É Tudo Verdade chega à 23ª edição e exibe documentários de mais de 20 países
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É Tudo Verdade chega à 23ª edição e exibe documentários de mais de 20 países

Redação Divirta-se

12 Abril 2018 | 17h21

Filme sobre Adoniran Barbosa é um dos destaques. Foto: É Tudo Verdade

Maior festival de documentários da América Latina, o 23º É Tudo Verdade exibe gratuitamente, até 22/4, 50 produções de mais de 20 países. Segundo seu fundador, Amir Labaki, a programação – menor em 2018 – não indica uma baixa na produção do gênero. Pelo contrário. “O número de inscritos subiu novamente, passando de 1.600 títulos. A seleção mais enxuta visa readequar o festival a restrições orçamentárias”, diz ele. Além das tradicionais mostras competitivas, esta edição, que abre com ‘Adoniran – Meu Nome É João Rubinato’ (CCSP: 5ª, 19/4, 17h; Sesc 24 de Maio: 22/4, 11h), homenageia a americana Pamela Yates e traz ainda uma seleção online de filmes.
André Carmona e Renato Vieira

Centro Cultural São Paulo (CCSP). R. Vergueiro, 1.000, metrô Vergueiro, 3397-4002.
Instituto Moreira Salles (IMS). Av. Paulista, 2.424, metrô Consolação, 2842-9120.
Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, metrô Brigadeiro, 2168-1777.
Sesc 24 de Maio. R. 24 de Maio, 109, metrô República, 3350-6300.

AMIR LABAKI ESTÁ NO PAPO

O diretor do É Tudo Verdade falou ao Divirta-se sobre o festival:

Como anda a produção mundial de não ficção e como o Brasil se encaixa nesse panorama?
Nunca o documentário foi mais diverso, em forma e tema, e esteve mais presente no cardápio audiovisual do público, seja em salas, TVs ou online. A produção brasileira se encontra entre as mais inovadoras e renomadas – acho que ao lado das de China, Dinamarca, EUA e França.

Qual é a grande novidade da 23ª edição do evento?
Há uma presença recorde nesses anos 2000 de três obras dirigidas por cineastas brasileiros entre os 12 selecionados para a competição de longas internacionais. E um número maior de longas brasileiros faz sua estreia no festival este ano (são 14, enquanto, no ano passado, foram 11). No geral, é uma safra forte, tanto brasileira quanto internacional.

Como você vê a importância de Pamela Yates?
Há mais de 30 anos, Pamela ‘reenergiza’ o gênero. Seus filmes combatem atrocidades e violações dos direitos humanos, combinando depoimentos e registros históricos.

COMPETIÇÃO BRASILEIRA

‘Espera’. Foto: É Tudo Verdade

+ Alguém que espera um trem ou um ônibus. Alguém que espera a vez na fila do pão. Alguém que espera o amor de sua vida. Alguém que espera seus problemas se dissiparem com o tempo. As pessoas estão esperando algo ou alguém a todo momento. E, em Espera (foto acima), o diretor Cao Guimarães explora justamente o tema, registrando-o em suas mais diversas e triviais manifestações. IMS: sáb. (14), 19h e 21h. Sesc 24 de Maio: 20/4, 13h.

+ No feriado de 1º de maio de 1981, durante um show no Riocentro, um atentado a bomba frustrado, que buscava incriminar grupos de esquerda, mostrou uma das mais perversas facetas da ditadura militar. Quase quatro décadas depois, Silvio Da-Rin investiga a história em Missão 115. Sesc 24 de Maio: 5ª (19), 13h.

+ Por meio de imagens de arquivo e entrevistas, Mario Abbade busca, em Neville D’Almeida –Cronista da Beleza e do Caos, resgatar a importância do artista plástico e cineasta do ‘cinema marginal’, desde seus grandes êxitos até o presente. IMS: 3ª (17), 19h e 21h. Sesc 24 de Maio: 20/4, 15h.

‘Ex-Pajé’. Foto: É Tudo Verdade

+ A história de Perpera, um Ex-Pajé (foto acima) do povo Paiter Suruí que passou a questionar sua fé após entrar em contato com o homem branco, é tema do filme de Luiz Bolognesi. A partir do personagem, que viveu na floresta durante duas décadas, o diretor discute questões culturais e conceitos como etnocídio. IMS: 5ª (19), 19h e 21h. Sesc 24 de Maio: 21/4, 15h.

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

+ O diretor argentino Fernando Birri retornou ao país nos anos 1990 para rodar um documentário sobre o 30º aniversário da morte de Che Guevara. Carmen Guarini decidiu registrar esse e outros momentos ao lado do mestre. E o resultado é Amarra Seu Arado a Uma Estrela. IMS: hoje (13), 17h. Itaú Cultural: 4ª (18), 15h; 5ª (19), 17h. CCSP: 20/4, 19h.

‘Aquele Verão’. Foto: É Tudo Verdade

+ Em 1972, Peter Beard (na foto acima, à esq.) iniciou, com Lee Radziwill, irmã de Jackie Kennedy, um documentário sobre as Beale – mãe e filha que são parentes de Lee. A ideia era mostrar a vida extravagante de uma família falida de Nova York. Agora, o sueco Göran Hugo Olsson (na foto acima, à dir.) resgata as imagens em Aquele Verão. CCSP: 4ª (18), 19h. IMS: 5ª (19), 17h.

+ Com direção de Ellen Bruno e Jay Rosenblatt, Filmmakers Unite: Uma Resposta Coletiva ao Governo dos Estados Unidos é um filme colaborativo, dividido em 12 episódios, que visa documentar diversos pensamentos e sentimentos a respeito da atual situação política americana e do presidente Donald Trump. IMS: 3ª (17), 15h. CCSP: 5ª (19), 15h.

+ Inspirado por ‘As Canções’, filme de Eduardo Coutinho, o documentário Canções em Pequim, da diretora Milena de Moura Barba, revela a importância do ato de cantar para a sociedade chinesa. No longa, 14 moradores de Pequim interpretam músicas e relatam a relevância delas para seu crescimento pessoal. IMS: sáb. (14), 15h. CCSP: 22/4, 17h.

COMPETIÇÃO LATINO-AMERICANA

Não Viajarei Escondida. Foto: É Tudo Verdade

+ Participante de movimentos políticos, artísticos e intelectuais, a escritora e poeta uruguaia Blanca Luz Brum (1905-1985) tem sua trajetória contada em Não Viajarei Escondida (foto), terceiro  documentário de Pablo Zubizarreta. Notória viajante, Brum foi seguidora do peruano José Carlos Mariátegui, pensador marxista, e também apoiou o governo do general Augusto Pinochet no Chile. Itaú Cultural: 3ª (17), 19h; 20/4, 15h.

Roubar Rodin. Foto: É Tudo Verdade

+ Roubar Rodin (foto) joga luz sobre aquele que é tido como o maior roubo de arte na história do Chile. Em junho de 2005, uma escultura de Auguste Rodin desapareceu do Museu Nacional Chileno de Belas Artes. No dia seguinte, um estudante a devolveu e admitiu o roubo, afirmando que se tratava de uma performance. Esse enredo faz com que o filme de Cristóbal Valenzuela explore os dilemas da arte contemporânea. Itaú Cultural: 3ª (17), 17h; 20/4, 19h.

+ Na Colômbia, um bonito bairro colonial, habitado por famílias tradicionais, acaba se transformando em lar de milhares de sem-teto e traficantes de drogas. Essa é a premissa de Cartucho, de Andrés Chaves Sánchez. Itaú Cultural: 3ª (17), 15h; 5ª (19), 19h.

+ Em Regresso à Origem, a diretora María José Glender de Mucha retrata um homem de 60 anos que decide viver nas montanhas. Nessa jornada, ele busca respostas para suas questões e lida com a solidão. Itaú Cultural: 4ª (18), 17h; 22/4, 15h.

+ Em dezembro de 1965, Ernesto Che Guevara sumiu. Che, Memórias de um Ano Secreto, de Margarita Hernandez, propõe-se a desvendar o que aconteceu com ele. IMS: 4ª (18), 19h e 21h. Itaú Cultural: 20/4, 17h; 21/4, 15h. Sesc 24 de Maio: 22/4, 13h.

PROGRAMA ESPECIAL

+ De Renato Brandão, Quando as Luzes das Marquises se Apagam – A História da
Cinelândia Paulistana retoma as antigas salas de cinema das avenidas São João e Ipiranga. Sesc 24 de Maio: 3ª (17), 13h; 21/4, 17h. IMS: 4ª (18), 15h. CCSP: 20/4, 17h.

+ Com imagens de arquivo exclusivamente em cores, 68 faz uma síntese do intenso ano de 1968, com eventos que marcaram a história em países como França, Estados Unidos e Vietnã. Patrick Rotman é o diretor. IMS: 20/4, 17h. Itaú Cultural: 22/4, 17h.

O Processo. Foto: É Tudo Verdade

+ Dirigido por Maria Augusta Ramos, O Processo (foto) acompanha os acontecimentos que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A cineasta filmou 450 horas de material, incluindo discussões e reuniões a portas fechadas de Dilma com lideranças do PT e com seu advogado, José Eduardo Cardozo. No domingo (15), após a sessão das 20h, a diretora conversa com o público. IMS: dom. (15), 17h e 20h.

HOMENAGEM A PAMELA YATES

500 Anos. Foto: É Tudo Verdade

+ Ativista dos direitos humanos, a documentarista americana Pamela Yates dirigiu filmes sobre crimes de guerra e genocídios. No evento, ela é homenageada com sessões de sua trilogia sobre a Guatemala. O longa mais recente é 500 Anos (foto) – com exibições no IMS, na 3ª (17), às 17h, e no Sesc 24 de Maio, na 4ª (18), às 13h. A produção foca eventos como o julgamento do ex-ditador Ríos Montt e o movimento que derrubou o presidente Otto Pérez Molina, pela perspectiva do povo maia. Após a exibição no Sesc, Yates conversa com o público.

CURTAS-METRAGENS

Sobre Imagem e Semelhança; Foto: É Tudo Verdade

+ Os curtas nacionais e estrangeiros foram agrupados em dois blocos de exibição para cada categoria, com vários filmes em sequência. O brasileiro Sobre Imagem e Semelhança (foto), de Felipe Tomazelli e Ricardo Martensen, tem sessões na 5ª (19) às 15h, no IMS, e às 19h, no Sesc 24 de Maio. O filme, sobre uma comunidade isolada e suas práticas para se manter autônoma, ainda é exibido dia 21/4, às 19h, no CCSP. Já o americano As Elegias do Kodachrome, de Jay Rosenblatt, sobre o fim da fabricação do filme fotográfico da Kodak, pode ser visto na 3ª (17), às 13h, no IMS; na 4ª (18), às 17h, no CCSP; e em 21/4, às 21h, no Sesc 24 de Maio.

PARA VER EM CASA

Pelo site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br), o público poderá ver, entre 3ª (17) e 22/4, filmes que participaram de edições anteriores do evento. As produções destacam o trabalho de cineastas mulheres e são comentadas por Amir Labaki. Uma delas é Domingos, primeiro longa de Maria Ribeiro, sobre o cineasta Domingos de Oliveira. Carmen Miranda, Banana Is My Business, dirigido por Helena Solberg, conta a história da Pequena Notável. E Dona Helena, de Tatiana Toffoli, documenta a trajetória da violeira sul-mato-grossense Helena Meirelles. Ela foi considerada pela revista Guitar Player uma das melhores guitarristas do mundo.

Confira salas e horários de todos os filmes em cartaz no Guia de Cinema do Divirta-se.