‘Todo mundo tem algo a ver com João de Deus’

‘Todo mundo tem algo a ver com João de Deus’

Sonia Racy

20 Outubro 2016 | 00h30

joão editado Na primeira vez em que a pesquisadora Maria Helena Machado, da USP, foi a Abadiânia ver João de Deus, em 2012, sentiu algo incômodo. “Se despertou sensações em mim, uma vivência ampliada, é porque havia alguma pertinência ali”, disse autora à coluna.
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Quatro anos depois, o tal incômodo e as seguidas visitas à casa Dom Inácio de Loyola – onde João trabalha desde 1976 – se materializaram no livro João de Deus: um Médium no Coração do Brasil, lançado pela Fontanar. Com 256 páginas, a obra, iniciada em 2014, conta a trajetória do médium, episódios vividos por visitantes e experiências quanto às suas práticas.
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Como você avalia a figura de João de Deus?
João de Deus é um líder e tem um impacto muito grande na nossa cultura – ainda não analisado. As pessoas têm dificuldade de entender o que ele faz. O que ele professa e faz não formam uma religião. Mas eles vão lá, buscam a cura de doenças, de problemas de negócios, de família. E também buscam espiritualidade. Ele abriu esse espaço para que todos vivam sua espiritualidade, cada um dentro dos seus parâmetros. Entrevistando as pessoas, você vê que jovens alemães pensam que ele é uma coisa e brasileiros o veem como outro. É um caleidoscópio de interpretações.
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Qual sua motivação para escrever este livro?
Nasceu da minha vontade de experimentar outro campo. O livro deu vazão a um tipo de estudo e vivência a que eu me dedicava de forma amadora. João de Deus é uma figura icônica na nossa cultura, todo mundo tem alguma coisa a ver com ele. Existem diversos livros sobre ele, mas de pessoas que trabalham na casa, amigos ou seguidores próximos.
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Qual o diferencial do livro que você está lançando?
Não havia um texto com uma análise e uma etnografia da casa Dom Inácio de Loyola. Desde o início, o objetivo era falar sobre a experiência pessoal. O importante ali é a vivência, de que forma a espiritualidade ressoa na vida de cada um. Tanto que em nenhum momento eu tenho interesse de comprovar se o que eu vi é verdade. Há uma abordagem empática, participativa, mas ao mesmo tempo o livro tem um tom neutro. O meu propósito é fazer uma descrição etnográfica, uma análise histórica da biografia dele, da casa e a minha própria experiência com essas duas partes. / PAULO PALMA BERALDO, ESPECIAL PARA O ESTADO