As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Em 'Um Amor em Paris' Isabelle Huppert interpreta esposa infeliz

Redação Divirta-se

18 Setembro 2014 | 14h57

Durante sua recente visita a São Paulo, num encontro com o público, Isabelle Huppert anunciou que já tem engatilhado novo projeto com Marc Fitoussi. E não poupou elogios ao diretor de Um Amor em Paris, que estreou ontem na cidade. Isabelle, grande atriz de teatro e cinema, já foi Madame Bovary para Claude Chabrol. A sombra da heroína de Gustave Flaubert não deixa de se projetar sobre sua nova personagem.

O filme conta a história de uma mulher insatisfeita, como Emma Bovary. Brigitte (Isabelle) é casada com Xavier, interpretado por Jean-Pierre Darroussin, ator frequente no elenco do cineasta de Marseille, Robert Guédiguian.

Brigitte não anda muito feliz da vida com seu casamento, que parece estagnado. A grande crise explode quando ocorre uma festa na casa ao lado, e ela se sente atraída por um convidado. O casal vive numa cidadezinha da Normandie. O cara é de Paris. Brigitte, arranjando um pretexto qualquer, vai atrás dele. O marido, pressentindo alguma coisa, vai atrás.

Embora seu enredo não seja exatamente original, Fitoussi tira bom proveito de tudo. Dos diálogos e das situações, que vão revelando o casal e seu entorno; dessa Paris cosmopolita que parece propícia ao adultério de Brigitte; da trilha que mistura jazz e pop em boas medidas, e principalmente do elenco. Isabelle chegou a desmentir Fitoussi. Ele disse para o repórter que é muito aberto às improvisações dos atores. Chegou a sugerir que Isabelle e Darroussin tiveram toda liberdade para reinventar seus diálogos. Ela retrucou que o filme é completamente escrito e que Fitoussi fazia questão de filmar tal qual.

E Isabelle chegou a brincar. Não é por ser uma simples – aparente? – comédia romântica da meia-idade que um filme deixa de ser elaborado, pensado nos detalhes. Fitoussi é craque na observação humana e arte social. Mas é um milagre que, com toda sua inventividade, a química de seu filme funcione tão bem. ‘Um Amor em Paris’ é o que o novo Woody Allen não consegue ser. Luiz Carlos Merten