Junto e misturado: o Divirta-se visitou oito espaços que aliam atrações culturais ao tradicional happy hour
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Junto e misturado: o Divirta-se visitou oito espaços que aliam atrações culturais ao tradicional happy hour

André Carmona

16 Março 2017 | 18h45

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Foi-se o tempo em que, na hora de se divertir, era preciso escolher um único tipo de passeio, entre tantas possibilidades. Comprar um disco ou almoçar num restaurante bacana? Visitar uma galeria de arte ou esperar a noite chegar para tomar um drinque? Em tempos de múltiplos estímulos, o paulistano reinventa a demanda por lazer. A tendência são os locais híbridos, onde confraternização e programas culturais coabitam o mesmo espaço. A seguir, um roteiro com lugares que traduzem a cara dessa nova metrópole.

Sensorial Discos

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Foto: Hélvio Romero/Estadão

Basta um lance de escadas para imergir no underground da Rua Augusta. Na casa aberta em 2013, a luz é baixa; o som, nem tanto. Mas o longo corredor de poucas mesas está longe de parecer balada. Ao contrário. De tarde, tem atmosfera de café e livraria, por conta da interessante loja de vinis. À noite, é bar para conversar. Entre mais de 100 rótulos de cerveja, experimente a IPA Juice (R$ 28,50, 310 ml), junto com os ‘Quadradinhos de Tapioca’ (R$ 23, 6 unid.), acompanhados de queijo coalho e geleia de pimenta. R. Augusta, 2.389, Cerq. César, 3333-1914. 11h30/0h30 (2ª e 3ª, até 20h30; fecha dom.).

Fatiado Discos

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Entre sobrados geminados do Sumaré, nasceu como uma diminuta loja de vinis, em 2013. Pequena apenas no espaço físico. Nas estantes, o ecletismo já era substancial: bolachas de punk convivendo com exemplares de MPB, jazz e folk. Em 2015, a loja foi transferida para um casarão maior, na mesma região, e ganhou nova forma. Da época, sobraram as paredes laranja e as capas de discos que preenchem o teto. Hoje, o local abriga também eventos e festas, que rolam a partir de quarta-feira, no começo da noite. Já passaram por lá nomes como Wander Wildner e KL Jay, além de muitos DJs da cidade, tocando de reggae a cumbia. É agitado. Com um copo de Colina Pilsen (R$ 12, 300 ml), aprecie a vista dos fundos da loja – uma laje convidativa e toda grafitada. Lá também são preparados os ótimos hambúrgueres na grelha. Av. Prof. Alfonso Bovero, 382, Sumaré, 2893-7820. 14h30/22h (fecha 2ª).

* Os hambúrgueres da casa são feitos pela MCCoy.‘Fatiado Burger’ (R$ 25; foto) leva 200g de carne, molho rústico de tomate, manjericão e queijo da Canastra.

Conceição Discos

Foto: Conceição Discos

Foto: Conceição Discos

Apesar do nome, o foco do estabelecimento é a gastronomia. E dá para sentir da rua o aroma da comida preparada pela chef Talitha Barros. Com ambiente alternativo, a casa funciona desde 2014 e, além do já famoso pão de queijo com pernil (R$ 16), tem como atração o arroz, servido de uma forma diferente a cada dia. No sábado da visita, a opção era arroz de costela com mandioca (R$ 38). Para beber, vá de chope Coruja (R$ 12, 350 ml). Em tempo: o local também vende vinis. O clássico ‘Revolver’, de Walter Franco, sai por R$ 75. R. Imaculada Conceição, 151, V. Buarque, 3477-4642. 10h/21h (fecha dom. e 2ª).

Baderna Bar

Foto: Baderna Bar

Foto: Baderna Bar

No século 19, a bailarina Maria Baderna chocou a sociedade brasileira ao misturar dança clássica e referências africanas. Da artista, que virou sinônimo de bagunça, mas também de vanguardismo, o bar tirou a inspiração. A agenda é diversificada: de shows e oficinas (como a de bateria para garotas; foto) até exposições. Sempre com clima informal. Nos fundos, mesinhas de carretel, cadeiras de praia e varais de luzinhas. Ali, prove a Perro Libre Neo Pils (R$ 27, 500 ml), junto com as minicoxinhas veganas (R$ 15, 6 unid.). R. Oscar Freire, 2.529, Pinheiros. 16h/0h (fecha 2ª e 3ª).

Espaço Zebra

Alex Silva/Estadão

Alex Silva/Estadão

Da entrada – por uma movimentada via no coração do Bexiga – o que se vê, primeiro, é uma galeria de arte. Ateliê onde são produzidas e expostas obras do artista paranaense Renato Larini. Mas é no subsolo, quase secreto, que está enterrada a joia do espaço. Um bar ‘speakeasy’, de ambiente acolhedor, que enreda o moderno e o retrô. Tocado pela jornalista Néli Pereira, tem boa música e projeções multimídias. Ao mesmo tempo, parece um antiquário londrino familiar à luz de velas. A mobília é feita lá. A comida, também. Aliás, todo o conceito evoca o estilo ‘faça você mesmo’. Não é difícil ver o casal alternando-se entre a cozinha, o bar, a vitrola e a recepção. O carro-chefe são os drinques. Para comer, quitutes como o bolinho de carne da casa (R$ 9, a unid.). R. Major Diogo, 237, Bela Vista, 3105-5171. 19h/0h (6ª e sáb.).

* A alquimista da casa é a proprietária Néli Pereira. Além de releituras de clássicos, a carta inclui drinques autorais. O ‘Apotecário’ (R$ 27; foto) é feito de gim, manjericão, laranja e gengibre.

Central Panelaço

Foto: André Carmona/Estadão

Foto: André Carmona/Estadão

Aberta em 2016 pelo vocalista do Ratos de Porão e apresentador João Gordo, a loja é uma ode à cultura pop: reúne quadrinhos, discos, roupas e artigos de decoração. Além disso, vende cervejas artesanais e produtos veganos, como o ‘Bacon Bits’ (R$ 15), à base de soja. Outra atração é o ‘Desapega’, uma feira em que personalidades se desfazem de objetos que não usam mais. Kid Vinil será o convidado do dia 25/3. R. Conselheiro Carrão, 451, Bela Vista. 13h/20h (sáb., 11h/20h; fecha dom.).

Fábrica Drinks

Foto: Werther Santana/Estadão

Foto: Werther Santana/Estadão

Na frente, uma galeria colaborativa, que vende acessórios de moda como óculos e camisetas. Anunciado por letreiros de néon, nos fundos, está o gastrobar, com clima de balada e música eletrônica. A especialidade da casa são os drinques. Um dos mais famosos é o ‘Horny’ (R$ 26), que leva conhaque, licor de chocolate, creme de leite, Baileys, Nutella e paçoca. Se a fome bater, a casa serve crepes e porções. R. Augusta, 1.283, Consolação, 3554-4997. 16h/23h (6ª, até 0h; sáb., 13h/0h; dom., 13h/23h; fecha 2ª e 3ª).

Central Caos

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O espaço fez fama quando foi cenário de um reality show na TV fechada, sobre comércio de antiguidades. Um emaranhado de referências, traquitanas penduradas por todas as partes – entre brinquedos antigos, quadros, placas de néon e objetos diversos – compunham a atmosfera kitsch/pop do local. Em dezembro, o antiquário de Jorge Tibiriçá migrou da Rua Augusta para o centro, sem perder, porém, suas peculiaridades. Ao entrar, o visitante é surpreendido por uma luminária de centro cirúrgico no teto. A sensação é de mergulhar num disco da new wave. Relaxar na poltrona de onça tomando uma das muitas opções de cerveja, como a Dádiva Lager (R$ 22, 600 ml), ajuda a entender o espírito da casa. De acompanhamento, ‘Choripan’ de calabresa artesanal, servido com batatas (R$ 19). R. Gen. Júlio Marcondes Salgado, 321, Santa Cecília, 3791-5391. 12h/1h (fecha dom. e 2ª).

 

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