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Feitiço do tempo – um roteiro por locais da cidade voltados à fotografia analógica

Redação Divirta-se

28 agosto 2014 | 18:19

A paixão pela fotografia analógica ainda resiste e ganha cada vez mais adeptos.
Selecionamos  12 locais da cidade para você entrar nesse clima

  
ABRE_1.jpgRETRÔ| Toalha com crochê destaca as câmeras fotográficas de dona Ieda 

Você tem um tempinho agora? Se não tiver, deixe para nos ler mais tarde. A reportagem que o Divirta-se preparou esta semana tem tudo a ver com memória – e nada a ver com pressa. É sobre o interesse cada vez maior pelo universo da fotografia analógica. Sim, na época em que imagens digitais são compartilhadas quase que instantaneamente e ‘selfies’ registram grandes e pequenos momentos, tem muita gente interessada no estilo ‘antigo’ de se fotografar. Aquele em que cada cena é minuciosamente estudada e registrada em filme – sem botões para deletar.
Nas próximas páginas, apresentamos lugares em que você pode comprar e consertar câmeras antigas; revelar filmes; participar de cursos e passeios temáticos; e até ver exposições de importantes fotógrafos. E visitando esses locais, conhecemos personagens encantadores, que dividiram (com calma) suas experiências.

 

 

 

 
 

A MÁQUINA

História de Vida
Em 1958, Ieda, professora primária, saiu de Mococa, no interior de São Paulo, e veio estudar artes na Faap. Nos fins de semana, a jovem fazia passeios pelo Centro, as chamadas ‘domingueiras’. Em uma delas, rumo aos magazines, entrou em um café para despistar um automóvel que a seguia. Mas Frederico, o motorista, não desistiu: foi até o café e lhe pagou a conta.
A história do casal Ieda e Frederico Matzner cresceu junto com a Optimar – loja que ele fundou sete anos antes de conhecê-la, e que se tornou referência no conserto de câmeras fotográficas. Há cinco meses, Frederico morreu – mas Dona Ieda continua à frente do negócio. Hoje, o local não só conserta mas também vende máquinas antigas, como Rolleiflex, Leica e Zeiss. E a própria dona Ieda restaura estojos de couro e outros acessórios para guardar os equipamentos. Av. Cásper Líbero, 58, 1º andar, sala 104, Centro, 3228-7678. 9h30/ 15h30 (fecha sáb. e dom.).

O senhor das máquinas
Celso Eberhardt é especialista em Leica, mas conserta máquinas fotográficas de todas as marcas. “Há problemas de má conservação, uso negligente e quedas”, conta o mecânico, que possui um estoque próprio de peças e chega a fabricá-las quando necessário. R. São Bento, 279, 5º andar, sala 508, Centro, 3104-5402. 9h/17h (fecha sáb. e dom.).

Olho na lente
José Peres Fernandes restaura, principalmente, lentes teleobjetivas – mesmo com dificuldades. “A indústria não se preocupa com peças de reposição”, comenta o sr. Peres. Perto de sua oficina está a Rua Conselheiro Crispiniano, onde se vendem filmes. R. Sete de Abril, 125, 1º andar, sala 112, Centro, 3259-2387. 7h30/18h30 (sáb., 7h30/13h; fecha dom.).

 

A REVELAÇÃO

Persistência e contato
Rosângela Andrade era adolescente quando conseguiu emprego em um laboratório de foto. Nunca mais parou de revelar filmes. Nem mesmo quando Cristiano Mascaro, famoso fotógrafo e seu amigo, lhe disse que seria inevitável a migração para o digital. Em março, ela abriu o Clube do Analógico.
Toda 4ª, às 14h, o local promove o curso ‘Memória de Outros Tempos’, voltado à terceira idade (R$ 290/mês). No dia 5/9, às 20h, o projeto ‘Foto +’ (R$ 40) relaciona a fotografia com outras áreas – desta vez, o convidado é o psicólogo Ari Germano. Há também oficinas de pinhole, construindo câmeras com latas e caixas.
O espaço também tem dois laboratórios de fotos PB: um aceita encomenda para revelações; o outro é usado pelos sócios do clube. A intenção de Rosângela é que haja “um contato mais físico e menos tecnológico”. Ah, e ela só aceita inscrições pessoalmente. R. Arruda Alvim, 195, Pinheiros, 3083-2461. 10h/19h (fecha sáb. e dom.).

Preservação
Há 30 anos, Silvio Pinhatti trabalha com revelação em preto e branco. Faz tudo manualmente, inclusive correções com pincel após a ampliação (tarefa que leva até quatro dias). “Nos últimos anos a preocupação é fazer um banho de proteção que dura 200 anos”, explica o laboratorista. R. Joaquim Antunes, 509, Pinheiros, 3083-2276. 9h/18h (fecha sáb. e dom.).

Cores analógicas
Paulo Rogério Pinheiro, conhecido como Gibo, trabalha só com filmes coloridos. No começo, fazia trabalhos para editoras e artistas. Hoje, sua clientela é formada por artistas e pessoas que têm a foto como hobby. “Tem jovem que nasceu na era digital e é fascinado pelo analógico.” R. Bernarda Luiz, 112, V. Beatriz, 3021-3269. 10h/19h (fecha e dom.).

 

O ESPAÇO

  Vendedor de histórias
Na Galeria FASS, que reúne importante acervo de fotografias de época, as obras chegam a custar R$ 50 mil. Mas você não precisa comprá-las para ir ao espaço fundado por Pablo Di Giulio – o local, pequeno e charmoso, tem exposições gratuitas.
Fotógrafo de moda por 20 anos, Pablo acreditava que o visor na parte de cima da Roleiflex era perfeito para retratos, pois não intimidava tanto as modelos. E apostou na marca (tem seis câmeras) até mesmo em desfiles em que só haviam cliques digitais.
Em 2007, passou de fotógrafo a galerista. Atualmente, exibe obras que German Lorca produziu durante uma de suas viagens a Nova York. A mostra também inclui um painel com ampliações originais coladas pelo próprio Lorca.
“Cada imagem tem uma história, traduz um tempo, uma técnica de revelação, comenta Pablo. R. Rodésia 26, V. Madalena, 3037- 7349. 11h/ 19h (sáb., 11h/ 17h; fecha dom.).
Tempo e espaço
Instalada em um casarão restaurado do fim do século 19, a Casa da Imagem preserva uma coleção com 84 mil fotos documentais da cidade. O espaço também faz exposições abertas ao público – a próxima será em outubro, com obras de artistas contemporâneos como Caio Reisewitz. Vale esperar. R. Roberto Simonsen, 136-B, Centro, 3106-5122.

Imagens misturadas
Especializada em fotografia artística, a Fauna Galeria exibe, até 6/9, ‘Outros Entre Outros’. A exposição, com obras de sete artistas, apresenta criações contemporâneas, ligando a técnica a outras mídias – como pintura, escultura, desenho e cinema. Al. Gabriel Monteiro da Silva, 470, Jd. América. 3668- 6572. 14h/ 19h (sáb., 11h/17h; fecha dom. e 2ª).

 

A IMAGEM

 Mídia digital
O gosto por câmeras antigas não exclui a troca de experiências por meios digitais como a internet. Pelo contrário. O site Queimando Filme (http://www.queimandofilme.com/), fundado pelo gerente de marketing André Corrêa, recebe 2.500 visitas ao dia. <EM>Na página, é possível encontrar informações sobre tipos de filmes, câmeras e lentes; e também locais para comprar, consertar e revelar. Há ainda posts bem didáticos que falam sobre técnicas para se fotografar – por exemplo, como ajustar o nível de exposição correto do filme, e como registrar objetos em movimento.
O site também organiza passeios fotográficos em várias cidades, como o ‘FilmePalloza’ – que, no último fim de semana, ocorreu em Brasília.
Quanto às vantagens das técnicas antigas, André defende: “Profissionalmente falando, o digital é muito melhor. Mas a fotografia analógica é como um prato que você prepara em casa. Tem o prazer de ser autoral.”

Registrando
O Foto Cine Clube Bandeirantes, criado há 75 anos, ainda organiza ações. O próximo passeio fotográfico será no Desfile de Sete de Setembro, no Anhembi. “Antes da atividade, conversamos sobre segurança”, diz o presidente José Luiz Pedro. R. Augusta, 1.108, Consolação, 3214- 4234. 11h/13h e 14h/19h (sáb., 14h/ 18h; fecha dom.). Grátis. www.fotoclub.art.br

Compartilhando
No projeto Fotroca – que tem edição neste sábado (30), às 10h – a ideia é compartilhar imagens e histórias de vários parques. “Cada pessoa conta a memória da foto levada, que fica em um varal. No final, há uma troca”, conta a organizadora Paula Dias. Pq. Ibirapuera. Caixa D’água. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3.
Grátis. www.facebook.com/heysampa

 

 

 PRODUÇÃO DE CAPA