‘Viagens e palestras estavam me exaurindo’, diz Loyola Brandão

‘Viagens e palestras estavam me exaurindo’, diz Loyola Brandão

Sonia Racy

20 Outubro 2017 | 00h50

-Marcia Gullo e Ignácio Loyola Brandão FOTO: Daniela Ramiro/ ESTADÃO

Ignácio de Loyola Brandão decidiu lançar – após 11 anos sem se dedicar ao gênero – um novo romance. “É disso que realmente gosto”, contou anteontem à coluna, antes da abertura da 41.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O autor, que começou a carreira como crítico de cinema, não tinha expectativas sobre o documentário que foi exibido na noite: Human Flow, do artista plástico Ai Weiwei – que, por conta de problemas no visto, não conseguiu chegar a São Paulo. “Mas aviso: nunca saio no meio de filme. Sempre, mesmo nos piores, aparece algo bonito”, destaca.

Quando teremos um novo romance seu?
Ano que vem. Mas é disso que eu realmente gosto. Limitar-me a fazer palestras e viajar estava me consumindo. Aí eu pensei que tinha que voltar à ficção – e o romance acabou me absorvendo completamente por três anos.

Como é a trama?
Não falo muito dela porque senão ela vai embora antes do tempo… É uma mania minha. Nem minha mulher sabe direito.

A premissa básica, pelo menos.
A história se passa num Brasil desconstruído que já teve 4 capitais e uma epidemia de corrupção causada por uma doença chamada corruptela bestífera. A época da trama não é definida. As datas vão e voltam. Mas é um romance que pode me destruir de uma vez. Ele é tão louco que ou vai ser um puta livro ou um puta fracasso. A gente sempre está vivendo na corda bamba.

Algum outro projeto?
Vou me reunir com um grupo de jovens que adaptou o Zero. Faz 40 anos que me pedem pra filmar esse livro. Amanhã é a hora de ler o roteiro. Eu vou ver – e, se não estiver bom, posso mexer.

Está receoso quanto ao resultado da adaptação?
Não! Com 80 anos, a gente não tem mais medo de nada. / MARCELA PAES