Terceiro ciclo

Sonia Racy

05 Setembro 2014 | 07h33

Empresários convidados para a comemoração dos 90 anos do Itaú Unibanco – anteontem, na Sala São Paulo – se surpreenderam com o discurso de Roberto Setúbal.

Por meio de uma costura de frases interligadas (conforme publicou, ontem à noite, o blog da coluna), ele deixou no ar sua preferência pela candidatura de Marina Silva, que está à frente nas pesquisas e, saindo vitoriosa, representaria o fechamento de um ciclo e uma “evolução natural”.

Ontem, em visita ao Estado, Setúbal esclareceu o que quis dizer.

Por que Marina seria uma evolução natural na política?
Nós vimos, no ano passado, manifestações nas ruas do País que indicavam o anseio da população por mudanças. Nas enquetes de opinião pública, quando se fala sobre eleição, a gente vê estatísticas que mostram que 79% das pessoas querem essa mudança. Olhando para isso e também para o atual quadro eleitoral, as pesquisas estão indicando esse mesmo desejo de mudança. Olhando para trás, a gente teve, no Brasil, nesses últimos 20 anos, dois claros ciclos.

Quais ciclos?
No primeiro, conquistamos a estabilidade econômica, que é muito importante que seja preservada. No segundo, obtivemos grandes ganhos sociais, que também devem ser preservados. Na minha forma de ver, estamos entrando agora em um novo ciclo, no qual os brasileiros anseiam por serviços públicos de melhor qualidade, gestão pública de melhor qualidade, para que tenhamos mais saúde, mais educação, enfim, a melhora de tudo aquilo sob responsabilidade do Estado.

A atual gestão pública é medíocre no Brasil?
Não é uma crítica específica a ninguém, trata-se apenas de uma observação. Em todos os níveis – seja municipal, estadual ou federal. E a gente viu isso nas manifestações, com muita clareza. O que se anseia é por mudança e serviços públicos de melhor qualidade para todos.

O senhor ter mencionado apenas Marina em seu discurso significa que votará nela?
Não, não. Eu não estou apoiando nenhum candidato, nem declarando voto em nenhum candidato. Mencionei a Marina em um contexto muito claro: as pesquisas indicam que ela é a favorita na eleição, nada mais do que isso.