Divirta-se: selecionamos os principais destaques da 41ª Mostra Internacional de Cinema
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Divirta-se: selecionamos os principais destaques da 41ª Mostra Internacional de Cinema

Redação Divirta-se

19 Outubro 2017 | 16h05

Foto: Ai Weiwei Production

Até 1º/11, a 41ª Mostra Internacional de Cinema ocupa 40 salas da capital. Ao todo, serão exibidos 394 títulos de cerca de 60 países – entre filmes contemporâneos premiados, clássicos restaurados, retrospectivas e homenagens.

Além de assinar o cartaz do evento, Ai Weiwei estreia por aqui o documentário ‘Human Flow’ (foto acima), sobre refugiados. O tema, aliás, aparece em pelo menos 12 produções selecionadas. Há também um programa voltado ao cinema suíço e muitos filmes latinos.

Em tempo: confirme as sessões antes de sair de casa (41.mostra.org), pois a programação pode sofrer alterações. André Carmona (com colaboração de Humberto Abdo, Luiz Carlos Merten, Luiz Zanin Oricchio e Ubiratan Brasil)

INGRESSOS E PACOTES

– Ingresso avulso: R$ 20 (2ª a 5ª) / R$ 24 (6ª, sáb. e dom.)
– Permanente Integral: R$ 500
– Permanente Especial: R$ 117 (para sessões de 2ª a 6ª, até 17h55)
– Pacote 40 ingressos: R$ 374
– Pacote 20 ingressos: R$ 220

Central da Mostra. Conj. Nacional. Av. Paulista, 2.073, metrô Consolação. 11h/21h. Até 1º/11. Ingressos avulsos são vendidos nas salas e pelo site

HOMENAGEADOS

Foto: Fênix Filmes

+ Ícone do feminismo, Agnès Varda é homenageada com o Prêmio Humanidade. ‘Visages, Villages’ (2017; foto acima), parceria com o fotógrafo JR, é sua produção mais recente. Juntos, eles embarcam no caminhão fotográfico de JR para documentar histórias diversas. Frei Caneca: 22/10, 17h30. Cinesesc: 24/10, 22h30. Itaú Augusta: 26/10, 19h50. Sesc Belenzinho: 27/10, 19h.

+ O artista chinês Ai Weiwei é um dos grandes destaques da Mostra. Presente na seleção competitiva do Festival de Veneza, seu mais recente documentário, ‘Human Flow – Não Existe Lar se Não Há Para Onde Ir’, que aborda a crise dos refugiados de maneira íntima e detalhada, é exibido pela primeira vez no Brasil. O longa foi filmado em 23 países, ao longo de um ano. Frei Caneca: 20/10, 17h50. Itaú Augusta: 28/10, 17h15.

+ O francês Paul Vecchiali vem a São Paulo para receber o Prêmio Leon Cakoff. Além da exibição de oito longas restaurados, o diretor faz, aqui, a estreia mundial de seu novo filme, ‘Os 7 Desertores’. No enredo, quatro homens e três mulheres vivem em uma aldeia em ruínas, após terem desertado. Cinesesc: 23/10, 21h15. Reserva Cultural: 25/10, 16h15. Frei Caneca: 26/10, 22h; 27/10, 17h45. Itaú Augusta: 29/10, 18h10.

+ Quem também receberá o Prêmio Leon Cakoff é o ator, diretor e roteirista Paulo José. Clássicos em que ele atuou – como ‘O Homem Nu’, de Hugo Carvana; ‘Macunaíma’ e ‘O Padre e a Moça’ (foto), ambos de Joaquim Pedro de Andrade – serão exibidos na programação gratuita que ocupa o vão-livre do Masp. No último, um padre recém-ordenado se envolve com uma jovem da pequena cidade onde vive. ‘O Padre e a Moça’: 24/10, 19h30. ‘O Homem Nu’: 26/10, 19h30. ‘Macunaíma’: 28/10, 19h30.

FOCO SUÍÇA

+ Já é tradição. Todo ano, a Mostra destaca um país para homenagear sua produção cinematográfica. Em 2017, o escolhido foi a Suíça. Um de seus nomes mais consagrados é o franco-suíço Jean-Luc Godard. Mas ele não é o único. Seu contemporâneo Alain Tanner (foto abaixo) também integra a seleção de grandes diretores do país europeu. No evento, o cineasta será contemplado com uma retrospectiva – serão exibidos sete longas, com o melhor de sua filmografia. Entre eles, está ‘A Anos-luz’ (1981), que narra o encontro de um garoto de 17 anos, vivendo sozinho na cidade grande, e um ancião, considerado por todos um homem louco. MIS: 25/10, 18h10. IMS: 31/10, 14h.

Foto: Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

+ O evento também traz para a programação um filme inédito do cineasta Jean-Luc Godard, de 1986, concebido especialmente para a TV francesa. Ascensão e Queda de uma Pequena Produtora de Cinema conta a história do produtor Jean Almereyda, dividido entre o desejo de agradar a sua mulher, que sonha em ser estrela de cinema, e um famoso diretor. Frei Caneca: 28/10, 17h15; 1º/11, 15h30. Reserva Cultural: 30/10, 19h45. Splendor Paulista: 31/10, 22h. 

+ Além de clássicos, o Foco Suíça também apresenta a produção contemporânea do país. Dirigido por Jacob Berger, Um Judeu Deve Morrer é ambientado numa pequena cidade do interior, durante a 2ª Guerra Mundial. Na trama, um grupo de jovens, que quer chamar a atenção de Hitler, passa a aterrorizar a vida de um famoso criador de gado local. E o homem será morto só para servir de exemplo. Caixa Belas Artes: 24/10, 18h; 26/10, 19h50. Reserva Cultural: 25/10, 20h.

EXIBIÇÕES ESPECIAIS

Foto: Hal Roach Studios

+ Após o término oficial da Mostra, a Orquestra Jazz Sinfônica faz a trilha sonora de uma sessão gratuita ao ar livre, no Parque Ibirapuera, de O Homem Mosca. No filme de 1923, Harold Lloyd protagoniza uma das cenas mais icônicas na história do cinema mudo (foto acima). Ao longo da programação, o evento contará com outras exibições especiais, em várias salas – entre elas, ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’, dirigido por Marcelo Gomes e que venceu o prêmio do júri de melhor filme na 29ª Mostra. ‘O Homem Mosca’: Auditório Ibirapuera (plateia externa). 3/11, 20h.

REALIDADE VIRTUAL

Foto: Tadeu Jungle

+ Produzidos com a tecnologia imersiva de realidade virtual, 19 curtas serão exibidos, gratuitamente, a grupos de até sete pessoas, que podem escolher um título por sessão. Entre eles, Rio de Lama (foto acima), sobre o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), e ‘Fogo na Floresta’, que retrata o cotidiano do povo Waurá, no Mato Grosso – ambos do diretor Tadeu Jungle. Cinesesc: 20/10 a 1º/11, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h.

INDICADOS AO OSCAR 2018

Foto: Rei Cine

Já se tornou habitual a Mostra exibir filmes que concorrem a uma indicação entre os finalistas do Oscar de melhor produção estrangeira. Neste ano, são 14 obras – lembrando que, no total, 92 produções estão na briga, um recorde na história da estatueta, e, entre elas, o brasileiro ‘Bingo, o Rei das Manhãs’.

A Mostra traz uma seleção forte. A começar pelo concorrente sueco, The Square, considerado o grande favorito ao Oscar. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, narra as desventuras de um curador de museu e o caos criado por uma campanha para promover a mais nova exposição do espaço. Uma comédia romântica para se ver.

Também obrigatório é o concorrente argentino, Zama (foto acima), de Lucrecia Martel. Conta a história de um oficial da Coroa Espanhola nascido na América do Sul, que espera por uma carta do Rei concedendo-lhe a transferência da cidade onde está estagnado para um lugar melhor. Uma investigação sobre a época colonial argentina, o filme trata de um tema caro: de tanto pensar no futuro, o personagem esquece de viver o presente.

O sempre poderoso Michael Haneke está de volta com Happy End, representando a Áustria. O título é uma ironia – o patriarca de uma família (Jean-Louis Trintignant) vive preso a uma cadeira de rodas, ao lado da filha (Isabelle Huppert). Nem a volta do filho (Mathieu Kassovitz) quebra o clima de incomunicabilidade reinante na casa. Sufocante.

Instigante é ainda O Motorista de Táxi, que representa a Coreia do Sul. Um jornalista estrangeiro vai ao interior para passar o dia e lá descobre a cidade tomada pelo governo militar, com os cidadãos, liderados por um grupo de estudantes, pedindo liberdade. O ritmo é angustiante. Destaque ainda para o filme russo Loveless, de Andrey Zvyagintsev, e o venezuelano El Inca, de Ignacio Castillo Cottin. Ubiratan Brasil

‘Zama’: Itaú Augusta. 22/10, 20h45. Cinearte. 23/10, 18h. Frei Caneca. 31/10, 13h30.

MOSTRA BRASIL

Foto: Katásia Filmes

No oceano de filmes da Mostra de 2017, há um mar à parte a ser desbravado – o dos filmes nacionais. São 64 longas-metragens, o que, em si, já é boa notícia, pois revela produção estável e viva, mesmo em tempo de crise.

Numa primeira olhada, destaca-se um número: 19 deles são assinados por mulheres, prova da presença feminina cada vez maior na direção, outra boa notícia. Alguns desses filmes já tiveram início de carreira em festivais brasileiros, ou no exterior, e foram muito bem recebidos, o que cria expectativa favorável.

A título de exemplos, podemos citar Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa, premiado na Semana da Crítica em Cannes; As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, prêmio especial do júri em Locarno, e Pela Janela, de Caroline Leone, prêmio da crítica internacional em Roterdã.

São três ótimos filmes, com temas e linguagens cinematográficas muito diferentes entre eles, prova da vitalidade do cinema de autor brasileiro.

Entre tantos destaques, convém ficar de olho em Arábia (foto acima), de Affonso Uchôa e João Dumans, vencedor do há pouco encerrado Festival de Brasília. É um raro filme de ficção sobre a condição proletária, em que a questão social mescla-se a beleza e poesia.

Entre as atrações nacionais, há muitos documentários, gênero que cresceu de maneira exponencial nos últimos anos. Callado, de Emília Silveira, tem como personagem o escritor de romances como ‘Quarup’, ‘Bar Don Juan’ e ‘Reflexos do Baile’. Henfil, de Angela Zoé, resgata a figura do genial cartunista que usava sua pena para desafiar a ditadura. Todos os Paulos do Mundo, de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro, homenageia a carreira do ator Paulo José, uma (rara) figura da luz em tempo de trevas. Variedade é o que não falta à produção nacional. Nem qualidade, como se verá. Luiz Zanin Oricchio

‘Arábia’: Frei Caneca. Hoje 20/10, 21h; 26/10, 17h40. Reserva Cultural. 21/10, 15h50.

PREMIADOS EM FESTIVAIS

Foto: SPUTNIK OY

Maior evento de cinema do País, a Mostra tem se pautado, ao longo dessas 41 edições, para ser uma vitrine do melhor da produção mundial. Aqui, você sabe que vai ver um panorama das tendências em voga, e até das vanguardas. Há filmes que chegam avalizados por grandes festivais – e por Cannes, o maior de todos.

A Mostra exibe pela primeira vez no Brasil o vencedor de Cannes deste ano. The Square, do sueco Ruben Östlund, ganhou a Palma de Ouro – a despeito do presidente do júri. Na coletiva, Pedro Almodóvar deixou claro que preferia outros(s) filme(s). Mas ‘The Square’ levou, e também ficou claro que quem bancou a Palma foi outro jurado, o também diretor Paolo Sorrentino.

Um museu de arte moderna, uma performance, e vem à tona o pior das pessoas. Há uma boa dose de cinismo em ‘The Square’ – o cinismo da sociedade, ou o de uma parcela considerável da arte contemporânea? Velhos humanistas, talvez nostálgicos de uma esquerda (em crise?), podem preferir O Outro Lado da Esperança (foto acima), a tragédia dos refugiados vista pelo finlandês Aki Kaurismäki. O filme recebeu o prêmio de direção em Berlim. Kaurismäki ficou tão indignado, ou estava tão bêbado, que não se dignou a subir ao palco. O Urso de Prata lhe foi entregue na plateia.

O russo Andrey Zvyagintsev ganhou o prêmio do júri em Cannes por Loveless. Um casal em crise, o filho que desaparece. Um soco no estômago não nocauteia tanto. O francês Alain Gomis venceu o grande prêmio do júri em Berlim por Félicité. Uma cantora em Kinshasa, seu filho que sofre um acidente. Um belo retrato de mulher – mãe e artista, além do mais.

A arte também está no centro de Esplendor, com o qual a japonesa Naomi Kawase venceu o prêmio do júri ecumênico em Cannes. E, claro, toda atenção para As Boas Maneiras, com o qual Marco Dutra e Juliana Rojas venceram a Première Brasil, no Festival do Rio. Luiz Carlos Merten

‘O Outro Lado da Esperança’: Reserva Cultural. 20/10, 22h15. Frei Caneca. Dom. 22/10, 21h30; 30/10, 13h30. Splendor Paulista: 29/10, 15h40.

ALGUNS TEMAS RECORRENTES

+ Documentários e roteiros de ficção abordam aspectos vividos por refugiados. Lutando Através da Noite (foto abaixo), de Sylvain L’Espérance, revela as condições atuais da Grécia, ameaçada por uma economia totalitária. Em ‘Antes que o Verão Acabe’, de Maryam Goormaghtigh, um homem decide voltar ao Irã após anos na França, mas amigos tentam dissuadi-lo. E ‘Grão’, de Semih Kaplanoglu, se passa numa cidade protegida de imigrantes por muros magnéticos. ‘Lutando Através da Noite’: Frei Caneca. 20/10, 16h40; 1º/11, 15h20. CCSP. 22/10, 16h30.

Foto: Les Films du Tricycle

+ Também são frequentes biografias. O Jovem Karl Marx, de Raoul Peck, explora o exílio do filósofo em Paris, onde conhece Engels. ‘Django’, de Étienne Comar, fala do violonista de jazz francês. E ‘Com Amor, Van Gogh’, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman, foi todo feito a partir de pinturas de tinta a óleo sobre tela. ‘O Jovem Karl Marx’: Splendor Paulista. Sáb. 21/10, 21h10. Cinearte. Dom. 22/10, 21h50. Frei Caneca. 29/10, 17h15; 30/10, 19h20. Itaú Augusta. 31/10, 21h.

+ Dilemas do universo LGBT são tema de filmes como Quase Lá, de Jacqueline Zünd, não ficção sobre três homens que viajam em busca de felicidade. ‘O Beijo no Asfalto’, baseado em Nelson Rodrigues, tem direção de Murilo Benício e elenco que inclui Lázaro Ramos e Débora Falabella. Já ‘Djam’, de Tony Gatlif, narra a jornada de duas jovens – uma grega, outra francesa. ‘Quase Lá’: Marabá. 24/10, 17h. Reserva Cultural. 25/10, 18h. Frei Caneca. 26/10, 17h.

PERSPECTIVA INTERNACIONAL

Foto: Upside Distribution

+ Em Jericó, O Infinito Voo dos Dias (foto acima), a diretora colombiana Catalina Mesa apresenta o povoado homônimo de seu país. Entre planos abertos e fechados, são detalhados o cotidiano do vilarejo, as vibrantes cores de sua arquitetura e a vastidão paisagística da região. O tom poético não arrefece quando, na sequência, são introduzidos os personagens do documentário – mulheres de diferentes condições e idades, que revelam um retrato da vida feminina ali. Caixa Belas Artes: 20/10, 17h50. Marabá: 22/10, 12h30.

+ Isidro Velázquez foi um mítico bandido argentino. Morto em 1967, ele inspirou o livro ‘Formas Pré-revolucionárias de Violência’, do sociólogo Roberto Carri, e também um filme, que foi perdido. Décadas depois, a cineasta Albertina Carri, filha de Roberto, retoma o tema em Cuatreros. O documentário, que mescla imagens de arquivo e texto verborrágico, aborda a fama de Isidro e o descuido com a memória do cinema local. SPcine Olido: 20/10, 17h. Splendor Paulista: 25/10, 15h45. Cinearte: 26/10, 15h50. Itaú Augusta: 28/10, 19h45.

+ Michael Haneke utiliza a crise dos refugiados como pretexto para satirizar uma típica família burguesa europeia no longa Happy End. Indicado da Áustria ao Oscar 2018, a produção é estrelada por Isabelle Huppert. Splendor Paulista: 27/10, 19h50. Itaú Augusta: 28/10, 21h50. Frei Caneca: 29/10, 19h30. Cinearte: 30/10, 16h10.

The Square, do sueco Ruben Östlund, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, é ambientado em meio à divulgação da nova instalação de um museu, que acaba gerando consequências extremas. Caixa Belas Artes: 25/10, 21h20. Itaú Augusta: 27/10, 17h20. Cinearte: 29/10, 21h15. Frei Caneca: 30/10, 19h20. Cinesesc: 1º/11, 19h10.

+ Vencedor do Festival de Toronto, Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh, traz Frances McDormand na pele de uma mulher que, paradoxalmente, entra para o crime em busca de justiça. Sua filha foi assassinada. E ela não crê na polícia. Cinesesc: 20/10, 22h30. Reserva Cultural: 26/10, 19h30.

COMPETIÇÃO NOVOS DIRETORES

Foto: Werner Cine

+ O Rebanho, do estreante Sebastián Caulier, começa descrevendo a vida de Esteban (Patricio Penna), no interior da Argentina. O rapaz é metido a poeta e sofre bullying no colégio. Parece até filme de comédia. Não é. O cenário se transforma radicalmente quando o jovem conhece o enigmático Gastón (Felipe Ramusio). Juntos, eles vão causar pânico na escola, com pequenos atos de vandalismo. A brincadeira, porém, resulta em uma espiral de violência sem precedentes. Frei Caneca: 21/10, 19h30; 1º/11, 19h50. Cinesala: 22/10, 17h30. Itaú Augusta: 28/10, 14h.

+ A diretora Ana Urushadze, de apenas 27 anos, debuta com um drama que discute o machismo. Destaque do Festival de Locarno e indicado ao Oscar, Scary Mother conta a história de Manana (Nata Murvanidze), uma mulher de meia-idade atormentada pelo impulso criativo da escrita, reprimido há tempos. Ao se render à composição de seu livro, ela precisará lidar com a revolta de seus familiares, principalmente do marido Anri (Dimitri Tatishvili). Frei Caneca: 27/10, 19h; 29/10, 17h10. Splendor Paulista: 21/10, 14h. Itaú Augusta: 24/10, 17h. 

+ O venezuelano Ignacio Castillo Cottin se baseia na vida do boxeador Edwin Valero para filmar El Inca. O esportista teve a vitoriosa carreira interrompida após ser acusado de matar a própria mulher, esfaqueada, em 2010. Splendor Paulista: 23/10, 21h20. Frei Caneca: 25/10, 15h20. Cinearte: 26/10, 15h40. Itaú Augusta: 31/10, 18h30.

+ Em Feio, Juri Rechinsky esboça a ideia de que a existência, ao contrário do que prega a maioria, é um tormento escatológico. A vida de um casal, cujas famílias têm vidas antagônicas, é o ponto de partida para a sombria reflexão. Caixa Belas Artes: 22/10, 19h. Frei Caneca: 24/10, 15h15; 25/10, 20h10. CCSP: 28/10, 18h. Cinearte: 30/10, 22h.

+ Xavier Legrand ganhou como melhor diretor no Festival de Veneza com o filme Custódia. Na trama, em meio ao divórcio, um casal manipula o próprio filho. E a justiça, incapaz, ainda aumenta o sofrimento do garoto. Cinearte: 24/10, 22h. Cinesesc: 25/10, 18h30. Itaú Augusta: 29/10, 19h50. Cinesala: 30/10, 17h30.

NOSSAS APOSTAS

LUIZ CARLOS MERTEN (crítico de cinema do ‘Caderno 2’):

A Oeste do Rio Jordão – “Amos Gitai e a sua urgência de entender a crise do Oriente Médio. Uma arte da entrevista. E o encontro com o garoto palestino que sonha ser mártir. Viver não é melhor?”

O Amante de um Dia – “Último grande autor nouvelle vague, Philippe Garrel filma sua filha, Esther. Um homem maduro, sua amante de 23 anos e a filha, também de 23 anos, que volta a morar com ele.”

O Jovem Karl Marx – “O diretor de ‘Eu Não Sou Seu Negro’, Raoul Peck, faz outro filme contra a corrente. Marx, Engels e a criação do Manifesto Comunista. ‘Um fantasma ronda a Europa’…”

Slam: Voz do Levante – “Tatiana Lohmann, Roberta Estrela d’Alva e os campeonatos performáticos de poesia falada que eletrizam a periferia. Dar voz a quem não tem. Expressar a revolta.”

Zama – “Lucrecia Martel demorou quase dez anos para fazer esse filme, sobre um obscuro funcionário do colonialismo espanhol no Novo Mundo. ‘Zama’ou a espera que se transforma num pesadelo.”

LUIZ ZANIN ORICCHIO (crítico de cinema do ‘Caderno 2’):

24 Frames – “Último filme do maior diretor iraniano contemporâneo, Abbas Kiarostami, morto ano passado. Uma reflexão sobre a imagem, baseada em fotos tiradas pelo próprio cineasta.”

A Chantagem – Paul Vecchiali é um dos olhares mais originais do cinema atual. Nesta história, uma mulher é chantageada com um filme pornográfico no qual seu filho aparece.”

A Cordilheira – “Este é para os fãs de Ricardo Darín. No longa de Santiago Mitre, o ator argentino faz o papel de presidente da república em uma misteriosa cúpula política num hotel andino.”

A Moça do Calendário – “Helena Ignez, a musa do ‘cinema marginal’, dirige seu filme mais inspirado, a partir de roteiro deixado por Rogério Sganzerla (de ‘O Bandido da Luz Vermelha’).”

A Trama – “O diretor Laurent Cantet, convidado da Mostra, conta a história de um workshop de
escrita que toma rumos inesperados, questionando os limite entre realidade e ficção.”

UBIRATAN BRASIL (editor do ‘Caderno 2’):

Três Anúncios para um Crime – “Frances McDormand vive a mãe inconformada com a inépcia da polícia diante da morte da filha. Retrato cruel da sociedade americana atual e sua relação com a violência.”

El Inca – “Representante da Venezuela no Oscar, conta a trágica história de Edwin ‘El Inca’ Valero, grande boxeador, duas vezes campeão mundial, que se suicidou quando descobriu a mulher morta.”

Severina – “O delicado segundo filme dirigido por Felipe Hirsch trata de um amor obsessivo, que envolve umlivreiro e uma furtadora de livros. Tudo sobre o misterioso clima de Montevidéu.”

Com Amor, Van Gogh – “Uma proposta inusitada: retratar a vida do pintor Van Gogh por meio de uma animação que utiliza os mesmos traços e cores do artista. A trama é ok, mas vale pelo espetáculo visual.”

Visages, Villages – “Eternamente inquieta, a cineasta Agnès Varda propôs ao artista francês JR uma viagem pelo interior da França. O resultado é uma amizade marcada por divertidas imagens.”