A 7ª edição do Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo exibe 24 produções do país
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A 7ª edição do Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo exibe 24 produções do país

André Carmona

14 Maio 2018 | 15h23

Filme ‘Diário da Minha Cabeça’, de Ursula Meier. Foto: Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo

Realizado desde 2009, em parceria com o Consulado Geral da Suíça em São Paulo, o Panorama do Cinema Suíço Contemporâneo chega à sétima edição e traz à capital produções recentes e inéditas do país – incluindo longas-metragens, curtas-metragens, ficções, documentários e filmes experimentais. Ao todo, serão projetados 24 filmes. A programação ocorre simultaneamente no CineSesc (R. Augusta, 2.075, Cerqueira César, 3087-0500. R$ 12; até 16/5) e no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Álvares Penteado, 112, Centro, 3113-3651. R$ 10; até 21/5).

Nesta terça-feira (15), às 16h10, o CineSesc (programação completa) exibe o longa ‘Amarrados’, de Frédéric Favre. No documentário, o cineasta acompanha três alpinistas de esqui durante a preparação para a Patrulha dos Glaciares, uma difícil corrida pelos Alpes suíços.

Já na quarta-feira (16), o destaque no CCBB (programação completa) será ‘Diário da Minha Cabeça’, da diretora Ursula Meier, às 19h30. Na trama ficcional, um rapaz de 18 anos confessa, por meio de um diário enviado às autoridades, o assassinato de sua professora de literatura. Isso pouco antes de também atirar em seus pais a sangue-frio.

A seguir, as curadoras da mostra, Célia Gambini e Talita Rebizzi, falam um pouco mais sobre a atual produção cinematográfica suíça, a escolha dos filmes e também sobre os temas propostos na edição.

Entrevista:

Como vocês enxergam a atual produção cinematográfica da Suíça?
O cinema suíço acompanha o cinema contemporâneo internacional. Se os documentários sempre foram uma grande potência do cinema suíço, e continuam sendo uma expressão fundamental de sua produção, hoje, os jovens cineastas também percorrem com desenvoltura os caminhos da ficção, com filmes autorais e buscando uma linguagem própria. Herança, talvez, de uma geração de cineastas suíços que entraram para a história do cinema mundial, como Alain Tanner et Jean-Luc Godard, com a ‘Nouvelle Vague’ e filmes que introduziram um novo modo de se fazer cinema e de posicionar a câmera frente à realidade.

Outra particularidade suíça, mas que pode se aplicar às cinematografias contemporâneas, refere-se às fronteiras entre gêneros, cada vez mais fluídas, com filmes que são híbridos de documentário, ficção, animação, etc.

Nota-se uma liberdade muito maior no que se refere ao tratamento da imagem, ao modo de fotografar, com uma abertura para a interdisciplinaridade e muitas referências externas ao cinema em sua linguagem mais formal. As narrativas são fortemente pessoais. Em geral, parte-se do particular, do local, para as grandes questões da atualidade, situando o cinema contemporâneo no centro das reflexões e dos desafios da nossa sociedade, independente da sua nacionalidade.

No entanto, o cinema suíço não é épico, não trata seus temas com ostentação, não é pretensioso, é preciso e não faz concessões.

Um aspecto importante que também deve ser mencionado do cinema suíço é sua base educacional: muitos cineastas têm currículo acadêmico. A Suíça conta com importantes escolas de cinema, como a Escola Cantonal de Lausanne (ECAL), a HEAD/Haute École d’art et design de Genebra (Departamento do Cinema do Real) e a Universidade de Artes de Zurique (ZHDK), que vêm formando uma grande parte da nova geração de cineastas.

Há alguma temática latente entre os filmes apresentados na mostra?
O grande desafio foi selecionar uma amostra representativa da grande produção suíça, um país multicultural, com 3 idiomas oficiais (alemão, francês , italiano). Outro ponto que buscamos contemplar foram os diferentes formatos: documentários, ficções, curtas, animações, filmes experimentais. Além claro, de trazer filmes das 3 regiões linguísticas, de jovens e consagrados cineastas.

Finalmente, observamos que poderíamos ter um recorte a partir do qual pudéssemos ter um eixo de leitura para todos os filmes: os deslocamentos, a diversidade, a busca do outro e de si mesmo em variados formatos.

Estamos muito contentes com a seleção final e acreditamos que o público brasileiro poderá ver filmes de grande qualidade e que tratam de temas atuais da Suíça em diálogo com o mundo.

Há alguma produção que seja imperdível?
A seleção de filmes é muito potente e seria difícil destacar filmes em especial. Entre os documentários, ‘Hafis & Mara’, cujo diretor esteve presente na abertura do Panorama e participa de debates com o público, trata das relações de um casal, que faze um balanço de suas vidas diante das câmeras, personagens reais que não nos deixam a possibilidade de escapar pelas brechas da ficção. Há também ‘O Tribunal do Congo’, de Milo Rau, que reuniu envolvidos em uma das guerras mais sangrentas da história num único tribunal civil no Congo Oriental.

Nas ficções, podemos mencionar o último filme de Ursula Meier, ‘Diário da Minha Cabeça’, uma sensível abordagem sobre os motivos que levam a atos violentos e que parte da relação entre uma professora de literatura (Fanny Ardant) e seu jovem aluno (Kacey Mottet Klein, uma excelente revelação da nova geração de atores suíços). A cineasta tem se destacado internacionalmente, em festivais como o de Berlin e o de Cannes. Sua produtora em Lausanne, Band à Part, é responsável por alguns dos melhores filmes produzidos nos últimos tempos no país e reúne outros importante realizadores do cinema suíço.

Há muitos jovens diretores nesta edição, como Olmo Cerri, de ‘Eu Não Tenho Idade (para te amar)’; Caroline Parietti e Cyprien Ponson, de ‘Be’Jam Be Esse Canto Não Terá Fim’; Dominik Locher, de ‘Golias’; Fabian Kaiser e Luca Ribler, de ‘Televisões’, que despontaram em festivais internacionais com temáticas fortes e diversas e que vêm abrindo novas fontes para o cinema suíço.

No entanto, consideramos que os 14 documentários e ficções e os curtas selecionados são imperdíveis e retratam a amplitude do cinema suíço contemporâneo. Esperamos, assim, que o público possa acompanhar a totalidade da programação.

Confira salas e horários de todos os filmes em cartaz no Guia de Cinema do Divirta-se