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Cultura de berço

Redação Divirta-se

11 Agosto 2011 | 19h23

 

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NO PALCO| ‘O que Sonhei?’, espetáculo da Cia. Zin, é uma das atrações da mostra para bebês

Criativos e estimulantes, os programas dedicados aos bebês são cada vez mais frequentes. É o que mostra, entre outras atrações, um evento inédito no CCSP

 

 

Elenira Peixoto, da Cia Zin, explica melhor sobre o formato do teatro para bebês: 

O que caracteriza um espetáculo para bebês?
O teatro para bebês é uma forma de teatro que tende a se estender para toda a família. Claro que a linguagem é pensada para eles, mas é sobretudo um momento de fruição estética e compartilhamento social. Um peça de teatro para bebês tem uma duração reduzida (geralmente 30 minutos), por conta do tempo de concentração, e a sala é preparada para recebê-los: ar condicionado mais baixo, um espaço acolhedor. Os bebês ainda estão construindo a linguagem e a ideia de narrativa, então não precisa ser linear.

Como assim?
Na peça ‘O que eu sonhei?’, por exemplo,  trabalhamos com temas cotidianos (como a hora do dormir), mas poetizamos isso e falamos sobre o sonho. Tudo é narrativa, a música, a luz, o cenário e os gestos que contam lembranças de um sonho. Nesse sentido o teatro para bebês tem uma visão contemporânea de teatro porque se mistura com a dança e trabalha com fragmentos. Costumamos chamar também de ‘Uma grande brincadeira ampliada’.

Qual seu contato com a Anna Marie Holm?
Conheci a Anna Marie no ano em que lançou o seu primeiro livro no Brasil ‘Fazer e pensar arte’ e trabalhei no lançamento do livro no MAM em 2005 – um trabalho realizado com várias escolas públicas de São Paulo. Ela apresentou o seu trabalho na Casa do Teatro, escola que eu dou aula de teatro para crianças. E para mim fez muito sentido, porque ela trabalha arte contemporânea para valer e realiza com profundidade e liberdade o seu trabalho com as crianças. Anos depois, ela foi nesta mesma escola e na Unicamp num congresso sobre arte e estética para falar de um trabalho ainda mais ousado, o ‘Baby-art’. Nesse último livro ela entende a arte dos bebês além do que elas produzem plasticamente, mas enxerga todo o movimento do seu corpo envolvido na criação artística. ‘O bebê é performer’, ela diz. Sua arte se mistura com o corpo. Anna Marie é uma grande inspiração para nós.

Por que fazer um evento para bebês? Como surgiu esse título ‘Conversas Poéticas entre Arte e Bebês’?
No fim do ano passado fizemos contato com o Centro Cultural São Paulo, que mostrou uma vontade muito grande de aprofundar essa temática. Foi então que ampliamos a discussão do teatro para a arte em geral. Um tema com muito pouca produção e discussão no Brasil. Pensamos em abarcar as artes plásticas, a música e a dança. Em fazer um evento que discutisse a acessibilidade aos espaços públicos de pais com bebês pequenos. Quem tem criança pequena sabe que os espaços são pouco pensados para eles e que o lazer fica muito restrito. A ideia é falar de uma maternidade criativa que se recria dia a dia e que pode ser pautada pelo encontro com a arte. Mas, além de tudo, o evento quer discutir  ética. Vivemos numa sociedade na qual se misturam o privado e o público e onde tudo vira consumo. Quando se fala em infância, temos que pensar eticamente, não queremos inventar uma necessidade, queremos propor uma discussão ampla sobre arte na primeiríssima infância e, para isso, pensamos também nos educadores A pergunta é: Bebês faz arte? Existe uma arte própria da infância?

E aí, existe uma arte própria para a infância? 
Vamos discutir, problematizar e experimentar arte para bebês, por isso é uma conversa, poética, como a infância. Um olhar mais sensível para esse momento tão intenso e criativo da vida. A relação da arte com a vida está muito misturada. 

 

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ONDE: Centro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, 3397-4002, Metrô Vergueiro. 
QUANTO: Grátis. QUANDO: 12 a 21/8. Para entrar no site do CCSP clique aqui