‘Arábia’ lança luz sobre o duro cotidiano do povo brasileiro
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‘Arábia’ lança luz sobre o duro cotidiano do povo brasileiro

André Carmona

05 Abril 2018 | 16h39

Aristides de Sousa como Cristiano em ‘Arábia’. Foto: Pique-Bandeira Filmes

Arábia abre com um plano-sequência poético. Ao som de ‘Blues Run The Game’, folk de Jackson C. Frank, um adolescente anda de bicicleta em meio à bucólica e montanhosa paisagem de Minas Gerais. Talvez esta seja a fração mais leve do filme de Affonso Uchoa e João Dumans, ganhador do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2017. Porque o que vem em seguida funciona como um verdadeiro choque de realidade.

Quando André (Murilo Caliari), o garoto da bicicleta, chega à vila operária onde vive, em Ouro Preto, somos apresentados à sua história. Ele e o irmão vivem praticamente sozinhos, sem a mãe, que trabalha fora. Pela janela, a fumaça do cigarro tragado pelo jovem se confunde com a lançada pelas chaminés da fábrica de alumínio que funciona na vizinhança.

Um dia, um dos operários do local sofre um acidente. A enfermeira que cuida do caso, e também de André e seu irmão (por conta da ausência da mãe deles), pede ao garoto que busque, na casa do funcionário da indústria, uma muda de roupa e seus documentos. Mas André acaba se deparando com outra coisa: um diário.

É aí que mergulhamos na história de vida de Cristiano (Aristides de Sousa), que se torna o protagonista da trama. Num velho caderno, o operário escrevia suas memórias – narradas por ele como se estivessem sendo lidas por André.

O relato do homem, que já foi ex-presidiário e roda Minas Gerais atrás de melhores condições, transborda humanidade e emoção. E credita o longa como um dos melhores nacionais do ano até agora.

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