40ª Mostra: Peter Kazda e Tomás Weinreb retomam a tradição do absurdo em ‘Eu, Olga Hepnarová’
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40ª Mostra: Peter Kazda e Tomás Weinreb retomam a tradição do absurdo em ‘Eu, Olga Hepnarová’

Redação Divirta-se

20 Outubro 2016 | 17h32

IOH Michalina Olszanska 3

Com ‘Eu, Olga Hepnarová’, os diretores Peter Kazda e Tomás Weinreb retomam a tradição do absurdo, tema caro à cultura da Europa Central. A vida não faz sentido para a jovem Olga (Michalina Olszanska). A família não a entende, o colégio a rejeita e ela enfrenta dificuldades em se acertar com sua sexualidade. Bonita, corte de cabelo à Louise Brooks, Olga é nitroglicerina ambulante. E, quando explodir, provocará uma devastação pouco condizente com seu físico frágil.

O filme joga nessa carta do inesperado. Em preto e branco, com planos esmerados e calculados, insinua uma personagem em desequilíbrio progressivo, mas sem se afastar, no plano da linguagem cinematográfica, dessa elegância e rigor quase excessivos.

O filme parte da ideia, que se poderia chamar de ‘romântica’, da luta entre o indivíduo e seu meio. Olga se sente em constante atrito com a sociedade, que ela não compreende e que também não a aceita. Ela não trava uma luta, propriamente dita. Faz de um ato gratuito seu protesto, sua passagem para a fama e, também, para sua própria destruição.

A personagem é difícil de compreender. Nem por isso o espectador deixa de se sentir amedrontado e compadecido pelo destino dessa figura verídica da ex-Checoslováquia. Luiz Zanin Oricchio

Cidade São Paulo: 6ª (21), 21h30. Frei Caneca: sáb. (22), 17h20; 2/11, 13h30. Cinesala: 3ª (25), 17h40.