224-9818. 14h/22h (sáb., 10h30/22h; dom., 10h30/20h; fecha 2ª). R$ 20/R$ 25 (2h).

Foto: Octávio Sholz

+ Em 2014, quatro amigos tiveram a ideia de construir um espaço para que pudessem andar de skate. O sonho, no entanto, acabou evoluindo para algo mais grandioso e o projeto da CavePool (foto acima) deu origem a uma pista inspirada nas famosas ‘piscinas californianas’, com alto grau de dificuldade. Mesmo indicada para quem já tem algum conhecimento do esporte, aulas com a lenda Daniel Kim também serão ministradas no local (a partir de maio). Às quintas-feiras, a casa recebe DJs e bandas, e o valor da entrada (R$ 20) dá acesso à pista. Av. Eliseu de Almeida, 984, Instituto de Previdência, 3477-0810. 15h/23h (6ª, 11h/ 23h; sáb., 16h/0h; fecha dom. e 2ª). Grátis (3ª e 6ª)/R$ 10 (1h).

+ Localizado na zona sul da cidade, o Manifesto Skate Park está instalado em um galpão coberto e equipado com dois ‘bowls’ (em formato de piscina) e duas ‘mini ramps’ de madeira. Além das pistas, o local conta com uma lanchonete e uma área de descanso com videogame, que pode ser aproveitada tanto por quem precisa recuperar o fôlego antes da próxima sessão quanto por pais que aguardam seus filhos. Um dos focos, aliás, são as aulas (R$ 60, cada), ministradas por professores durante todo o dia. R. Oliveira Alves, 782, Ipiranga, 4323-1757. 10h/22h . R$ 20/R$ 30 (por dia).

Foro: Heverton Ribeiro

+ Piscina de concreto, escolinha de skate para crianças (R$ 60, a aula), loja e dois bares fazem parte do projeto. Mas, na Bowlhouse (foto), a programação cultural não fica em segundo plano. O espaço abriga a Cold Galeria, do fotógrafo Heverton Ribeiro. Com frequência, o local recebe exposições e apresentações musicais. R. Morgado de Mateus, 652, V. Mariana, 4328-1766. 9h/0h. R$ 20 (por dia).

Foto: Brasil Skate Camp

+ O skatista profissional Cris Fernandes é quem ensina as primeiras técnicas do esporte (R$ 60, a aula) para crianças e adultos no BSC Skate Park (foto acima). A pista tem estilo ‘street’. Construída em madeira, tem 400 metros quadrados de área e seus obstáculos são modificados de tempos em tempos. R. das Macieiras, 249, Casa Verde, 2506.7749. 11h/19h (sáb., 12h/20h; dom., 12h/18h; fecha 2ª). R$ 15/R$ 20 (2h).

PISTAS PÚBLICAS

Foto: Cesar Ogata

+ O Centro de Esportes Radicais (foto acima) é um verdadeiro parque de diversões em plena Marginal do Tietê – não só para skatistas, mas para quem pratica patins, patinete e até parkour. Ao todo, são 38.500 metros quadrados divididos em circuitos e espaços de diversos graus de dificuldade – do iniciante ao expert. O destaque fica por conta das três pistas asfaltadas no estilo ‘pump track’, com várias ondulações e em formato de caracol. Chama também a atenção o ‘mini ramp’, o ‘half pipe’ e o skate park – este simula obstáculos encontrados na cidade. Av. Pres. Castelo Branco, 5.700, Bom Retiro, 3224-9159. 8h/22h. Grátis.

Foto: Joca Duarte

+ Quem circula pelo entorno do metrô Sumaré pode ver a quantidade de skatistas que tem na região. E o motivo é um só. Conhecido como ‘pista do Sumaré’, o Parque Zilda Natel (foto acima) foi inaugurado em 2009 e é voltado totalmente ao skate. O espaço, que conta com ‘bowl’, ‘mini ramp’ e obstáculos típicos da modalidade ‘street’, foi construído pelo município em parceria com a Confederação Brasileira de Skate. Nove painéis grafitados também compõem o clima do parque. R. Cardoso De Almeida, 1.250, Perdizes, 3862-2921. 9h/21h. Grátis.

+ No fim de 2016, a zona leste ganhou um espaço destinado especialmente para os amantes do ‘carrinho’. Com 1.150 metros quadrados, o Clube Esportivo Municipal da Mooca apresenta um circuito de ‘street’ – com corrimão, escada, rampas diversas, caixotes, savana com gap e degraus – e também um ‘bowl’ de 267 metros quadrados. O projeto do equipamento, cuja estrutura é toda cimentada, foi elaborado com a participação de esportistas da região. E a segurança é garantida: a pista é protegida por guarda-corpo metálico. R. Taquari, 549, Mooca, 2694-7668. 9h/21h. Grátis.

+ O Parque da Juventude é, sem dúvida, um dos lugares mais procurados por skatistas da capital. É lá que está situada a Pista Chorão – homenagem ao vocalista e líder da banda Charlie Brown Jr., morto há cinco anos. Além do circuito ‘street’, com rampas, corrimãos e obstáculos, o local, que foi reformado há alguns anos e tem iluminação que permite sessões noturnas, tem um ‘bank’ e piso de granilite. Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, metrô Carandiru, 2089-8600. 6h/19h. Grátis.

Foto: Joca Duarte

+ Desde de 2016, quando foi inaugurado, o Parque Chácara do Jockey (foto acima) pode se gabar de ter um dos espaços mais requisitados por quem adora viver sobre quatro rodinhas. Com 1.365 metros quadrados, o circuito de pistas inclui ainda a prática de bike e patins. A pista ‘street’ está equipada com corrimãos, paredes inclinadas e escadarias. Tem ainda um ‘bowl’ de 400 metros quadrados. Av. Prof. Francisco Morato, 5.257, V. Sônia, 3722-3264. 6h/18h. Grátis.

SPOTS

Foto: Joca Duarte

+ A íngreme ladeira de 450 metros do Parque da Independência (foto acima) é um clássico da cidade. Asfaltada em 2008, permite a prática de longboard, ‘slalom’ e ‘downhill’. Se a descida for feita em linha reta, a velocidade pode chegar a 40 km/h. Por isso, é importante o uso de equipamentos de segurança. Av. Nazaré, s/nº, Ipiranga, 2273-7250. 5h/20h. Grátis.

+ Outro espaço bastante frequentado por skatistas da capital é o Parque Ibirapuera, que agrada a praticantes de várias modalidades. Além da marquise, uma das atrações é a Ladeira da Preguiça, escolhida por quem gosta de ‘downhill’. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, V. Mariana, 5574-5045. 5h/0h. Grátis.

+ No coração da cidade, a Praça Roosevelt é um exemplo claro de como São Paulo tem vocação para o skate. Seus bancos, corrimãos e declives atraem praticantes de skate vindos de vários bairros. O lugar também funciona como ponto de encontro da tribo. Pça. Franklin Roosevelt, s/nº, Bela Vista. 24h. Grátis.

Roberto Maçaneiro está no papo

O presidente da Federação Paulista de Skate falou ao Divirta-se sobre questões ligadas ao esporte:

Qual é a atual situação do skate na cidade de São Paulo e no Brasil?
Somos o segundo mercado mundial; só perdemos para os Estados Unidos. Hoje, são 8,5 milhões de praticantes no País – praticamente metade está no Estado de São Paulo. A arquitetura da capital, por assim dizer, é uma pista a céu aberto. Mas é preciso ressaltar que há a necessidade de a cidade ter mais pistas. E também há necessidade de melhorar as que já estão construídas, que, catalogadas pela Federação Paulista de Skate, são mais de cem. Há um crescimento contínuo no número de praticantes; mas é orgânico, não incentivado.

O fato de o skate virar esporte olímpico em 2020 contribui com a modalidade?
Eu acho muito positivo. Há um nicho que vê isso com desconfiança, que teme pela perda da identidade ‘contracultural’ e contestadora que o skate tem. Mas a tendência não é essa. Até porque são apenas duas modalidades aprovadas para os jogos – ‘park’ e ‘street’. Vejo mais benefícios. Uma questão bastante interessante é a visibilidade que o skate terá, contribuindo para diminuir o estigma de ‘esporte de vagabundo’. Os novos adeptos já mostram uma outra faceta que, nos anos 1980, por exemplo, não havia. Hoje, a família inteira anda de skate, não só o filho revoltado.

Quais são as dicas para quem está começando a andar de skate agora?
Há muitas opções de pistas cobertas e pagas que vão desde o nível iniciante até o mais avançado. Nos últimos anos, também surgiram ótimas pistas públicas, com iluminação e segurança adequadas. Mas a rua, que é a raiz do esporte, nunca pode ser esquecida. E é importante usar sempre os equipamentos de segurança.

VEM POR AÍ…

+ Os amantes do esporte vão ganhar um novo espaço para praticá-lo, no dia 2/6. Trata-se da Vans Skate Park, pista que está sendo construída no Parque Cândido Portinari (Av. Queiroz Filho, 1.365, V. Hamburguesa) – uma parceria entre a marca, uma das mais importantes do mundo no segmento do skate, e a Secretaria do Meio Ambiente.

Em estilo ‘park’, que une elementos do ‘street’ e do skate vertical, o espaço será inaugurado na etapa inicial do Vans Park Series World Tour 2018, uma espécie de mundial da modalidade. A pista segue os moldes da que foi construída em Malmo, na Suécia, pela California Skatepark.

PLAYLIST

Hip-hop, hardcore, rock, groove. Não importa o ritmo – ouvir música faz parte da cultura do skate.

Don’t Skate on My Ramp
Satanic Surfers

Carrin
Flow Mc

Nowhere Fast
Josh Harmony

Di-sk8 Eu Vim / Di-sk8 Eu Vou
Charlie Brown Jr.

In My City
Gramatik

Ouça as músicas aqui.