Fusão entre Fibria e Suzano envolve R$ 29 bilhões cash

Sonia Racy

16 Março 2018 | 07h53

  • A transação entre Suzano e Fibria, concluída na manhã desta sexta-feira, consiste em pagar R$ 29 bilhões em dinheiro para todos acionistas da emoresa do grupo Votorantim. Que receberão também mais 255 milhões de ações. A Votorantim ficará com 5,6 % da nova empresa que depende ainda da aprovação dos órgãos concorrenciais.

O negócio — como informaram Monica Scaramuzzo, Luana Pavani, Fabiana Holtz e Ricardo Grinbaunm – foi fechado nesta madrugada de sexta-feira. O BNDES acertou financiamento para que a Suzano pudesse bancar a compra do controle da Fibria.

Trata-se da terceira tentativa do grupo da família Feffer em arrematar a empresa de celulose do Grupo Votorantim.

Desta vez, com sucesso.

Segundo o BNDES, “a companhia resultante deverá, por contrato, manter, no mínimo, o mesmo padrão de responsabilidade socioambiental em que as duas empresas já eram referência”. A empresa resultante da combinação de negócios seguirá de capital aberto e terá melhorias de governança, como uma política de indicação de conselheiros independentes.

O BNDESPar seguirá com participação relevante, porém minoritária. A fatia não foi informada. O banco explica ainda que a operação é inteiramente garantida por consórcio de bancos privados e que a conclusão do negócio está sujeita à aprovação de agências antitruste.

Maior produtora de celulose do mundo, a Fibria possui 1,056 milhão de hectares de florestas, das quais 633 mil hectares são de árvores de eucalipto plantadas. Uma outra parte – 364 mil hectares – é de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos. A família Votorantim é dona de boa parte dessas terras e as arrenda para a Fibria.

Suzano comunica
“fato relevante”

A Suzano Papel e Celulose confirmou o negócio em fato relevante. A companhia detalha que obteve financiamento de US$ 9,2 bilhões com instituições financeiras para a combinação de operações. O desembolso, segundo a empresa, está condicionado, dentre outros fatores, à consumação da operação e será destinado ao financiamento de parte da parcela em dinheiro e de exportações combinadas.

Pelo acordo firmado com os acionistas controladores da Fibria, a Suzano deterá a totalidade das ações da empresa por intermédio de uma reorganização societária. Nesta, os acionistas da Fibria devem receber R$ 52,50 por ação ordinária – corrigido pela variação do CDI desde 15 de março de 2018 até a data do seu efetivo pagamento, a ser realizado em uma única parcela na data da consumação da operação.

Os acionistas também devem receber 0,4611 ação ordinária de emissão da Suzano. A relação de troca será ajustada proporcionalmente por eventuais desdobramentos, grupamentos e bonificações das ações.