Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Saiba mais sobre os filmes que disputam o Oscar neste fim de semana

Cultura

Saiba mais sobre os filmes que disputam o Oscar neste fim de semana
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Saiba mais sobre os filmes que disputam o Oscar neste fim de semana

0

Redação Divirta-se

25 Fevereiro 2016 | 18h12

Por Luiz Zanin Oricchio

É hora de correr aos cinemas e ver os filmes indicados ao Oscar que já estão em cartaz na cidade.

O REGRESSO

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Muito se fala em ‘O Regresso’, em especial por dois motivos. Primeiro, pode valer o ‘bicampeonato’ a Alejandro González Iñárritu, que já venceu o ano passado com ‘Birdman’. Segundo, pode finalmente render a estatueta a Leonardo DiCaprio, que foi indicado cinco outras vezes e, em todas, morreu na praia. De fato, a direção de Iñárritu e o desempenho de Leo são dignos de nota. O filme é uma aventura tensa e muito bem dirigida. Se Iñárritu usa efeitos especiais, não descuida da dramaturgia e imprime tom intenso à saga do homem dado como morto e que volta para talvez se vingar de quem o deixou para trás. DiCaprio ganhou o papel de sua vida e o agarrou com as duas mãos.

12 INDICAÇÕES

– Melhor filme
– Melhor diretor
– Melhor ator
– Melhor ator coadjuvante

CAROL

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘Carol’, de Todd Haynes, não concorre a melhor filme, a principal categoria, mas muita gente acha que deveria. Afinal, conta uma delicada história de amor homossexual, na conservadora sociedade norte-americana dos anos 1950. E o faz com elegância e bom gosto. Cate Blanchett é Carol Aird, a personagem-título. Grã-fina e casada, conhece, numa loja de departamentos, a garota Therese Belivet (Rooney Mara), que lá fazia trabalho temporário durante a época do Natal. As duas dão início a um relacionamento tórrido. Tudo as separa: as idades diferentes e as classes sociais a que pertencem. A história é baseada num relato semi autobiográfico da grande escritora Patricia Highsmith.

6 INDICAÇÕES

– Melhor atriz
– Melhor atriz coadjuvante
– Melhor figurino
– Melhor roteiro adaptado

SPOTLIGHT

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘Spotlight: Segredos Revelados’, de Tom McCarthy, é uma ótima história de jornalismo à moda antiga. Do tempo em que equipes de repórteres especiais investigavam durante meses algum assunto até trazer à luz alguma reportagem bombástica. No caso, a equipe do Boston Globe trabalha sobre denúncias de pedofilia praticada por padres da Igreja Católica. Mark Ruffalo vive Mike Rezendes, um desses obstinados repórteres que aguentam todas as pressões dos poderosos para trazer a verdade à tona. Baseado em fatos reais.

6 INDICAÇÕES

– Melhor filme
– Melhor diretor
– Melhor roteiro original
– Melhor edição

A GRANDE APOSTA

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘O Regresso’ pode ser o grande favorito para ganhar os prêmios principais, mas ‘A Grande Aposta’, de Adam McKay, entra como um dos azarões possíveis. O tema é quentíssimo – a crise financeira que se abateu sobre o mundo em 2008, a partir da quebra do mercado imobiliário americano. O segredo do filme é tratar o tema como uma história de suspense. McKay usa, às vezes, expedientes didáticos (alguns engraçados) para tentar explicar ao leigo a linguagem cifrada de Wall Street. É difícil de entender, mas muito interessante.

5 INDICAÇÕES

– Melhor filme
– Melhor diretor
– Melhor roteiro original
– Melhor ator coadjuvante

 

45

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

O filme de Andrew Haigh traz a mais sutil interpretação feminina do Oscar 2016. Charlotte Rampling vive Kate Mercer, mulher de Geoff Mercer (Tom Courtenay) há exatos 45 anos, como fala o título do filme. Eles preparam a festa dessa união, quando chega uma notícia estranha. Foi encontrado o corpo de um antigo amor do marido, uma mulher que morreu também há 45 anos, num acidente na neve. Coisa do passado, sepultada no gelo do esquecimento? Bem, a cabeça humana não funciona de forma simples e o relacionamento de Kate e Geoff sofre com isso. Grande atriz, Charlotte expressa seu tormento com contidas expressões. É o suficiente. E já é muito. Brie Larson é a favorita à estatueta. Aposta-se também em Saoirse Ronan, mas o troféu ficaria muito bem com Charlotte.

O QUARTO DE JACK

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Em ‘O Quarto de Jack’, o diretor Lenny Abrahamson joga com uma experiência angustiante e claustrofóbica: mãe e filho vivendo anos isolados num quarto pequeno. Essa situação de confinamento forçado é muito bem dirigida e finamente interpretada por Brie Larson (a mãe) e Jacob Tremblay (o garoto Jack). O filme também possui o mérito de evitar estereótipos e soluções fáceis. A prisão é um drama, mas a liberdade pode não trazer o alívio imediato de todos os males. Há prisões sem paredes.

4 INDICAÇÕES

– Melhor filme
– Melhor diretor
– Melhor atriz
– Melhor roteiro adaptado

 A GAROTA DINAMARQUESA

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

O filme de Tom Hopper traz, de forma romanceada, a história real da pintora Lili Elbe, tida como a primeira transgênero a tentar uma operação de ajuste sexual. Ainda como Einar Wegener (Eddie Redmayne), vive em Copanhague, nos anos 1920, com a mulher Gerda Weneger (Alicia Vikander). Ambos artistas plásticos, um dia, Gerda pede a Einar que se vista com roupas femininas para substituir a modelo que faltou à sessão. Isso precipita a crise de identidade sexual, que será enfrentada com coragem única pelas personagens.

4 INDICAÇÕES

– Melhor ator
– Melhor atriz coadjuvante
– Melhor figurino
– Melhor design de produção

BROOKLIN

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Dirigido por John Crowley, ‘Brooklin’ é uma história de imigração light. Nos anos 1950, a irlandesa Eilis (Saoirse Ronan) busca vida melhor nos EUA. Tem um emprego a esperá-la e logo conhece um simpático ítalo-americano. Vai enfrentar um conflito quando regressar à Irlanda para o enterro da irmã. Mas nada de tão dilacerante assim. O filme tem boa reconstituição de época, é simpático e um tanto sem sal.

3 INDICAÇÕES

– Melhor filme
– Melhor atriz
– Melhor roteiro adaptado

OS OITO ODIADOS

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Esnobado pela Academia, com apenas três indicações, ‘Os Oito Odiados’ é um filme nada banal. Caçadores de recompensas, bem como suas presas, buscam abrigo numa hospedaria em meio à terrível nevasca no Wyoming. Pouco sabem o que os aguarda. Como em outros filmes de Quentin Tarantino, também este exibe construções narrativa e visual muito elaboradas. É obra de cinéfilo, a tal ponto que o diretor filma em película de 70 mm, que pode ser projetada em pouquíssimos cinemas. Mesmo assim, provoca um efeito e tanto no espectador, pela violência, mas também pela invenção visual e trama assimétrica. Jennifer Jason Leigh é tida como favorita a melhor coadjuvante.

3 INDICAÇÕES

– Melhor trilha sonora
– Melhor atriz coadjuvante
– Melhor fotografia

CINCO GRAÇAS

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Embora represente a França na disputa do Oscar de melhor produção estrangeira, ‘As Cinco Graças’ é dirigido por uma turca (Deniz Gamze Ergüven), tem elenco turco e se passa na Turquia. Toca em tema importante para o mundo todo, e para a Europa em particular: os efeitos do fundamentalismo islâmico sobre a vida das pessoas. Não fala em atentados ou crimes políticos, mas se debruça sobre os efeitos da política autoritária na vida íntima. A história é a de cinco irmãs trancafiadas em casa para esperar marido ao abrigo de tentações. O filme registra um caso de rebeldia e tem, em seu estilo de filmagem, o frescor que o torna muito atraente.

JOY

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘Joy: o Nome do Sucesso’, de David O. Russell, põe em cena a garota da hora de Hollywood, Jennifer Lawrence. Ela vive Joy, de vida bastante confusa, morando com a mãe depressiva, filhos, um ex-marido (Edgard Ramírez) e o pai (Robert De Niro), que de vez em quando lhe pede guarida. O filme atira para todos os lados e parece, às vezes, tão incongruente quanto a existência de Joy. Mas esse tom meio destrambelhado é, no fundo, o que lhe empresta encanto. E lhe garante sobrevida, mesmo transformado em apologia nada crítica do espírito de empreendedorismo.

O LOBO DO DESERTO

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

O jordaniano ‘O Lobo do Deserto’ é uma das boas surpresas da disputa de filme estrangeiro. Sem qualquer pieguice, conta o amadurecimento precoce do garoto Theeb na província otomana de Hijaz, durante a 1ª Guerra Mundial. Quando seu irmão é morto no deserto, Theeb terá de aprender rapidamente as artes e astúcias da sobrevivência, em ambiente hostil e cercado de inimigos. Dirigido por Jani Abu Nowar, impacta pelo tom seco e realista.

ANOMALISA

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘Anomalisa’, de Duke Johnson e Charlie Kaufman, é um dos concorrentes fortes neste duro páreo de melhor longa de animação. Trabalhando com bonecos, o filme conta a história de David Thewlis, homem tão fatigado afetivamente que todas as outras pessoas lhe parecem iguais, sem nada que as distinga. Até que, numa viagem de negócios, descobre, num hotel, a mulher que lhe parece diferente de todas as outras. A história é muito bem bolada, com tratamento original e humano, bastante diferente das anteriores invenções de Kaufman. A tal ponto parece natural que o espectador se convence de que está vendo atores de verdade em cena.

O FILHO DE SAUL

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘O Filho de Saul’, do húngaro László Nemes, é o favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Tem como tema o Holocausto, o que, para a Academia, já é uma vantagem e tanto. Mas há que se fazer justiça: se volta a assunto tratado à exaustão, o faz com grande criatividade. Saul é o prisioneiro judeu obrigado a trabalhar como auxiliar dos alemães num campo de extermínio. Entre os corpos, encontra um que supõe ser seu filho e resolve desafiar ordens para lhe dar enterro digno. O filme propõe a imersão do espectador na brutalidade dos campos nazistas. Sufocante.

O MENINO E O MUNDO

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘O Menino e o Mundo’, de Alê Abreu, é o nosso representante no Oscar. Todo mundo sabe que a vitória é difícil, mas, se ganhasse, não haveria qualquer injustiça. Pelo contrário. Construído de maneira artesanal, é uma pequena obra de arte. Fala do estranhamento de um garoto que sai ao mundo em busca do pai e encontra a natureza e as cidades depredadas pela ganância dos homens.

TRUMBO

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

‘Trumbo – Lista Negra’, de Jay Roach, relembra a época da histeria anticomunista nos Estados Unidos, durante a Guerra Fria. Dalton Trumbo e outros profissionais de Hollywood foram colocados sob suspeita de serem comunistas e impedidos de trabalhar. Trumbo (Bryan Cranston) chegou a ser preso, mas comandou uma rede de resistência à intolerância. O filme é uma ode à liberdade de expressão e rende homenagem ao grande roteirista de ‘Spartacus’.

O ABRAÇO DA SERPENTE

Foto: divulgação.

Foto: divulgação.

Talvez o mais complexo de todos os participantes do Oscar, o colombiano ‘O Abraço da Serpente’, de Ciro Guerra, se passa em dois tempos. Um explorador alemão procura, com ajuda de um xamã, a flor que pode curar sua doença. Anos depois, outro viajante refaz seus passos. Mergulho radical no confronto entre o imaginário dos índios sul-americanos e dos europeus colonizadores.

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários