Descubra o que ver (de melhor) no acervo de cinco museus paulistanos
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Descubra o que ver (de melhor) no acervo de cinco museus paulistanos

Júlia Corrêa

08 Fevereiro 2018 | 14h51

Visitamos o acervo de cinco instituições de arte de São Paulo. A seguir, você confere o que elas têm de melhor – com curiosidades sobre cada coleção e dicas de obras que merecem atenção especial

Acervo da Fundação Ema Klabin

Fundação Ema Klabin. Foto: Gabriela Biló/Estadão

MAC USP

Dividido em três mostras de longa duração, o acervo dá uma boa noção dos percursos da arte moderna e contemporânea aqui e lá fora. Assim, vale dedicar um turno completo à visita – ou, então, fazer mais de um tour.

Foto: Elaine Maziero

Nas exposições, dá para ver, por exemplo, diálogos entre retratos de Anita Malfatti e Marc Chagall – representantes da primeira metade do século 20. Da segunda metade, destaque para obras de nomes como Mira Schendel e Waldemar Cordeiro. E, do século atual, despontam trabalhos de Louise Bourgeois e Marina Abramovich.

+ Apesar das pequenas proporções, ‘Figuras’ (foto), de Pablo Picasso, prende logo a atenção. De 1945, a obra revela a aproximação do artista com o surrealismo.

Foto: Acervo MAC USP

+ Traços exagerados marcam ‘Torso/Ritmo’ (1915), de Anita Malfatti’; ‘O Beijo’ (1923), de Di Cavalcanti’; e ‘Figura’ (1927), de Ismael Nery. Entre as primeiras obras expostas, essas três pinturas de corpo humano não apenas revelam a influência de movimentos modernos europeus (como o expressionismo), mas também dão indícios de como produções posteriores se afastariam ainda mais do realismo. Continuando pelo museu, é possível observar, pouco a pouco, esse processo – até mesmo em esculturas, como ‘Implacável’ (1947), de Maria Martins. Aliás, de expoentes do abstracionismo, vale observar ‘Composição Clara’ (1942), de Kandinsky.

+ Alguns museus cederam telas de Tarsila do Amaral para uma mostra em cartaz no MoMA. ‘Estrada de Ferro Central do Brasil’ (foto), porém, continua no MAC USP.

Foto: Acervo MAC USP

Av. Pedro Álvares Cabral, 1.301, Ibirapuera, 2648-0254. 10h/ 18h (3ª, 10h/21h; fecha 2ª). Grátis.

FUNDAÇÃO EMA KLABIN

Entre 1940 e 1990, a empresária Ema Gordon Klabin (1907-1994) formou uma coleção que abrange mais de três mil anos de história da arte. Entre pinturas, esculturas e artes decorativas de diferentes civilizações, mais de 1.500 peças ocupam sua antiga residência – que foi transformada, em 1978, em uma fundação.

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Ao entrar em cada cômodo da casa, o visitante se surpreende com diferentes “preciosidades” e histórias que as envolvem – por isso, uma boa ideia é solicitar informações a um educador do local. Na sala de visitas (foto), por exemplo, há cinco objetos de bronze criados na China entre os séculos 13 e 12 a.C. Já no quarto de Ema, entre diversas pinturas modernistas, um nicho conta com belas peças da Antiguidade Clássica, como uma escultura de pedra com a cabeça de Zeus.

+ Na sala de piano (instrumento tocado por amigos de Ema, como João Carlos Martins), há duas obras de Marc Chagall: ‘No Campo’, de 1925, e ‘Noivos com Trenó e Galo Vermelho’ (foto), de 1957. Elas estão no cômodo dedicado à música em uma referência às pinturas do artista na Ópera de Paris, frequentada pela colecionadora.

Foto: Acervo Fundação Ema Klabin

+ Quem entra no quarto de hóspedes pode presumir que Ema gostava de receber muito bem seus convidados – em uma das paredes, encontra-se a obra ‘Rio de Janeiro’, pintada por Tarsila do Amaral em 1923.

Foto: Tarsila do Amaral

+ O acervo da fundação conta com várias pinturas italianas produzidas entre os séculos 16 e 18. Datada da década de 1760, ‘Retrato de Dama como Diana Caçadora’ (foto), de Pompeo Batoni, ganha ares especiais quando descobrimos que era uma das favoritas de Ema. O gosto da empresária pela obra fez com que ela encomendasse um retrato seu em trajes semelhantes ao da tela. Incorporado à coleção em 1951, o trabalho de óleo sobre tela traz referências à mitologia pagã – motivo em voga nos retratos históricos dos anos setecentos. Da mesma época, repare na obra ‘A Recusa de Arquimedes’, de Sebastino Ricci.

Foto: Fundação Ema Klabin

R. Portugal, 43, Jd. Europa, 3897-3232. 14h/18h (fecha 2ª e 3ª). R$ 10 (sáb., dom. e fer., grátis).

PINACOTECA

Percorrer as mais de dez salas do acervo do museu possibilita uma boa leitura da trajetória da arte brasileira, desde a tradição colonial até períodos mais recentes. Vale mencionar que esse percurso é facilitado pelo trabalho curatorial, que dispõe, pelas galerias, textos que funcionam como uma linha do tempo da produção nacional.

Foto: Júlia Corrêa/Estadão

Descobrimos, por exemplo, como a presença dos holandeses e, mais tarde, de artistas viajantes estabeleceria uma tradição pictórica num ambiente até então bastante marcado por obras tridimensionais. Ah, e a coleção da Pinacoteca se renova. Recentemente, o museu incorporou ‘Os Desastres da Guerra’, de Dora Longo Bahia, uma série de pinturas em que ela se apropria de imagens de conflitos.

+ Almeida Júnior é um nome proeminente na coleção. Lá, fica evidente a variedade de sua produção, que contempla pinturas de paisagens, retratos históricos, cenas domésticas e do universo caipira paulista. ‘O Violeiro’ (foto) pertence a essa última fase.

Foto: Isabella Matheus

+ Em uma das principais salas – onde estão expostas as famosas obras ‘O Mestiço’ (1934), de Candido Portinari, e ‘Emigrantes III’ (1936), de Lasar Segall – descobrimos a influência de Almeida Júnior na produção de grandes nomes do modernismo. Sua representação do universo caipira inspirou, por exemplo, o retrato de caboclos, tema que, ligado à busca por uma identidade nacional, seria frequentemente explorado por artistas como o próprio Portinari, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Em ‘Tropical’ (foto), também pertencente à sala, a figura miscigenada retratada em 1916 por Anita aparece em meio à natureza brasileira, outro motivo bastante adotado pelos artistas do período.

Foto: Isabella Matheus

+ Fora das salas expositivas, o museu exibe, em seus corredores, uma galeria voltada ao público com deficiência visual. São 12 esculturas táteis de seu acervo, criadas entre os séculos 19 e 20 por nomes como Rodolfo Bernardelli, Victor Brecheret, Bruno Giorgi e Amilcar de Castro.

Pça. da Luz, 2, 3324-1000. 10h/ 18h (fecha 3ª). R$ 6 (sáb., grátis).

MASP

Entre os museus visitados, o Masp possui, sem dúvidas, o acervo mais completo de arte europeia em exibição. Ao chegar ao segundo andar, onde está a coleção, e ver mais de uma centena de obras nos cavaletes de cristal projetados por Lina Bo Bardi, o visitante pode ter uma experiência impactante.

Foto: Eduardo Ortega

Afinal, não é sempre que se vê em conjunto a produção de grandes mestres italianos, como Bellini, Boticcelli e Tintoretto, ou então franceses, como Chardin, Ingres e Delacroix – isso sem citar artistas não menos importantes do restante da Europa.

A arte brasileira não fica de fora do acervo. Portinari, Vicente do Rego Monteiro e Maria Auxiliadora são alguns de seus representantes.

+ O acervo conta com importantes obras de temática religiosa do renascimento italiano. É o caso das pinturas ‘Ressurreição de Cristo’ (1499-1502; foto), de Rafael; ‘A Virgem com o Menino de Pé Abraçando a Mãe’ (1480-1490), de Bellini; e ‘Virgem com o Menino e São João Batista Criança’ (1490-1500), de Botticelli.

Foto: Acervo Masp

+ As obras aparecem distribuídas por seu país de origem. Mas o visitante pode usar diferentes recortes para desbravá-las. Uma possibilidade é pensar no modo como os artistas produzem retratos. Para isso, dá para observar ‘A Arlesiana’ (1890; foto), de Van Gogh, passando também pelas figuras alongadas de Modigliani.

Foto: Acervo Masp

+ Entre as obras, a produção brasileira pode não aparecer tanto quanto a europeia, mas os trabalhos exibidos chamam atenção por sua expressividade. Durante a visita, é possível notar até certo rebuliço em torno de telas como ‘Retirantes’ (1944; foto), de Candido Portinari – fundo para ‘selfies’ de alguns espectadores.

Foto: Acervo Masp

Masp. Av. Paulista, 1.578, metrô Trianon-Masp, 3149-5959. 10h/18h (5ª, 10h/20h; fecha 2ª). R$ 30 (3ª, grátis).

FUNDAÇÃO MARIA LUISA E OSCAR AMERICANO

Após a morte de sua mulher, Maria Luisa, o engenheiro Oscar Americano doou à cidade de São Paulo a casa da família e a coleção de arte nela presente, que ficaram acessíveis ao público a partir de 1980. Diferentemente da Fundação Ema Klabin, as obras do acervo não ficam necessariamente expostas do mesmo modo de quando a residência era habitada.

Foto: Renato Leary

Boa parte dos (elegantes) cômodos foi adaptada para ganhar ares de galeria. Entre pinturas, esculturas, mobiliário, prataria, porcelana e tapeçaria, o acervo contempla os períodos colonial e imperial, além de parte do modernismo brasileiro. Após visitar as obras, vale aproveitar o jardim da residência – que é, na verdade, um parque de 75 mil m2.

+ Nos primeiros espaços da residência, o visitante se depara com uma série de obras do período colonial brasileiro. Entre elas, destacam-se produções do holandês Frans Post (1612-1680), nome pioneiro no retrato de nossas paisagens. Aliás, em uma única parede da sala de jantar, há seis pinturas de sua autoria. Já do período imperial, há uma sala apenas com litografias e aquarelas que retratam figuras da família real. Félix Émile Taunay (1795-1881), segundo barão de Taunay, é um dos artistas que se dedicaram à produção desses retratos.

+ Uma Pietá de terracota (foto) produzida em 1955 por Victor Brecheret é uma das esculturas que mais se destacam na residência. Do mesmo artista, há também um belo crucifixo de bronze, do mesmo ano. Outra peça que chama a atenção é ‘Os Jovens (Estudo)’, criada por Bruno Giorgi em 1944. Essas obras dividem espaço com uma série de pinturas criadas por nomes renomados do modernismo brasileiro.

Foto: Fernando Chaves

+ Três pinturas de Candido Portinari – ‘Menino com Arapuca’ (1959), ‘Favela com Músicos’ (1957) e ‘Meninos e Piões’ (1959) – talvez sejam o ponto alto da seção dedicada ao modernismo brasileiro, que conta com obras adquiridas entre 1950 e 1970. Na mesma sala em que as pinturas estão expostas, também merecem atenção trabalhos como ‘Campos do Jordão’ (1942), de Lasar Segall, e ‘Cais’ (1955), de Di Cavalcanti (foto).

Foto: Fernando Chaves

Av. Morumbi, 4.077, Morumbi, 3742-0077. 10h/17h30 (fecha 2ª). R$ 10 (sáb., grátis).