Idealizadora da SP-Arte, Fernanda Feitosa fala sobre a 14ª edição do evento
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Idealizadora da SP-Arte, Fernanda Feitosa fala sobre a 14ª edição do evento

Júlia Corrêa

05 Abril 2018 | 16h47

Diretora e fundadora da SP-Arte, Fernanda Feitosa conversa com o Divirta-se sobre a 14ª edição do evento, que ocupa o Pavilhão da Bienal entre 12/4 e 15/4: 

Foto: Ênio Cesar

Pensando no momento atual do mercado, quais são as expectativas para esta edição?

O mercado de arte não passou imune a esse período de crise, que se prolongou ao longo dos últimos três anos, principalmente. Ainda assim, acho que estamos nos saindo bem, a SP-Arte tem se mostrado cada vez mais resiliente. A presença de mais de 130 galerias de arte na feira é um bom sinal, assim como a retenção de grandes galerias internacionais. Mais importante do que trazê-las, é mantê-las aqui. Se elas continuam voltando, é sinal de que enxergam no Brasil um mercado promissor, apesar da crise política.
Além disso, todos indicadores econômicos recentes têm dado sinais de que a economia brasileira está melhorando pouco a pouco. Nesse sentido, seguimos bastante confiantes e otimistas.

Quais novidades você destacaria entre aquelas que o público poderá conferir este ano?

Temos pela primeira vez a presença de criadores independentes no setor de Design. Nossa ideia é promover o design de profissionais cuja produção não é totalmente representada por uma galeria. São jovens super talentosos, com um trabalho inovador e já consolidado, mas que ainda não têm sua produção em larga escala. Nesse sentido, a SP-Arte chega justamente para ampliar o contato desses produtores com um público mais amplo: tanto com o consumidor final – amante da arte e do design que passará pelo Pavilhão da Bienal nos cinco dias do evento -, quanto com as principais galerias do setor presentes na Feira.

Outra grande novidade dessa edição é o setor de Performance, uma expressão intrínseca à arte contemporânea, que não poderia ser deixada de lado num evento tão antenado e atento aos movimentos e acontecimentos mundiais das artes visuais. Neste ano, já como reflexo de uma caminho que percorremos nos últimos três anos, o setor ganha espaço próprio e curadoria de Paula Garcia, colaboradora artística da Marina Abramovic. Serão cinco performances de longa duração, que ocuparão um espaço dedicado no segundo piso do Pavilhão. Elas serão simultâneas e estarão colocadas lado a lado, para que dialoguem entre elas e com o público, criando uma atmosfera intensa que desafia os limites e a resistência. Para além disso, cada galeria, sendo sua participação inédita ou não na Feira, traz o que há de melhor entre suas novidades do último ano: novas obras produzidas, novos artistas representados e peças raras e antigas, que são verdadeiros achados.

Os setores Solo e Repertório também têm como objetivo apresentar o olhar atento dos curadores para trabalhos de artistas não tão conhecidos pelo grande público. No Repertório, entre os brasileiros, destacaria as pinturas de Loio-Persio, um raro exemplo de pintor informal brasileiro, ativo também em outras áreas e com uma carreira muito interessante, mas que apesar disso ficou relativamente esquecido. Entre os estrangeiros, estou particularmente feliz de termos conseguido trazer obras de Chen Zhen, artista chinês falecido prematuramente em 2000, cuja obra sempre me pareceu extremamente poética, ainda muito pouco conhecido no Brasil. No Solo, vejo três projetos de artistas históricos que eu acho que serão o pilar do Setor: Dieter Roth, com Matthew Zucker Gallery de NY; Lotty Rosenfeld, na Isabel Aninat, de Santiago do Chile; e Mladen Stilinovic com a Espaivisor, de Valência. Já Raquel Nava (Portas Vilaseca), Bruno Faria (Periscópio), Marina Weffort (Cavalo), representam projetos jovens que serão bem fortes.

De que modo a feira pode ser interessante para um público mais amplo, não tão familiarizado com o mercado de arte?

No ano passado, estreamos circuitos de visitas guiadas temáticas pelo Pavilhão. A iniciativa foi um sucesso. Tivemos mais de 1000 participantes – vários, inclusive, participaram de mais de um circuito. Neste ano, voltamos com a mesma proposta.  Serão oito circuitos divididos em temas como arte contemporânea brasileira, internacional, mulheres nas artes, Solo e Repertório, que se estenderão por  todo período do Festival. Para participar, basta se inscrever, presencialmente, pouco antes das saídas. Essa é, sem dúvida, uma iniciativa que atrai a todos que se interessam por arte e cultura. O Talks, ciclo de palestras promovido pelo Festival, é outra atração que tem uma proposta bastante semelhante. A SP- Arte se preocupa em dar espaço para as discussões mais latentes da arte contemporânea, tais como diversidade sexual, arquitetura, performances e os impactos da tecnologia na cena artística. As palestras se concentram nas manhã dos dias 12 e 13 de abril, antes da abertura da Feira, no Lounge Bienal. A participação não exige inscrição e garante ao visitante a entrada gratuita no Pavilhão no dia em que participar do encontro.

Você percebe alguma tendência entre os trabalhos que as galerias apresentarão este ano no evento?

A SP-Arte reúne centenas de galerias e milhares de artistas e obras. É sempre muito desafiador encontrar uma tendência única quando tratamos de um panorama tão amplo de produções culturais, dos mais diversos lugares do mundo, das mais distintas épocas.
Como reflexo do nosso tempo, temos percebido uma valorização maior de artistas mulheres e também de artistas latino-americanos pelas próprias galerias.
Cada vez mais, temos percebido a redescoberta de artistas que já foram muito importantes, tiveram reconhecimento da crítica, mas que acabaram não chancelados pelo mercado e, talvez por isso, não são conhecidos do grande público. Nesse mesmo sentido, criamos o Reportório, setor curado pelo Jacopo Crivelli Visconti, que chega neste ano a sua segunda edição. Como o próprio nome sugere, o setor visa contribuir para a formação de um repertório mais amplo do público, facilitando, inclusive, a compreensão de um recorte da produção contemporânea.

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